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Exame de Biologia e Geologia 2026 · Época especial — item I.11, resolvido

Cotação 9 pontosResposta abertaVerificado

Enunciado

Instituto de Avaliação Educativa · prova 702 · 2026 · Época especial

Grupo I · Texto 1

Texto 1

O vinho do Porto, com fama internacional, é produzido a partir de uvas da Região Demarcada do Douro (RDD). A RDD é a região vitícola mais antiga do mundo, e parte da sua área – a Região do Alto Douro Vinhateiro – foi classificada pela UNESCO como Património Mundial, em 2001. A Figura 1 representa a carta geológica simplificada da Região Demarcada do Douro.

A partir do estudo das rochas, é possível deduzir que a história geológica desta região terá começado há cerca de 600 Ma (milhões de anos) com a deposição de sedimentos nas margens de um grande continente – Gondwana. Entre 400 Ma e 250 Ma, a dinâmica da litosfera levou à formação do supercontinente Pangeia e à génese de uma enorme cadeia montanhosa, a cadeia Varisca, atualmente muito erodida.

Na zona da RDD, existem xistos e metagrauvaques¹, dobrados, que constituem o Grupo do Douro. Ainda durante a orogenia Varisca, ocorreram intrusões magmáticas nas rochas do Grupo do Douro, dando origem às rochas plutónicas que atualmente afloram na região. Na fase final desta orogenia, formaram-se falhas com orientação geral NE-SO e NO-SE.

Na região de Torre de Moncorvo, existe um jazigo de ferro em rochas quartzíticas ricas em hematite e em magnetite. Nas camadas de xisto do Ordovícico, ocorrem fósseis de animais marinhos do género Orthis.

Nota:

  1. 1. Metagrauvaques – rochas de origem sedimentar que sofreram metamorfismo de baixo grau.
Carta geológica simplificada da Região Demarcada do Douro. No canto superior esquerdo, o contorno de Portugal continental, com a seta do norte («N») e a localização do Porto; a área da RDD está pintada a negro no interior norte, a leste do Porto. O mapa principal mostra uma mancha alongada de oeste para leste, atravessada pelo rio Douro (linha azul grossa e sinuosa, de oeste para leste, que no extremo leste desce para sul). A maior parte da área é verde-clara («Xistos e metagrauvaques – Grupo do Douro (Câmbrico)»). Manchas brancas com cruzes («Granitos e granitoides paleozoicos (Variscos)») ocupam sobretudo uma grande área a norte do rio, ao centro, e várias manchas menores a sul do rio. No canto nordeste, uma mancha com tracejado horizontal («Xistos e outras rochas (Ordovícico e Silúrico)») e, junto a ela e a leste, pequenas manchas cinzento-escuras («Quartzitos (Ordovícico)»). Uma faixa estreita amarela, alongada no sentido NNE-SSO, a leste, a norte do rio («Arenitos e conglomerados – Depósitos de cobertura»), fica imediatamente a noroeste do ponto negro que assinala Torre de Moncorvo. Muitas falhas (linhas contínuas e tracejadas) atravessam o mapa; a maioria tem orientação NE-SO e algumas NO-SE. Escala gráfica de 5 km no canto inferior esquerdo. Legenda à direita, de cima para baixo: Arenitos e conglomerados – Depósitos de cobertura (chaveta: Cenozoico); Xistos e outras rochas (Ordovícico e Silúrico); Quartzitos (Ordovícico); Xistos e metagrauvaques – Grupo do Douro (Câmbrico) (chaveta destas três: Paleozoico); Granitos e granitoides paleozoicos (Variscos); Falha; Rio Douro; Torre de Moncorvo.
Figura 1

Baseado em: A. Martinho et al., «A Geologia na rota da vinha e dos museus do vinho no Alto Douro Vinhateiro», Guião de Campo-APG, Abril de 2016; e em: https://repositorio.lneg.pt/bitstream/10400.9/2404/1/BM_3_1_p51.pdf (consultado em setembro de 2025).

I.11.

Em análises mineralógicas realizadas na região de Torre de Moncorvo, foi identificada a presença de elementos do grupo das «terras raras» (ETR), um grupo de elementos metálicos utilizados numa ampla variedade de aplicações tecnológicas.

Considerando que existem espécies vegetais capazes de acumular elevadas concentrações de metais nos seus tecidos – espécies hiperacumuladoras –, foi realizado um estudo, utilizando plantas nativas desta região, para avaliar a sua capacidade de acumulação de ETR.

Baseado em: N. Durães et al., «Rare Earth Elements fractionation in native vegetation from the Moncorvo iron mines, NE Portugal», in Procedia Earth and Planetary Science, n.º 10, 2014.

Explique de que modo o estudo realizado pode sugerir uma possível alternativa à exploração mineira, sabendo-se que, na região de Torre de Moncorvo, os minerais onde se encontram os ETR não constituem uma reserva.

Na sua resposta, faça referência à condição necessária para que um recurso geológico possa constituir uma reserva.

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