O ponto de partida. Este item junta, numa só lista, quatro capítulos diferentes da Geologia: deformação das rochas (dobras e falhas), rochas magmáticas (composição e textura) e idade relativa (princípio da sobreposição). Cada afirmação decide-se com uma frase do Texto 1, uma zona do mapa da Figura 1, ou um conceito do programa — e quase sempre com dois deles ao mesmo tempo. O método é sempre o mesmo: para cada afirmação, pergunta-te o que dizem o texto e a figura e o que diz a teoria, e só a aceitas se os dois concordarem com ela.
Antes de começares, traduz três palavras que o texto usa e que o item vai explorar:
- antiforma — uma dobra com a convexidade voltada para cima (como um arco). A orientação de uma dobra é a do seu eixo, a linha ao longo da qual as camadas se curvam; «orientação NO-SE» quer dizer que o eixo corre de noroeste para sudeste, que é também a direção em que a estrutura se alonga no mapa;
- falha de desligamento — uma falha em que os dois blocos deslizam horizontalmente, lado a lado, paralelamente ao traço da falha;
- metavulcânica — rocha vulcânica que depois sofreu metamorfismo (nota ² da Figura 1). O nome guarda a origem: antes do metamorfismo era uma rocha vulcânica.
1.º — afirmação I — falsa: a direção das tensões
Uma dobra forma-se quando as camadas são comprimidas e, em vez de partirem, se encurvam (comportamento dúctil). A parte da afirmação que diz «tensões compressivas» está certa. Falta saber em que direção atuaram essas tensões.
Pensa numa folha de papel pousada na mesa: se a empurras pelas duas pontas, ela levanta-se num arco, e a «crista» do arco forma-se perpendicularmente à direção em que empurraste. Numa dobra é igual: o eixo fica perpendicular à direção da compressão. Como o eixo do antiforma do Cercal está orientado NO-SE, a compressão atuou segundo a direção perpendicular, NE-SO. A afirmação diz «segundo a direção NO-SE» — confunde a direção do eixo com a direção das forças. Falsa.
2.º — afirmação II — verdadeira: os veios e as falhas de desligamento
O texto diz que a precipitação dos óxidos de ferro e de manganés aconteceu «devido à circulação de fluidos hidrotermais ao longo de falhas de desligamento», e que daí nasceram os veios ferromanganesíferos. Os veios ocupam, portanto, as fraturas por onde os fluidos circularam — as falhas de desligamento. E numa falha de desligamento o movimento dos blocos é horizontal: um bloco desliza ao lado do outro, sem que nenhum suba ou desça. É exatamente o que a afirmação diz. Verdadeira.
3.º — afirmação III — verdadeira: félsico é leucocrático
Duas leituras levam à resposta. No texto: o vulcanismo originou rochas félsicas «mas também rochas vulcânicas máficas, em menor quantidade». No mapa: a mancha cinzento-escura das metavulcânicas félsicas ocupa grande parte da estrutura, e as manchas pretas das máficas são pequenas e dispersas. As metavulcânicas que afloram em maior quantidade são as félsicas.
Agora a teoria. Félsico vem de feldspato + sílica: uma rocha félsica é rica em quartzo e feldspatos, minerais claros. Uma rocha onde predominam os minerais claros diz-se leucocrática (do grego leukós, branco). O riólito, que o texto cita, é o exemplo clássico de rocha vulcânica félsica e leucocrática. A afirmação pergunta pela origem das metavulcânicas — a rocha que existia antes do metamorfismo —, e essa rocha era vulcânica félsica, logo leucocrática. Verdadeira.
4.º — afirmação IV — falsa: a textura de uma rocha vulcânica
A textura de uma rocha magmática depende da velocidade de arrefecimento do magma. Um magma que arrefece devagar, em profundidade, dá tempo aos minerais para crescerem: os cristais ficam grandes, visíveis à vista desarmada — textura fanerítica, a das rochas plutónicas (granito, gabro). Um magma que arrefece depressa, à superfície ou debaixo de água, não dá esse tempo: os cristais são microscópicos — textura afanítica — ou nem chegam a formar-se — textura vítrea.
As rochas do Complexo Vulcano-Sedimentar são vulcânicas (riólitos, piroclastos, rochas máficas), formadas em ambiente marinho, onde a água acelera ainda mais o arrefecimento. Previsivelmente tinham textura afanítica (ou vítrea), não fanerítica. Falsa.
5.º — afirmação V — verdadeira: o núcleo do antiforma
Num antiforma, as camadas estão arqueadas para cima. Quando a erosão aplana a superfície e «corta» a dobra, aparecem à vista, no núcleo, as camadas que estavam por baixo, e para fora as que estavam por cima. Pelo princípio da sobreposição, numa sequência que não foi invertida as camadas de baixo são as mais antigas. Logo, num antiforma, as rochas mais antigas afloram no núcleo.
O mapa confirma-o. No centro da estrutura está o Grupo Filito-Quartzítico (a mancha alongada com tracejado diagonal), envolvido pelo Complexo Vulcano-Sedimentar (que começou no Devónico Superior), e na periferia aparece o Grupo do Flysch, datado do Carbonífero (347 a 323 Ma) — o mais recente. A idade aumenta de fora para dentro. Verdadeira.
Resposta: II, III e V.
porque é que I e IV são tentadoras
- I é tentadora porque acerta no tipo de tensão (compressiva) e usa a direção que está escrita no texto (NO-SE). O erro está em transferir a orientação do eixo para as forças. Quem pensa na dobra como «esticada» na direção NO-SE e imagina que foi empurrada nessa direção cai aqui.
- IV é tentadora porque a palavra «fanerítica» soa a técnica e correta, e porque as rochas estão hoje metamorfizadas — o metamorfismo pode fazer crescer cristais. Mas a afirmação pergunta pelas rochas magmáticas tal como se formaram («apresentavam»): eram vulcânicas, de arrefecimento rápido, logo afaníticas.
onde se perdem pontos
Item de seleção e facultativo, 8 pontos, classificado de forma dicotómica: só as três afirmações corretas, e só essas, valem os 8 pontos. Duas certas, ou quatro números, valem zero. Conta para a nota se ficar entre os quatro melhores dos oito facultativos.
- Confundir a orientação do eixo com a direção das tensões. Numa dobra, a compressão é sempre perpendicular ao eixo. É o erro que a afirmação I está lá para apanhar.
- Associar «falha» a subida ou descida de blocos. Isso é verdade nas falhas normais e inversas; nas de desligamento o movimento é horizontal.
- Ler «metavulcânicas» e esquecer a rocha de origem. O metamorfismo transforma a rocha, mas a afirmação III pergunta de onde ela veio: de uma vulcânica félsica, leucocrática.
- Trocar afanítica por fanerítica. Arrefecimento rápido → cristais pequenos → afanítica; arrefecimento lento → cristais grandes → fanerítica.
- Esquecer o princípio da sobreposição na leitura de dobras. Sem ele, a afirmação V parece uma questão de posição no mapa e não de idade.
- Não indicar a versão da prova. Sem indicação inequívoca da versão, todos os itens de seleção valem zero. Esta chave é a da Versão 1; na Versão 2 as afirmações estão por outra ordem.
a regra a fixar
Dobras: compressão perpendicular ao eixo; num antiforma não invertido, rochas mais antigas no núcleo; num sinforma, mais recentes no núcleo. Falhas: normal (distensão, teto desce), inversa (compressão, teto sobe), desligamento (movimento horizontal). Rochas magmáticas: félsica = clara (leucocrática), máfica = escura (melanocrática); vulcânica = afanítica ou vítrea, plutónica = fanerítica. Perante uma afirmação sobre uma estrutura geológica, verifica sempre duas coisas: o dado (texto ou figura) e o conceito que o interpreta.