O ponto de partida. Este é um item de leitura de resultados: não precisas de saber nada de fotossíntese que o gráfico não te mostre. Precisas de duas coisas — saber o que cada barra representa e saber com que barra a comparar cada afirmação.
Cada barra é o valor médio da taxa fotossintética das algas de um grupo de aquários, num certo instante. A cor diz-te o grupo: branco, 400 μatm; cinzento-claro, 550 μatm; cinzento-escuro, 750 μatm. O grupo a 400 μatm tem os «valores em 2018», isto é, as condições atuais: é o grupo de controlo. Os outros dois, com a pCO2 aumentada, são os grupos experimentais.
1.º — o que mede o eixo vertical
A unidade é μmol O2 g−1 PF h−1: micromoles de oxigénio libertado, por grama de peso fresco de alga, por hora. Cada parte tem a sua razão:
- mede-se o oxigénio porque é um produto da fotossíntese (vem da fotólise da água, como vais ver no item 19): mais O2 libertado por hora significa mais fotossíntese;
- divide-se pela massa da alga para poder comparar algas de tamanhos diferentes — uma alga maior liberta mais oxigénio só por ser maior;
- divide-se pelo tempo porque é uma taxa, uma rapidez.
Não precisas de fazer contas com a unidade; precisas de saber que «barra mais alta» quer dizer «mais fotossíntese por grama de alga e por hora».
2.º — ler os valores do gráfico
Lê a altura de cada barra na escala do eixo vertical (em μmol O2 g−1 PF h−1):
| Tempo | 400 μatm (controlo) | 550 μatm | 750 μatm |
|---|
| 0 meses | ≈2,2 | ≈2,2 | ≈2,2 |
| 11 meses | ≈2,15 | ≈2,7 | ≈3,45 |
| 20 meses | ≈2,15 | ≈1,15 | ≈1,4 |
Repara em duas coisas antes de olhares para as opções:
- aos 0 meses as três barras são iguais — as algas partem todas da mesma situação, e é isso que te permite atribuir as diferenças seguintes à pCO2;
- os grupos experimentais não se comportam sempre da mesma maneira: aos 11 meses estão acima do controlo, aos 20 meses estão abaixo. Qualquer opção que diga «sempre» tem de ser conferida nos três instantes.
3.º — testar a opção (A)
«Ao fim de 11 meses, com uma pressão parcial de 550 μatm, ocorreu um aumento da taxa fotossintética.» Segue a barra cinzenta-clara: começa em cerca de 2,2 aos 0 meses e está em cerca de 2,7 aos 11 meses. A taxa aumentou. A afirmação está de acordo com os dados.
Resposta: opção (A).
uma afirmação certa não precisa de ser a mais importante
A opção (A) descreve um pormenor (o grupo de 550 μatm aos 11 meses) e não a conclusão do estudo. É frequente que a opção certa de um item de análise de dados seja «modesta»: só diz o que os dados mostram, sem generalizar. As opções que fazem afirmações grandiosas («sempre», «o mais baixo ao longo do tempo») são as que um único dado mais depressa contradiz.
porque é que as outras três estão erradas
- (B) «A taxa fotossintética das algas do grupo de controlo é sempre superior…» — aos 0 meses as três taxas são iguais, e aos 11 meses o controlo (cerca de 2,15) está abaixo dos dois grupos experimentais (2,7 e 3,45). Só aos 20 meses o controlo fica acima. Um contraexemplo chega para derrubar um «sempre».
- (C) «Ao 11.º mês, as algas dos grupos experimentais apresentaram um menor crescimento do que ao 20.º mês» — é o contrário. Nos dois grupos experimentais a taxa fotossintética é maior aos 11 meses (2,7 e 3,45) do que aos 20 (1,15 e 1,4). Como a fotossíntese é o processo pelo qual a alga produz a matéria orgânica de que precisa para crescer, uma taxa maior aponta para mais crescimento aos 11 meses, não menos.
- (D) «Com 750 μatm, o crescimento das algas foi sempre o mais baixo» — aos 11 meses a barra de 750 μatm é a mais alta do gráfico (3,45), e aos 20 meses a mais baixa é a de 550 μatm (1,15), não a de 750 (1,4). Falha em dois dos três instantes.
onde se perdem pontos
Item de escolha múltipla e facultativo: é um dos oito itens de que contam os quatro melhores. Os 8 pontos são tudo ou nada.
- Deixares-te levar pela conclusão geral do estudo. Sabes (ou adivinhas) que a acidificação é prejudicial, e isso empurra-te para a (D). Mas o item pede uma análise dos resultados do Gráfico I, e o gráfico mostra que, aos 11 meses, a alga a 750 μatm tinha a taxa mais alta.
- Ler «sempre» sem conferir todos os instantes. Em (B) e em (D), a palavra «sempre» obriga-te a verificar as três instantes; um só instante em que falhe derruba-a.
- Comparar a barra errada. Em (A) a comparação é ao longo do tempo, dentro da mesma cor (0 meses → 11 meses); não é entre cores no mesmo instante.
- Escrever duas respostas. Se aparecer mais do que uma resposta ao mesmo item, só se classifica a que surgir em primeiro lugar.
- Não indicar a versão da prova. Os critérios gerais são claros: sem indicação inequívoca da versão, todos os itens de seleção valem zero. Esta chave é a da Versão 1; na Versão 2 as opções estão por outra ordem.
a regra a fixar
Num gráfico de barras agrupadas, antes de ler as opções, escreve à parte os valores de cada série em cada instante e identifica o grupo de controlo. Depois, para cada opção, pergunta: esta afirmação compara o quê com o quê — o mesmo grupo em instantes diferentes, ou grupos diferentes no mesmo instante? E desconfia sempre de «sempre», «nunca» e «todos»: são as palavras que um único contraexemplo derruba.
E não confundas a análise dos resultados (o que o gráfico mostra) com a conclusão do estudo (o que se infere sobre o problema): um item de análise só aceita o que se lê nas barras.