Exame de Biologia e Geologia 2026 · 2.ª fase — item I.17, resolvido
Enunciado
Instituto de Avaliação Educativa · prova 702 · 2026 · 2.ª fase
Texto 2
A costa sudoeste portuguesa foi classificada como Sítio de Importância Comunitária, porque é uma das poucas regiões da Europa onde ainda se preservam zonas costeiras selvagens e habitats naturais bem conservados. Graças a esta distinção foi criado o Projeto LIFE Charcos, para proteger os charcos temporários mediterrânicos (CTM).
Os CTM formam-se em depressões pouco profundas que apresentam uma alternância sazonal entre uma fase seca e uma fase inundada. A água provém das chuvas e das águas subterrâneas dos aquíferos, que asseguram o hidroperíodo – o tempo em que o charco permanece com água. Na Figura 2, estão representadas de modo simplificado as duas fases de enchimento de um CTM.
Estes habitats albergam espécies adaptadas à variação sazonal da disponibilidade de água. A flora inclui o feto Isoetes histrix, nas margens do charco, o junco Juncus emmanuelis, nas zonas intermédias, e o cardo-de-bicos-azuis (Eryngium corniculatum), nas zonas mais profundas.
A fauna é igualmente diversificada, destacando-se: o camarão-girino Triops vicentinus, uma espécie aquática e endémica do sudoeste português, existindo exclusivamente nos charcos localizados entre os concelhos de Vila do Bispo e de Faro; o sapinho-de-verrugas-verdes-lusitânico (Pelodytes atlanticus), cujas larvas (girinos) se alimentam de detritos e de algas; e o morcego-orelhudo-castanho (Plecotus auritus), que utiliza os charcos como área de alimentação.
Atualmente, estes habitats encontram-se em declínio, uma vez que estão sujeitos a diversas ameaças, como a alteração da dinâmica hidrogeológica e a proliferação de espécies exóticas invasoras, nomeadamente a acácia-de-espigas (Acacia longifolia), que comprometem a sua sustentabilidade.

Baseado em: «Conservação dos Charcos Temporários da Costa Sudoeste de Portugal», LIFE12 NAT/PT/997, 2016; em: N. Salvador et al., «Identificação de lagoas temporárias mediterrânicas em Portugal. Uma contribuição para a caracterização dos ecossistemas dependentes de águas subterrâneas na Península Ibérica», in VII Congreso Ibérico sobre Gestión y Planificación del Agua, 2011; em: N. Salvador et al., Charcos temporários mediterrânicos do SIC Costa Sudoeste de Portugal, 13.º Congresso da Água, 2016; e em: C. Cruz et al., Charcos Temporários do Sul de Portugal, Universidade de Évora, 2011.
Nas rochas carbonatadas do Maciço Calcário Estremenho, localizado na região centro de Portugal, podem formar-se charcos temporários em depressões cársicas onde existam acumulações significativas de «terra rossa». A «terra rossa» é um solo constituído por argilas e por outras substâncias insolúveis, que se encontravam inicialmente nas rochas carbonatadas.
Explique, utilizando a informação acima referida, a formação de uma depressão cársica, e relacione a sua formação com o aparecimento de um charco temporário nesse local.
Tenta primeiro no papel.
Quem lê a resolução antes de tentar acha que percebeu — e volta a errar no exame.
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