O ponto de partida. Cada afirmação testa-se contra uma característica do Quadro I ou contra a barra de escala de uma fotografia. Há duas «assinaturas» no quadro que são testes de campo clássicos e que tens de saber traduzir:
- «cheira a barro quando humedecida» → presença de argila;
- «faz efervescência com o HCl» → presença de carbonato de cálcio (CaCO3).
1.º — afirmação I – a dimensão dos clastos da rocha A
A rocha A «quando é humedecida, cheira a barro»: é o teste que identifica a presença de argila. Os sedimentos detríticos classificam-se pela dimensão dos clastos, do maior para o menor: balastros (mais de 2 mm), areias (de 2 mm a 1/16 mm), siltes e argilas (as partículas mais pequenas, abaixo de 1/256 mm). A argila é a fração mais fina de todas, muito abaixo da areia. A rocha A contém, portanto, clastos com dimensões inferiores às areias. A fotografia confirma: a matriz é muito fina e uniforme, sem grãos visíveis. Verdadeira.
2.º — afirmação II – o tamanho dos foraminíferos
A afirmação faz uma medição, e a ferramenta para medir está na fotografia: a barra de escala de 1 mm, no canto inferior direito. Compara os fósseis com ela: até o maior foraminífero, ao centro, tem cerca de metade do comprimento da barra, e a maioria é muito mais pequena. Existem, portanto, foraminíferos com menos de 1 mm – na verdade, todos os que se vêem. Verdadeira.
3.º — afirmação V – o cimento da rocha C
O cimento da rocha C «faz efervescência com o HCl». O ácido clorídrico reage com o carbonato de cálcio:
CaCO3+2HCl→CaCl2+H2O+CO2As bolhas da efervescência são o dióxido de carbono libertado. Um cimento que faz efervescência é um cimento carbonatado – de carbonato de cálcio. Verdadeira.
Resposta: I, II e V.
porque é que III e IV são falsas
- III – «Na rocha B, a orientação das micas resultou de tensões litostáticas.» Falsa. As tensões litostáticas resultam do peso das rochas que estão por cima e atuam com igual intensidade em todas as direções, como a pressão da água sobre um mergulhador. Comprimem a rocha, mas não lhe dão nenhuma direção preferencial, logo não orientam os minerais. A orientação preferencial (foliação) resulta de tensões não litostáticas – dirigidas, mais intensas numa direção, como as das colisões continentais. Sob essas tensões, os minerais lamelares, como as micas, crescem e rodam até ficarem com a maior dimensão perpendicular à tensão máxima. A afirmação é tentadora porque as tensões litostáticas também existem no metamorfismo – só não são elas que orientam.
- IV – «A rocha B faz efervescência com o ácido clorídrico.» Falsa. A rocha B é feita de biotite, moscovite e quartzo – silicatos. O ácido clorídrico diluído só reage com efervescência com carbonatos (como a calcite). Sem carbonatos, não há efervescência. A afirmação aproveita a confusão com a rocha C.
o que a rocha A conta sobre o seu ambiente
As afirmações I e II, juntas, descrevem um ambiente: partículas de argila (que só se depositam em águas calmas) e carapaças de foraminíferos, protistas marinhos unicelulares. Uma rocha assim formou-se num fundo marinho calmo, onde a argila e as carapaças microscópicas assentavam lentamente. É o mesmo raciocínio do item 9 do Grupo I: a dimensão do sedimento e os fósseis contam o ambiente.
onde se perdem pontos
Item de seleção e facultativo, 8 pontos, dicotómico: só as três afirmações corretas valem os 8 pontos.
- Não usar a barra de escala na II. As microfotografias trazem a escala para isto mesmo; sem ela, «menos de 1 mm» é um palpite.
- Achar que qualquer pressão orienta os minerais (III). Só a pressão dirigida orienta; a litostática não.
- Não ligar «cheira a barro» a argila (I). É um teste de campo clássico, e a argila é a fração mais fina dos sedimentos.
- Atribuir a efervescência à rocha errada (IV e V). É o cimento da rocha C que faz efervescência; a rocha B não tem carbonatos.
- Não indicar a versão da prova. Sem indicação inequívoca da versão, todos os itens de seleção valem zero. Esta chave é a da Versão 1; na Versão 2 a ordem é outra.
a regra a fixar
Cheira a barro → argila (partículas menores do que o silte e a areia). Efervescência com HCl → carbonato de cálcio (liberta CO2). Foliação → tensões dirigidas (não litostáticas). Escala granulométrica, do maior para o menor: balastros > areias > siltes > argilas. E numa microfotografia, mede sempre com a barra de escala antes de aceitar uma afirmação sobre tamanhos.