O ponto de partida. Cada opção tem duas partes — um sentido (este ou oeste) e uma razão —, e as duas têm de estar certas. As duas lêem-se na Figura 5, se souberes o que significam os símbolos da legenda:
- as meias-setas paralelas e opostas ao longo de uma falha mostram o movimento relativo dos dois blocos: cada meia-seta diz para onde se desloca o bloco do lado em que está;
- as setas verticais mostram o movimento das placas;
- a linha com triângulos é um limite convergente.
1.º — os três tipos de limites, e as falhas que lhes correspondem
- Limite divergente — as placas afastam-se; tensões distensivas; falhas normais; nas dorsais forma-se nova litosfera.
- Limite convergente — as placas aproximam-se; tensões compressivas; falhas inversas e dobras; há subducção (a placa mais densa mergulha) ou colisão continental. No mapa, os triângulos ficam do lado da placa que fica por cima, e apontam para ela.
- Limite transformante (ou conservativo) — as placas deslizam lado a lado, sem criar nem destruir litosfera; tensões de cisalhamento; falhas de desligamento. No mapa, desenham-se com um par de meias-setas em sentidos opostos.
A Falha Norte da Anatólia e a Falha Oriental da Anatólia estão desenhadas com meias-setas: são limites onde os blocos deslizam horizontalmente um em relação ao outro.
2.º — ler as meias-setas da FNA
Na Falha Norte da Anatólia (FNA), a meia-seta de cima, do lado da Placa Eurasiática, aponta para este; a de baixo, do lado da Microplaca da Anatólia, aponta para oeste. Em relação à Placa Eurasiática, a Anatólia desliza para oeste.
3.º — ler as meias-setas da FOA
Na Falha Oriental da Anatólia (FOA), a meia-seta do lado da Anatólia (a norte da falha) aponta para sudoeste, e a do lado da Placa Arábica aponta para nordeste. Também aqui, em relação à placa vizinha, a Anatólia desloca-se para oeste.
As duas falhas dizem o mesmo: a Microplaca da Anatólia é empurrada para oeste, entalada entre elas. Faz sentido com as setas verticais: a Placa Arábica move-se para norte e aproxima-se da Placa Eurasiática; a Anatólia, apertada entre as duas, escapa lateralmente para oeste, deslizando ao longo das duas falhas. Estas falhas são falhas de desligamento: os blocos deslocam-se lado a lado, na horizontal.
Este mecanismo tem nome nalguns manuais — escape lateral (ou extrusão tectónica) —, mas não precisas dele: precisas de perceber que, quando duas placas grandes convergem e entre elas há um bloco mais pequeno, o bloco pode ser espremido para o lado, ao longo de falhas de desligamento, em vez de ser só comprimido.
A opção que junta o sentido certo à razão lida na figura é a (B).
Resposta: opção (B).
os dois sismos encaixam neste quadro
O texto do Grupo III diz que o primeiro sismo ocorreu na intersecção da Falha do Mar Morto com a Falha Oriental da Anatólia — exatamente num destes limites de desligamento. Os grandes sismos da Turquia são o «preço» deste deslizamento: os blocos não deslizam suavemente, prendem-se, acumulam tensão e libertam-na de vez. O item 4 do mesmo grupo vai partir daqui.
porque é que as outras três estão erradas
- (A) para este, por compressão N-S — a compressão com direção N-S até existe (a Placa Arábica e a Placa Africana deslocam-se para norte, contra a Eurasiática), mas o sentido está errado: todas as meias-setas do lado da Anatólia apontam para oeste. O que a torna tentadora: a primeira coisa que se vê na figura são as setas para norte, e a compressão é real. A opção junta uma observação verdadeira a um sentido falso.
- (C) para este, por um movimento divergente entre a Placa Arábica e a Eurasiática — erra as duas partes. A seta da Placa Arábica aponta para norte, para a Eurasiática: as duas placas aproximam-se, o movimento é convergente. E o sentido da Anatólia é oeste.
- (D) para oeste, por subdução da placa Eurasiática sob a Africana — o sentido está certo, mas a razão não. Na Figura 5, o limite convergente passa a sul da Turquia, entre a Placa Africana e a Microplaca da Anatólia, e a Placa Africana é a que se move para norte, ao encontro da Anatólia: é ela a placa que mergulha. A Placa Eurasiática nem sequer contacta com a Placa Africana nesta figura. Uma meia-verdade não chega: a opção tem de estar toda certa. O que a torna tentadora: há um limite convergente na figura (a linha com triângulos), e «subdução» é a palavra que associas a limites convergentes. Mas a figura diz quem são as placas envolvidas — e nenhuma delas é a Eurasiática.
onde se perdem pontos
Item de escolha múltipla e facultativo (contam os quatro melhores dos oito facultativos). Os 8 pontos são tudo ou nada.
- Ler só o sentido e não a razão. (B) e (D) dizem ambas «para oeste»; é a segunda metade que as separa.
- Ler as meias-setas pelo lado errado. Cada meia-seta pertence ao bloco onde está desenhada. Confirma sempre de que lado da falha está a que te interessa.
- Deduzir o sentido da Anatólia pelas setas verticais. As setas verticais são das placas Africana e Arábica, não da microplaca. O movimento da Anatólia só se lê nas meias-setas das falhas.
- Escrever duas respostas. Se aparecer mais do que uma resposta ao mesmo item, só se classifica a que surgir em primeiro lugar.
- Não indicar a versão da prova. Os critérios gerais são claros: sem indicação inequívoca da versão, todos os itens de seleção valem zero. Esta chave é a da Versão 1; na Versão 2 as opções estão por outra ordem.
a regra a fixar
Num mapa tectónico, identifica primeiro o tipo de cada limite pelos símbolos (triângulos — convergente; meias-setas opostas — movimento lateral, desligamento) e depois o sentido de cada bloco pelas setas do seu lado. Numa opção com «sentido + causa», confere as duas partes separadamente.
E nunca deduzas o movimento de um bloco pelo de outro: cada placa tem as suas setas, e a microplaca entalada pode mover-se numa direção que nenhuma das vizinhas tem.