O ponto de partida. Para saber que efeito tem uma atividade humana num ecossistema, não chega observar o ecossistema onde essa atividade acontece: é preciso comparar com um sítio igual onde ela não acontece. É a mesma lógica de uma atividade experimental — o controlo. A zona de Proteção Total é o controlo do parque: é por isso que ela «permite monitorizar e avaliar os efeitos do turismo e da pesca». A tua resposta tem de dizer as duas metades desta ideia.
1.º — o que quer dizer «monitorizar» e «avaliar»
Monitorizar é medir as mesmas coisas, da mesma maneira, repetidamente ao longo do tempo — a abundância de cada espécie, o tamanho dos indivíduos, o estado dos habitats. Avaliar o efeito de uma atividade é atribuir-lhe uma mudança medida. A dificuldade está aqui: se a abundância de meros baixar ao longo de cinco anos, a causa pode ser a pesca — ou uma alteração da temperatura da água, uma doença, um ano mau de reprodução. Sem um termo de comparação, não sabes.
A solução é a mesma de uma experiência de laboratório: ter um controlo, uma situação em que o fator que queres estudar está ausente e todo o resto é igual. Numa experiência, o controlo constrói-se; num parque natural, delimita-se — e é isso a zona de Proteção Total.
2.º — o que se passa na zona de Proteção Total
Vai à legenda da Figura 2: na Proteção Total estão «Permitidas apenas atividades de investigação científica (mediante autorização)». Logo, a pesca, o mergulho e os desportos náuticos — o turismo — não são autorizados lá. Sem essas pressões, o ecossistema dessa zona mantém-se o mais próximo possível do seu estado original, natural.
Este é o elemento A dos critérios: dizer que atividades estão proibidas nessa zona e a consequência — as características ficam próximas das originais. Não chega escrever «é uma zona protegida»; tens de dizer de quê está protegida (do turismo e da pesca).
3.º — para que serve: comparar
O resto do parque está sujeito, em graus diferentes, ao turismo e à pesca: mergulho e náutica não motorizada na Proteção Parcial, pesca artesanal nas duas zonas de Proteção Complementar. Se os investigadores recolherem os mesmos dados na zona de Proteção Total e nas outras zonas — por exemplo, o número de indivíduos de cada espécie, o tamanho dos peixes com interesse comercial (o mero, a dourada, o robalo), o estado das gorgónias e dos bancos de Maerl —, as diferenças entre as zonas mostram o efeito das atividades humanas.
E «monitorizar» quer dizer repetir essas medições ao longo do tempo: se, com os anos, uma espécie diminui nas zonas de pesca e se mantém na zona de Proteção Total, a causa provável é a pesca, e não uma alteração que afete o parque todo (a temperatura da água, por exemplo, que mudaria nas duas zonas).
Este é o elemento B dos critérios: a comparação entre os dados da zona de Proteção Total e os das restantes zonas permite avaliar os efeitos do turismo e da pesca.
4.º — juntar numa resposta
Dois parágrafos chegam, um por elemento: o primeiro diz o que é proibido na zona de Proteção Total e o que isso faz ao ecossistema; o segundo diz que se comparam os dados dessa zona com os das outras e que as diferenças revelam o efeito das atividades humanas. Usa as palavras do tema — ecossistema, biodiversidade, espécies, habitats, atividades humanas — e liga as ideias com conectores de causa («assim», «por isso», «logo»).
uma resposta de nível 4, frase a frase
- «Na zona de Proteção Total, são permitidas apenas atividades de investigação científica, pelo que o turismo […] e a pesca não são autorizados.» → primeira metade do elemento A: as atividades proibidas;
- «Assim, nesta zona, o ecossistema não sofre a pressão destas atividades humanas e mantém características mais próximas das originais, funcionando como uma zona de referência (controlo).» → segunda metade do elemento A: a consequência;
- «Monitorizando ao longo do tempo o ecossistema na zona de Proteção Total e nas restantes zonas do parque […], é possível comparar os dados recolhidos nessa zona com os dados recolhidos nas zonas onde o turismo e a pesca são permitidos.» → elemento B: a comparação;
- «As diferenças encontradas permitem avaliar os efeitos do turismo e da pesca no parque.» → fecha a resposta com o verbo do enunciado.
Repara que a resposta usa o vocabulário do enunciado («monitorizar», «avaliar», «efeitos do turismo e da pesca»). Responder com as palavras da pergunta mostra ao corrector que respondeste àquela pergunta.
como este item é corrigido (é por níveis)
O corrector procura dois elementos e avalia o rigor científico com que os apresentas. Escolhe um nível:
- nível 4 — 9 pontos: os dois elementos, com rigor científico;
- nível 3 — 7 pontos: os dois elementos, com falhas no rigor científico;
- nível 2 — 5 pontos: apenas um dos elementos, com rigor científico;
- nível 1 — 3 pontos: apenas um dos elementos, com falhas no rigor científico.
Cada elemento que falta custa 4 pontos; uma falha de rigor custa 2. Os critérios gerais contam como falhas de rigor científico «a utilização inadequada ou imprecisa de termos, de conceitos ou de processos» — e aceitam outras palavras que não as dos critérios, desde que o conteúdo seja cientificamente válido.
onde se perdem pontos
- Ficar-se pelo elemento A. «Na zona de Proteção Total não se pode pescar nem fazer turismo, por isso as espécies estão protegidas» explica para que serve a zona para a conservação, mas não responde à pergunta, que é sobre monitorizar e avaliar. Sem a comparação, só um elemento: 5 pontos, no máximo.
- Dizer que a zona de Proteção Total está «sem atividade humana nenhuma». A investigação científica é permitida lá. O que está proibido é o turismo e a pesca. Uma afirmação destas pode ser lida como imprecisão.
- Comparar sem dizer com quê. «Os dados da zona de Proteção Total permitem avaliar os efeitos» fica a meio: tens de dizer que são comparados com os das outras zonas do parque, onde as atividades são permitidas.
- Confundir as zonas. Dizer que o mergulho é permitido na Proteção Total, ou que a pesca é proibida em todo o parque, contradiz a Figura 2 — e os elementos que evidenciem contradição não são considerados.
- Usar termos vagos («a natureza fica melhor», «os peixes ficam contentes»). É falha de rigor científico e desce um nível.
para reconhecer o próximo item deste tipo
Sempre que um item perguntar como se avalia o efeito de um fator (uma atividade humana, um poluente, uma variável numa experiência), a resposta tem duas partes: uma situação de referência sem esse fator (o controlo) e a comparação dos dados entre a situação com e sem o fator. As zonas de proteção integral das áreas protegidas são o controlo natural de um ecossistema.
Este raciocínio vai voltar-te noutros contextos: o grupo de controlo de uma experiência (o 400 μatm do Texto 3, a folha destapada do Grupo II), a parcela de terreno não tratada num ensaio agrícola, a reserva integral de uma área protegida. Em todos, a pergunta é a mesma: com que comparo para saber o efeito do fator?