O ponto de partida. As cinco afirmações misturam três fontes: a Figura 4A (as rochas, as falhas e as fraturas, e o percurso da água até às nascentes), a Figura 4B (o gráfico da temperatura em função do teor de sódio) e conceitos de hidrogeologia que tens de trazer:
- porosidade – a percentagem de espaços vazios numa rocha (a capacidade de armazenar água);
- permeabilidade – a capacidade de a rocha deixar a água circular, o que exige que os espaços estejam ligados entre si (poros comunicantes ou fraturas);
- aquífero livre – formação permeável sem camada impermeável por cima; o topo da zona saturada (o nível hidrostático, ou nível freático) está à pressão atmosférica;
- aquífero cativo (confinado) – formação permeável entre camadas impermeáveis; a água está a uma pressão superior à atmosférica.
1.º — ler a Figura 4B antes de tudo
Eixo vertical: temperatura (ºC), de 15 a 30. Eixo horizontal: teor de sódio, Na (mg/L), de 0 a cerca de 350. Dois tipos de pontos:
- nascentes frias (círculos brancos): cerca de quinze pontos, todos com menos de ≈ 75 mg/L de sódio e temperaturas entre ≈ 13,5 e 20 ∘C;
- nascentes quentes (círculos cinzentos): quatro pontos – ≈ 100 mg/L a 23 ∘C; ≈ 140 mg/L a 31 ∘C; ≈ 315 mg/L a 26 ∘C; ≈ 350 mg/L a 25,5 ∘C.
A leitura global: as nascentes quentes têm teores de sódio muito superiores aos das frias.
2.º — afirmação I – verdadeira
Uma rocha magmática compacta, como o sienito, tem muito pouca porosidade e os cristais estão encaixados uns nos outros: por si só, quase não deixa passar água. O texto diz que foi a precipitação, «associada à fraturação e à alteração dos sienitos nefelínicos próximos da superfície», que deu origem aos aquíferos; e a Figura 4A mostra a água a escoar ao longo das falhas e das fraturas, até ao sienito em profundidade. São essas aberturas, ligadas entre si, que permitem a circulação: conferem permeabilidade ao sienito. Verdadeira.
3.º — afirmação II – verdadeira
As nascentes com temperatura acima de 22 ∘C são os quatro círculos cinzentos (os brancos ficam todos abaixo de 20 ∘C). Os seus teores de sódio vão de ≈ 100 mg/L (23 ∘C) a ≈ 350 mg/L (25,5 ∘C). Estão, aproximadamente, entre 100 mg/L e 350 mg/L. Verdadeira.
4.º — afirmação III – falsa
Junta as duas figuras. A Figura 4B mostra que o teor de sódio é maior nas águas mais quentes. A temperatura da água subterrânea depende da profundidade a que ela circula: a temperatura das rochas aumenta com a profundidade (gradiente geotérmico), e a água aquece em contacto com elas. A Figura 4A confirma: a água das nascentes quentes é a que desce pelas falhas até ao sienito em profundidade; a das frias fica no aquífero superior. Logo, o teor de sódio depende da profundidade de circulação – mais fundo, mais quente, mais sódio. Falsa.
5.º — afirmação IV – verdadeira
Segue as setas na Figura 4A. A água das nascentes frias infiltra-se no topo, circula no aquífero superior (o sienito meteorizado, junto à superfície) e sai nas encostas, perto de onde entrou. A água das nascentes quentes infiltra-se, desce ao longo das falhas até ao sienito em profundidade e volta a subir até às nascentes na base da encosta. Para aquecer, a água tem de descer – e um percurso que desce e volta a subir é um percurso mais longo. Verdadeira.
6.º — afirmação V – falsa
O aquífero superior é o sienito nefelínico meteorizado, à superfície, sem nenhuma camada impermeável por cima (a chuva infiltra-se diretamente). É um aquífero livre. Num aquífero livre, o nível hidrostático é a superfície da água em contacto com o ar dos poros, que comunica com a atmosfera: a pressão aí é igual à atmosférica. Água a pressão superior à atmosférica é a marca de um aquífero cativo, confinado entre camadas impermeáveis – é isso que permite os furos artesianos, em que a água sobe sozinha. Falsa.
Resposta: I, II e IV.
porque é que III e V são tentadoras
- III – soa a «neutra»: o sódio vem da rocha, e a rocha é a mesma em todo o maciço – então porque havia de depender da profundidade? Porque a profundidade traz temperatura, e o gráfico mostra que mais quente é mais sódio (o item III.5 explica o mecanismo: a temperatura acelera a meteorização química).
- V – usa um termo técnico («nível hidrostático») com a pressão errada. Descreve um aquífero cativo; o aquífero superior, à superfície e sem cobertura impermeável, é livre.
onde se perdem pontos
Item de seleção e facultativo, 8 pontos, classificado de forma dicotómica: só a identificação das três afirmações corretas vale os 8 pontos. Conta para a classificação se ficar entre os quatro melhores dos oito itens facultativos.
- Ler os pontos errados do gráfico. A afirmação II pede só as nascentes acima de 22 ∘C; os círculos brancos ficam todos abaixo.
- Confundir aquífero livre com cativo. Livre: nível hidrostático à pressão atmosférica. Cativo: água a pressão superior.
- Achar que uma rocha magmática não pode ser permeável. A permeabilidade pode vir das fraturas, não dos poros.
- Confundir porosidade com permeabilidade. Uma argila é muito porosa e quase impermeável; um granito fraturado é pouco poroso e permeável.
- Não indicar a versão da prova. Sem versão inequívoca, os itens de seleção valem zero. Esta chave é a da Versão 1.
a regra a fixar
Permeabilidade = capacidade de deixar passar a água – pelos poros ligados entre si ou pelas fraturas. Aquífero livre: sem cobertura impermeável, nível hidrostático à pressão atmosférica; cativo: entre camadas impermeáveis, água a pressão superior à atmosférica. Água mais quente numa nascente = água que circulou mais fundo, por um percurso mais longo (gradiente geotérmico). Num item de hidrogeologia, segue as setas da figura antes de avaliar qualquer afirmação sobre percursos.