O ponto de partida. O Texto 1 é uma história contada quase por ordem, com datas («há cerca de 100 Ma», «94 Ma», «70 Ma», «Atualmente»). A tarefa é pôr uma data — ou uma relação de «antes/depois» — ao lado de cada letra, e só depois ordenar. Onde o texto não dá número, usa as palavras de tempo («posteriormente», «consequentemente») e o bom senso geológico: uma rocha tem de existir antes de ser explorada.
1.º — datação relativa: as ferramentas que tens
Reconstituir uma sequência de acontecimentos é fazer datação relativa — dizer o que veio antes e o que veio depois, mesmo sem saber há quanto tempo. Os princípios que a sustentam são poucos e convém tê-los presentes:
- princípio da sobreposição — numa sequência de estratos que não foi invertida, cada camada é mais recente do que a que está por baixo e mais antiga do que a que está por cima;
- princípio da interseção — uma estrutura que corta outra (uma falha, um filão) é mais recente do que aquilo que corta;
- princípio da inclusão — os fragmentos incluídos numa rocha são mais antigos do que a rocha que os contém.
Neste item o texto já te dá quase todas as datas; os princípios servem para confirmar as que faltam e para desempatar. A atividade humana (E) fica sempre no fim: só se explora uma rocha que já existe.
2.º — B em primeiro — a bacia tem de existir antes de ser preenchida
A primeira frase do texto: com a fragmentação da Pangeia «formou-se uma bacia de sedimentação […], a Bacia Lusitaniana, onde, posteriormente, há cerca de 96 milhões de anos (Ma), se desenvolveram zonas recifais». E os carbonatos «depositaram-se sobre sedimentos detríticos […] de origem fluvial» — houve sedimentação na bacia antes da plataforma carbonatada. O início da sedimentação na Bacia Lusitaniana (B) é o acontecimento mais antigo.
3.º — C em segundo — a plataforma carbonatada, há cerca de 100–96 Ma
«Há cerca de 100 Ma […] começou a desenvolver-se uma plataforma carbonatada marinha», e a Figura 1 mostra-a há 96 Ma, no Cretácico Superior (101 a 66 Ma). É a instalação da plataforma carbonatada no Cretácico Superior (C).
4.º — A em terceiro — a descida do nível do mar, há cerca de 94 Ma
«Há cerca de 94 Ma, ocorreu nesta região uma alteração do nível médio do mar e, consequentemente, o topo das rochas carbonatadas ficou sujeito à ação da água das chuvas.» O texto diz «alteração», e a consequência diz de que tipo: se o topo das rochas passou a ser atingido pela chuva, é porque ficou fora de água — o nível do mar desceu. Foi nessa altura que a água da chuva dissolveu o calcário e formou a «superfície de carsificação» referida a seguir. É a letra A.
Para perceberes porque a descida do mar é a única leitura possível, lembra-te do que é a carsificação: a água da chuva dissolve o CO2 da atmosfera e do solo e fica ligeiramente ácida; ao circular sobre o calcário, dissolve o carbonato de cálcio,
CaCO3+CO2+H2O→Ca2++2HCO3−e vai abrindo fendas, cavidades e grutas. É um processo continental: só acontece onde o calcário está fora de água, exposto à chuva. Enquanto o mar cobria a plataforma, continuava a depositar-se carbonato; foi preciso o mar baixar para a superfície das rochas carbonatadas ficar exposta e começar a ser dissolvida.
5.º — D em quarto — o vulcanismo, há cerca de 70 Ma
«Posteriormente, há cerca de 70 Ma, ocorreu uma importante atividade magmática, dando origem ao Complexo Vulcânico de Lisboa-Mafra, que cobriu a superfície de carsificação.» Duas pistas concordantes: a data (70 Ma, mais recente do que 94 Ma) e a sobreposição — as lavas cobriram a superfície que a descida do mar tinha exposto. Pelo princípio da sobreposição, o que está por cima é mais recente. É a letra D.
6.º — E em último — a exploração, hoje
«Atualmente, as rochas formadas na plataforma carbonatada […] – calcário Lioz – […] são utilizadas como rochas ornamentais.» A exploração do calcário Lioz (E) é uma atividade humana, muito posterior a todos os acontecimentos geológicos.
Resposta: B, C, A, D, E.
7.º — a sequência numa linha do tempo
| Letra | Acontecimento | Idade | Pista do texto |
|---|
| B | início da sedimentação na bacia | antes de ~100 Ma | «formou-se uma bacia […] onde, posteriormente» |
| C | plataforma carbonatada | ~100–96 Ma | «Há cerca de 100 Ma […] começou a desenvolver-se» |
| A | descida do nível do mar | ~94 Ma | «o topo das rochas […] ficou sujeito à ação da água das chuvas» |
| D | Complexo Vulcânico de Lisboa-Mafra | ~70 Ma | «Posteriormente […] cobriu a superfície de carsificação» |
| E | exploração do Lioz | atualidade | «Atualmente» |
as datas ficam por ordem decrescente
B (antes de ~100 Ma) → C (~100–96 Ma) → A (~94 Ma) → D (~70 Ma) → E (atualidade). Idades a diminuir do princípio para o fim: a sequência vai do mais antigo para o mais recente, como uma reconstituição de acontecimentos tem de ir.
onde se perdem pontos
Item de ordenação, 8 pontos, classificado de forma dicotómica: só a sequência completamente correta vale os 8 pontos. Uma única troca vale zero.
- Pôr C antes de B. A plataforma carbonatada é o que torna a bacia famosa, mas assentou sobre sedimentos fluviais que já lá estavam: a sedimentação começou antes.
- Pôr A antes de C por ler «alteração do nível médio do mar» como a subida que trouxe o mar à região. O texto localiza-a em 94 Ma, depois da plataforma, e a consequência (o topo das rochas carbonatadas exposto à chuva) só faz sentido com uma descida — e com as rochas carbonatadas já formadas.
- Trocar A e D. O complexo vulcânico cobriu a superfície de carsificação: a superfície (resultado da descida do mar) tinha de existir primeiro.
- Pôr E antes de D por o calcário Lioz ser «a rocha da plataforma» e parecer pertencer ao princípio da história. A rocha é antiga, mas a exploração é de hoje — o que se ordena são os acontecimentos, não as idades das rochas envolvidas.
- Escrever a sequência ao contrário (do mais recente para o mais antigo). O enunciado pede a sequência de acontecimentos, que se conta do primeiro para o último.
- Não indicar a versão da prova. Sem versão inequívoca, os itens de seleção valem zero. Esta chave é a da Versão 1.
a regra a fixar
Numa ordenação a partir de um texto, faz uma linha do tempo à margem: uma data (ou «antes de…/depois de…») por letra. As palavras «posteriormente», «consequentemente», «cobriu», «sobre» são datações relativas — e o princípio da sobreposição (o que está por cima é mais recente) resolve o que as datas não resolvem.
E desconfia das letras que juntam uma rocha antiga a uma ação recente (a exploração de um calcário do Cretácico): ordena-se o momento da ação, não a idade da rocha.