O ponto de partida. O item tem duas condições, e uma afirmação só serve se cumprir as duas: tem de ser uma medida de conservação da biodiversidade que se aplica neste parque e tem de poder ser comprovada pelo Texto 2 e pela Figura 2. Não chega que a medida seja boa ou plausível: tens de apontar a frase do texto ou a zona do mapa que a prova. É isso que vais fazer, afirmação a afirmação.
Lembra-te também de que as medidas de conservação que o programa te ensina são de vários tipos: criar áreas protegidas com regras de utilização, sensibilizar e envolver as populações, investigar para conhecer as espécies e os habitats e decidir com base nesse conhecimento, regulamentar atividades como a pesca. O texto fala de quase todas — mas duas das afirmações deturpam o que o mapa diz.
1.º — porque é que se conserva, e como
A biodiversidade é a variedade da vida em três níveis: a diversidade genética (dentro de cada espécie), a diversidade de espécies e a diversidade de ecossistemas (habitats). As principais ameaças são conhecidas: a destruição e fragmentação dos habitats, a sobre-exploração (a pesca excessiva, por exemplo), a poluição, as espécies invasoras e as alterações climáticas. As medidas de conservação respondem a estas ameaças:
- conservação no local (in situ) — proteger os seres no seu habitat, criando áreas protegidas com zonas de proteção diferente (o zonamento), onde as atividades humanas são proibidas, limitadas ou reguladas;
- conservação fora do local (ex situ) — fora do habitat: bancos de sementes, jardins zoológicos, aquários, programas de reprodução em cativeiro;
- medidas de apoio — investigação científica, monitorização, legislação, fiscalização, educação ambiental e envolvimento das populações.
O Parque Natural Marinho do Recife do Algarve é um exemplo de conservação in situ: protege o recife no próprio lugar, com zonas de restrição crescente à medida que se aproxima do núcleo de Proteção Total. Agora, testa cada afirmação contra o material.
2.º — afirmação I — definição de áreas para preservação
O texto diz: «Neste parque natural, foram definidas zonas com diferentes níveis de proteção.» E a Figura 2 mostra-as: Proteção Total, Proteção Parcial, Proteção Complementar 1 e Proteção Complementar 2, cada uma com a sua área e as suas regras. Delimitar áreas onde as atividades humanas são limitadas é a medida de conservação mais clássica que existe. I é verdadeira.
3.º — afirmação II — informação e envolvimento das comunidades locais
O texto diz que o zonamento «resultou de um processo participativo, que envolveu a comunidade local, dinamizado pela Fundação Oceano Azul». Um processo participativo informa as pessoas e dá-lhes voz na decisão — e medidas que a comunidade ajudou a definir têm mais hipóteses de ser cumpridas. II é verdadeira.
4.º — afirmação IV — investigação científica para fundamentar decisões
O texto diz que, no processo, «foram considerados os estudos disponíveis sobre os valores naturais e sobre a utilização humana do espaço, efetuados pelo Centro de Ciências do Mar (CCMAR) da Universidade do Algarve». Ou seja, as zonas foram desenhadas a partir de conhecimento científico sobre as espécies e os habitats — os mesmos que o texto chama «espécies [...] sujeitas a medidas de proteção» e «habitats prioritários». E a legenda da Figura 2 confirma que a investigação científica é uma atividade prevista no parque: é a única permitida na zona de Proteção Total. IV é verdadeira.
Resposta: I, II e IV.
porque é que III e V são falsas
- III — «Proibição da pesca em toda a extensão do parque». A Figura 2 desmente-a. As duas zonas maiores do parque chamam-se, precisamente, «Área de Pesca Local» (Proteção Complementar 1, 55,4 km2) e «Área de Pesca Geral» (Proteção Complementar 2, 80,5 km2), e a legenda diz que nelas é permitida a pesca artesanal — de baixo impacto numa, com embarcações maiores na outra. A pesca é regulada, não proibida em todo o lado. A afirmação é tentadora porque «proibir a pesca» soa a boa medida de conservação; mas o item pede o que se aplica neste parque. E há uma razão de fundo para não proibir em todo o lado: o texto diz que o zonamento teve em conta «os interesses dos agentes económicos». Uma área protegida que compatibiliza conservação e uso sustentável (pesca artesanal de baixo impacto) é mais fácil de cumprir do que uma proibição total.
- V — «Autorização de atividades de mergulho apenas na zona de Proteção Total». Troca as zonas. Segundo a legenda, na Proteção Total estão permitidas apenas atividades de investigação científica (mediante autorização) — o mergulho recreativo está lá proibido. O mergulho é permitido na zona de Proteção Parcial. A afirmação usa as palavras certas («mergulho», «apenas», «Proteção Total») na combinação errada: lê a legenda linha a linha.
as três verdadeiras são três tipos de medida
I é uma medida de proteção do espaço (as zonas), II de participação social (o processo participativo), IV de base científica (os estudos do CCMAR). As três juntas descrevem a forma como hoje se criam as áreas marinhas protegidas: conhecimento científico, envolvimento de quem vive do mar e regras diferentes para cada zona. As duas falsas são duas formas de ler mal o mapa — uma generaliza uma regra a todo o parque, a outra troca as regras de duas zonas.
onde se perdem pontos
Este item é dicotómico: os 8 pontos só se atribuem à resposta com as três afirmações certas — nem uma a mais, nem uma a menos. Duas certas valem o mesmo que nenhuma.
- Escolher pelo que parece uma boa medida, e não pelo que o texto e a figura mostram. A III é uma medida de conservação possível noutros sítios; aqui, é falsa. O enunciado pede o que «pode ser comprovado».
- Ler a legenda à pressa. A V só se desfaz se leres a linha da Proteção Total até ao fim: «Permitidas apenas atividades de investigação científica».
- Hesitar na IV por o texto não usar a palavra «ameaçados». O texto fala de espécies «sujeitas a medidas de proteção» e de habitats «prioritários» a preservar, e de estudos científicos que fundamentaram o zonamento. É a mesma ideia.
- Esquecer que o item é facultativo. Conta se ficar entre os quatro melhores dos oito facultativos; vale a pena fazê-lo bem, porque é um dos que se resolvem só com leitura atenta.
- Escrever quatro números «por segurança». A resposta vale zero.
- Não indicar a versão da prova. Os critérios gerais são claros: sem indicação inequívoca da versão, todos os itens de seleção valem zero. Esta chave é a da Versão 1; na Versão 2 a ordem é outra.
para reconhecer o próximo item deste tipo
Num item de seleção sobre um texto e uma figura, cada afirmação é uma pergunta de sim ou não ao material: procura a frase ou a zona do mapa que a prova, e desconfia das palavras absolutas («toda a extensão», «apenas») — são elas que, quase sempre, tornam falsa uma afirmação que à primeira vista parece certa.
E sabe de cor as famílias de medidas de conservação (in situ, ex situ, investigação, legislação, educação e participação): reconhecê-las no texto, mesmo quando não aparecem com esses nomes, é o que o item testa.