O ponto de partida. Numa rocha magmática, o tamanho dos cristais é o registo da velocidade de arrefecimento do magma. A razão é física: os cristais formam-se quando os átomos do líquido se organizam numa estrutura ordenada, e isso leva tempo.
- Arrefecimento lento → os átomos têm tempo para migrar e juntar-se a cristais já existentes → poucos cristais, que crescem muito: cristais grandes, visíveis à vista desarmada;
- Arrefecimento rápido → formam-se muitos núcleos de cristalização ao mesmo tempo e nenhum tem tempo para crescer → microcristais (ou, se for muito rápido, vidro, sem cristais).
A rocha D tem dois tamanhos de cristais. O item pede-te que leias isso como duas velocidades de arrefecimento – e que identifiques a rocha.
1.º — ler o Quadro I e a fotografia da rocha D
O quadro diz: «matriz formada por microcristais» e «presença de alguns cristais, de grandes dimensões, de olivinas, de piroxenas e de plagióclases cálcicas». Na fotografia, um cristal grande, alongado, tem cerca de duas vezes o comprimento da barra de escala de 1 mm – cerca de 2 mm –, rodeado por uma massa escura de cristais minúsculos.
2.º — (A) os cristais grandes: arrefecimento lento
Os cristais grandes, chamados fenocristais, formaram-se numa fase em que o magma arrefeceu lentamente. Isso acontece em profundidade, numa câmara magmática, onde o magma está rodeado de rochas quentes que conduzem mal o calor. Houve tempo para alguns cristais crescerem. Os minerais que os formam são precisamente os primeiros a cristalizar num magma básico (olivina, piroxena, plagióclase cálcica, os minerais de alta temperatura da série de Bowen) – faz sentido que tenham começado a crescer cedo, ainda em profundidade.
3.º — (B) a matriz: arrefecimento rápido
A matriz de microcristais formou-se numa fase em que o magma arrefeceu rapidamente: quando subiu e foi extruído à superfície (numa erupção), a temperatura do meio caiu bruscamente, formaram-se de uma só vez muitíssimos núcleos de cristalização, e nenhum teve tempo para crescer.
Juntando os dois: primeiro arrefecimento lento (os fenocristais), depois arrefecimento rápido (a matriz). O mesmo magma mudou de velocidade de arrefecimento ao mudar de sítio. Esta textura, com fenocristais dispersos numa matriz fina, chama-se porfírica.
4.º — (C) identificar a rocha
Duas pistas independentes, cruzadas:
- os minerais – olivina, piroxena e plagióclase cálcica são os minerais de um magma básico (pobre em sílica, rico em ferro, magnésio e cálcio);
- a textura – uma matriz de microcristais denuncia um arrefecimento rápido, à superfície: a rocha é vulcânica.
Rocha magmática básica + vulcânica = basalto. Se tivesse os mesmos minerais mas fosse toda de cristais grandes (arrefecimento lento, em profundidade), seria um gabro.
5.º — uma resposta de nível máximo, peça a peça
«A rocha D é um basalto [C]: tem olivinas, piroxenas e plagióclases cálcicas, minerais de um magma básico, e uma matriz microcristalina, própria de uma rocha vulcânica. A textura mostra cristais de dois tamanhos. Os cristais de grandes dimensões (fenocristais) formaram-se quando o arrefecimento do magma foi lento, em profundidade, o que deu tempo para crescerem [A]. Os microcristais da matriz formaram-se quando o magma arrefeceu rapidamente, ao ser extruído à superfície [B]. A existência de dois tamanhos de cristais permite, assim, inferir que a velocidade de arrefecimento se alterou.»
como este item é corrigido (por níveis)
O item avalia três elementos (A, B e C):
- nível 5 – 9 pontos: os três elementos, com rigor científico;
- nível 4 – 7 pontos: os três elementos, com falhas no rigor científico;
- nível 3 – 6 pontos: apenas dois elementos, com rigor científico;
- nível 2 – 4 pontos: apenas dois elementos, com falhas no rigor científico;
- nível 1 – 3 pontos: apenas um elemento, com rigor científico.
Um elemento só, com falhas de rigor, vale zero. Para o elemento A, o critério aceita três formas de dizer o mesmo: «cristais visíveis à vista desarmada», «cristais de maiores dimensões» ou «fenocristais» – o que conta é ligá-los ao arrefecimento lento.
onde se perdem pontos
- Esquecer de identificar a rocha. O enunciado pede-o numa frase à parte, e é um dos três elementos: sem «basalto», o máximo é o nível 3.
- Responder «gabro». Tem os mesmos minerais, mas é plutónico, todo de cristais grandes; a matriz de microcristais exclui-o.
- Inverter a relação tamanho–velocidade. Lento → grandes; rápido → pequenos. Inverter é uma contradição científica, e o elemento não conta.
- Falar de dois magmas diferentes. É o mesmo magma, que mudou de velocidade de arrefecimento ao subir.
- Descrever a textura sem a ligar às velocidades. «Tem cristais grandes e pequenos» é uma observação; o item pede a inferência – cada tamanho, a sua velocidade.
- Dizer que a matriz é «vidro». O quadro diz microcristais: é cristalina, não vítrea.
para reconhecer o próximo item deste tipo
Dois tamanhos de cristais (fenocristais + matriz) = textura porfírica = duas fases de arrefecimento: lenta em profundidade, rápida à superfície. Para nomear a rocha, cruza os minerais (básica ou ácida) com a textura (plutónica ou vulcânica): básica + plutónica = gabro; básica + vulcânica = basalto; ácida + plutónica = granito; ácida + vulcânica = riólito. E responde sempre a todas as frases do enunciado: «na sua resposta, identifique» é um elemento pontuado.