O ponto de partida. As afirmações pedem que interpretes os dados, e os dados estão em três sítios: o texto do Grupo III, o modelo da Figura 4A (um corte do sistema geotérmico, com temperaturas, caminhos da água e a falha) e o gráfico da Figura 4B (o lítio em função da profundidade). Antes de começar, lê bem o gráfico 4B, porque tem uma particularidade: a profundidade está no eixo vertical, com valores negativos, de −4,5 km em baixo a −2,0 km em cima. Subir no gráfico é ficar menos fundo – o gráfico está desenhado como se estivesses a olhar para o subsolo.
1.º — ler a Figura 4A
- Em baixo há uma fonte de calor; por cima, o reservatório geotérmico, com as temperaturas a diminuir de baixo para cima: 250–275 ∘C a cerca de −3,14 km, 186–215 ∘C a cerca de −2,25 km e 160–176 ∘C a cerca de −1,9 km.
- A água da chuva infiltra-se a partir da superfície e desce, através das rochas, até à base do reservatório.
- A água do mar entra pelo lado do mar e desce ao longo da falha até à base do reservatório.
- A água termal sobe (setas pretas) desde a base do reservatório até às fontes hidrotermais, à superfície.
2.º — afirmação I – verdadeira
«O enriquecimento da água em lítio aumenta com a diminuição da profundidade.» No gráfico 4B, o ponto mais profundo (cerca de −4,05 km) tem pouco lítio, cerca de 1,2 mg/L; à medida que se sobe, o lítio aumenta (cerca de 4,2, 5,5, 5,8, 7,2 mg/L), até ao ponto mais superficial (cerca de −2,15 km), com cerca de 8 mg/L. A reta de tendência é crescente: quanto menor a profundidade, maior a concentração de lítio. É o que o texto introduz como a variação «à medida que a água ascende»: a água vai-se enriquecendo em lítio enquanto sobe pelas rochas-reservatório. Verdadeira.
3.º — afirmação II – verdadeira
«Associadas ao sistema geotérmico de Way Ratai, existem manifestações de vulcanismo secundário.» O texto e a Figura 4A falam de fontes hidrotermais: nascentes de água quente, aquecida em profundidade por uma fonte de calor de origem magmática, numa região de arco vulcânico ativo. O vulcanismo secundário (ou residual) é o conjunto de manifestações de calor interno que não envolvem a saída de magma: fontes termais, fumarolas (saída de gases e vapor), géiseres (jatos intermitentes de água quente e vapor) e mofetas. Verdadeira.
4.º — afirmação IV – verdadeira
«A água que emerge nas fontes hidrotermais resulta da mistura de água da chuva e de água do mar, que ocorreu a grande profundidade, no sistema geotérmico.» Na Figura 4A, as setas da água da chuva e as setas da água do mar descem ambas até à base do reservatório, a grande profundidade (perto dos −3,14 km), e é aí que se juntam. Depois, a água misturada é aquecida e sobe até às fontes hidrotermais. O texto confirma a mistura: a água do reservatório tem sódio e cloro, a assinatura da água do mar. Verdadeira.
Resposta: I, II e IV.
porque é que III e V são falsas
- III – «… numa região da crusta com baixo fluxo térmico.» Falsa. O fluxo térmico é a quantidade de calor interno que chega à superfície por unidade de área e de tempo. Aqui, a água atinge 160 a 275 ∘C a apenas 2 a 3 km de profundidade, há uma «fonte de calor» por baixo do reservatório e a região é um arco vulcânico ativo. Tudo indica um fluxo térmico elevado – e é precisamente isso que torna possível um sistema geotérmico.
- V – «A água com maior concentração de lítio encontra-se na zona … onde a temperatura é mais elevada.» Falsa. Tens de cruzar as duas figuras. Na 4A, a temperatura mais elevada (250–275 ∘C) está em baixo, a cerca de −3,14 km. Na 4B, o lítio é máximo em cima, perto dos −2 km, que corresponde à zona onde a temperatura é a mais baixa do reservatório (160–176 ∘C). A água mais rica em lítio é a mais superficial, não a mais quente. É a afirmação mais tentadora, porque a intuição diz «mais quente dissolve mais» – e, de facto, a temperatura ajuda a dissolver o lítio; mas a concentração acumula-se à medida que a água sobe e contacta com mais rocha.
onde se perdem pontos
Item de seleção e facultativo, 8 pontos, classificado de forma dicotómica: só a identificação das três afirmações corretas vale os 8 pontos; conta para a nota se ficar entre os quatro melhores dos oito itens facultativos.
- Ler o eixo das profundidades ao contrário. −2,0 é menos profundo do que −4,5. Quem o lê ao contrário inverte a afirmação I.
- Aceitar V por intuição («mais quente dissolve mais»). Os dados dizem outra coisa: confere sempre nas figuras.
- Não reconhecer as fontes hidrotermais como vulcanismo secundário.
- Confundir «fluxo térmico» com «temperatura da água». O fluxo é do calor interno da Terra; a água quente é uma consequência de um fluxo elevado.
- Escrever quatro números «por segurança». O enunciado pede três.
a regra a fixar
Quando um item junta um modelo (4A) e um gráfico (4B), cada afirmação cruza os dois: localiza no modelo onde está a temperatura, a água, a falha; lê no gráfico o que muda com a profundidade. Lê sempre os eixos antes dos pontos (sinal, sentido, unidades). E fontes termais, fumarolas, géiseres, mofetas = vulcanismo secundário, típico de regiões com fluxo térmico elevado.