O ponto de partida. Cada opção faz duas afirmações: o regime de tensões (distensivo ou compressivo) e a deformação que lhe está associada. As duas têm de estar certas. A pista está na primeira frase do Texto 1: a bacia formou-se «na sequência da fragmentação da Pangeia».
1.º — o que é um regime de tensões, e porque decide a deformação
As rochas da litosfera estão sempre sujeitas a tensões — forças que atuam sobre uma superfície. Num item como este interessa a direção em que essas forças atuam em relação aos blocos de rocha:
- tensões distensivas (de tração): puxam os blocos em sentidos opostos e afastam-nos; a crusta alonga-se e fica mais fina;
- tensões compressivas: empurram os blocos uns contra os outros; a crusta encurta e fica mais espessa;
- tensões de cisalhamento: fazem os blocos deslizar lado a lado, sem os aproximar nem os afastar.
O tipo de tensão que domina numa região durante um certo intervalo de tempo é o regime tectónico dessa região. A resposta das rochas a essas tensões — a deformação — pode ser de dois tipos:
- frágil: a rocha acumula a tensão até ao seu limite de resistência e parte, formando falhas (fraturas com deslocamento dos blocos) ou diáclases (fraturas sem deslocamento);
- dúctil: a rocha deforma-se de modo contínuo e permanente, sem partir, formando dobras.
Qual das duas acontece não depende só da tensão: depende também da temperatura, da pressão de confinamento, do tempo durante o qual a tensão atua e do tipo de rocha. Temperatura e pressão elevadas (em profundidade) e tensões que atuam devagar favorecem a deformação dúctil; perto da superfície, onde as rochas estão frias e pouco confinadas, domina a deformação frágil.
Com estas duas classificações na cabeça, cada opção do item passa a ser uma combinação «regime + deformação», e só uma das combinações é coerente com o que o texto conta.
2.º — o regime: fragmentar é afastar
Um supercontinente fragmenta-se quando a litosfera continental é esticada e acaba por se partir — é o que acontece num rifte, a fase inicial da abertura de um oceano (aqui, o Atlântico Norte). Tensões que afastam os blocos são tensões distensivas. Logo, o regime é distensivo — isto já elimina (C) e (D).
3.º — a deformação: frágil, não dúctil
Quando a crusta é esticada perto da superfície, onde a temperatura e a pressão são baixas, as rochas comportam-se de modo frágil: não dobram, partem. Formam-se falhas normais, e os blocos que descem entre elas abatem e formam depressões — as bacias de sedimentação. A Bacia Lusitaniana é uma bacia deste tipo, limitada por falhas, que foi recebendo sedimentos.
É isto que a opção (A) diz: regime distensivo, associado à fraturação da crusta continental.
O texto dá-te ainda duas pistas coerentes com isto, mesmo sem as nomear. A primeira: a bacia foi recebendo sedimentos — primeiro detríticos de origem fluvial, depois carbonatos —, e uma bacia de sedimentação é, por definição, uma depressão que se vai enchendo. A distensão cria depressões; a compressão cria relevos, que são erodidos em vez de receberem sedimentos. A segunda: a fonte citada no fim do Texto 1 chama-se Da rotura continental à margem passiva. «Rotura» é fraturação, e uma margem passiva é a margem de um continente que se separou de outro, sem colisão — a margem ocidental ibérica, banhada pelo Atlântico.
Resposta: opção (A).
a imagem que deves ter na cabeça
Imagina uma placa de chocolate puxada pelas duas pontas: parte-se em blocos, e alguns blocos descem entre fraturas inclinadas, formando fossas, enquanto outros ficam relativamente mais altos. Nas fossas acumula-se o que vem dos relevos à volta — sedimentos trazidos pelos rios e, quando o mar lá entra, carbonatos. É o retrato de um rifte continental, e é o da Bacia Lusitaniana no Mesozoico, quando o Atlântico começava a abrir-se a oeste da Península Ibérica. Se a tua resposta descrevesse relevos a subir e camadas a dobrar, não haveria onde os sedimentos se acumulassem.
porque é que as outras opções estão erradas
- (B) distensivo, associado a uma deformação dúctil da rocha — acerta no regime e falha na deformação. A deformação dúctil (as rochas dobram sem partir) é própria de zonas profundas, com temperatura e pressão elevadas, e origina dobras, não bacias. A bacia abre-se porque a crusta fratura.
- (C) compressivo, associado à formação de um antiforma — um antiforma é uma dobra com a convexidade para cima: forma-se por compressão e levanta as camadas, em vez de criar uma depressão onde os sedimentos se acumulam. O regime está errado e a estrutura também.
- (D) compressivo, associado à formação de falhas inversas — as falhas inversas são de facto frágeis, mas formam-se por compressão (o teto sobe em relação ao muro) e encurtam a crusta — é o que acontece na formação de cadeias de montanhas, quando os continentes colidem, não quando se separam.
onde se perdem pontos
Item de escolha múltipla: é tudo ou nada. Os 8 pontos vêm inteiros ou não vêm.
- Ler só metade da opção. Quem vê «distensivo» e escolhe logo a primeira que aparece pode cair na (B). Confirma as duas partes de cada opção.
- Associar «falha» a compressão. Há falhas nos dois regimes: normais na distensão, inversas na compressão. A palavra «falha» sozinha não decide nada.
- Confundir a formação da bacia com o que lhe aconteceu depois. Muitas bacias distensivas foram mais tarde comprimidas e deformadas, quando as placas mudaram de movimento. O item pergunta pela formação, ligada à fragmentação da Pangeia — data o acontecimento antes de escolheres o regime.
- Deixar em branco. Errar não desconta; o branco vale 0 de certeza.
- Escrever duas respostas. Os critérios gerais mandam classificar só a que surgir em primeiro lugar.
- Não indicar a versão da prova. Sem indicação inequívoca da versão, todos os itens de seleção valem zero. Esta chave é a da Versão 1; na Versão 2 as opções estão por outra ordem.
a regra a fixar
Fragmentação de um continente, rifte, abertura de um oceano, margem passiva → regime distensivo → falhas normais → bacias de sedimentação. Colisão, formação de montanhas → regime compressivo → dobras e falhas inversas. E perto da superfície as rochas deformam-se de modo frágil (partem); em profundidade, de modo dúctil (dobram).
Para reconhecer o próximo item, procura no texto o verbo do acontecimento: fragmentar, abrir, afastar, estirar (distensão); colidir, elevar, dobrar, cavalgar (compressão); deslizar lateralmente (desligamento). Só depois escolhe a estrutura que lhe corresponde.