O ponto de partida. Cada afirmação diz para que serviu um passo do procedimento. Para as julgar, reconstrói primeiro a lógica da experiência inteira:
- o objetivo é relacionar a absorção de luz com a produção de amido;
- a planta produz glicose na fotossíntese e armazena parte dela nas folhas sob a forma de amido; onde houve fotossíntese, há amido;
- o Lugol revela o amido (passa de castanho-claro a azul-escuro); então, a cor final de cada zona da folha diz-te se aí houve fotossíntese;
- tudo o resto — a obscuridade inicial, a água a ferver, o álcool — existe para que essa leitura da cor seja possível e fiável.
Com isto na cabeça, passa as cinco afirmações uma a uma.
1.º — três palavras que o item usa com sentido técnico
- Validade — um resultado é válido quando mede mesmo aquilo que se pretende e não pode ser explicado por outra causa. Medidas que eliminam explicações alternativas (como esgotar o amido antigo) aumentam a validade.
- Fiabilidade — um resultado é fiável quando se pode confiar que não foi obra do acaso: obtém-se repetindo o ensaio (várias amostras em cada condição) e verificando que os resultados concordam.
- Controlo — a condição de referência, sem o fator em estudo (aqui, a folha destapada, que recebeu luz), com a qual se comparam as outras.
Guarda as três, porque o item pede-te para distinguires a II (validade) da IV (fiabilidade).
2.º — afirmação I — verdadeira
«A colocação das folhas em álcool em ebulição permitiu remover os pigmentos fotossintéticos.» Os pigmentos fotossintéticos, como as clorofilas, dissolvem-se no álcool. O próprio procedimento dá-te a prova: a folha ficou esbranquiçada e o álcool ficou verde. Os pigmentos passaram da folha para o álcool.
E percebe porque era preciso: com a clorofila lá, o verde da folha mascarava a cor do Lugol, e não conseguias distinguir o azul-escuro do castanho-claro. Verdadeira.
3.º — afirmação II — verdadeira
«As condições iniciais de obscuridade… contribuem para validar os resultados obtidos.» Durante 3 dias às escuras, a planta não faz fotossíntese mas continua a gastar matéria orgânica; vai consumindo o amido que tinha armazenado nas folhas. Ao fim desse tempo, as folhas estão sem amido.
Isso é decisivo: todo o amido que o Lugol revelar no fim foi produzido durante os 2 dias de luz da experiência, e não antes. Sem a obscuridade inicial, a folha tapada podia mostrar-se azul por causa de amido antigo, e concluirias (mal) que a luz não era necessária. A obscuridade elimina essa explicação alternativa — é isso que valida os resultados. Verdadeira.
4.º — afirmação III — verdadeira
«A coloração das folhas, após a utilização da solução de Lugol, permite avaliar, indiretamente, a taxa fotossintética.» O Lugol não mede a fotossíntese; mede a presença de amido. Mas o amido é um produto da fotossíntese (armazena a glicose produzida). Onde a cor é azul-escura houve fotossíntese e acumulou-se amido; onde fica castanho-clara, não houve.
É uma avaliação indireta — através de um produto, e não do processo em si (como seria medir o O2 libertado, como no estudo do Texto 3). A palavra «indiretamente» é o que torna a afirmação correta. Verdadeira.
as duas afirmações falsas
- IV — falsa. «A utilização de três folhas garantiu a fiabilidade dos resultados.» A fiabilidade de um resultado obtém-se com repetições: várias amostras sujeitas às mesmas condições, para que um resultado isolado (uma folha anómala, um erro de manuseamento) não decida a conclusão. Aqui as três folhas não são repetições: cada uma foi sujeita a uma condição diferente (tapada, parcialmente tapada, destapada). Há uma só folha por condição. As três folhas servem para comparar condições — uma é o controlo, as outras são experimentais —, não para garantir a fiabilidade. Para isso seriam precisas várias folhas por condição, ou várias plantas.
- V — falsa. «A colocação das folhas em água a ferver promoveu a diminuição da permeabilidade das membranas…» É o contrário. A água a ferver mata as células: as proteínas das membranas desnaturam-se e as membranas desorganizam-se, ficando mais permeáveis. É justamente isso que se pretende, para que o álcool consiga extrair os pigmentos e o Lugol consiga chegar ao amido no interior das células. A afirmação inverte a finalidade do passo.
a ordem dos passos faz sentido agora
Lê o procedimento outra vez, com as finalidades ao lado: escuro (esgotar o amido) → tapar (criar as condições) → luz (permitir a fotossíntese onde não há alumínio) → água a ferver (matar as células e tornar as membranas permeáveis) → álcool quente (retirar os pigmentos) → Lugol (revelar o amido). Cada passo prepara o seguinte. Se trocasses a ordem do álcool e do Lugol, por exemplo, o verde da clorofila esconderia a cor do resultado.
Resposta: I, II e III.
onde se perdem pontos
Item de seleção, obrigatório, classificado de forma dicotómica: só o conjunto exato das três afirmações corretas vale os 8 pontos. Duas certas e uma errada, ou quatro números, valem zero.
- Confundir «várias folhas» com «repetições». O número de folhas só dá fiabilidade se estiverem nas mesmas condições. Aqui cada folha é uma condição.
- Achar que o calor «fecha» as células. A água a ferver destrói as membranas; a permeabilidade aumenta.
- Rejeitar a III por o Lugol «não medir a fotossíntese». É verdade que não mede diretamente — e é por isso que a afirmação diz «indiretamente».
- Não perceber para que serve a obscuridade inicial. É o passo que garante que o amido encontrado é novo. Sem ele, a experiência não prova nada sobre a luz.
- Escrever mais ou menos de três números. O enunciado diz «as três afirmações corretas».
- Não indicar a versão da prova. Os critérios gerais são claros: sem indicação inequívoca da versão, todos os itens de seleção valem zero. Esta chave é a da Versão 1; na Versão 2 as afirmações estão por outra ordem.
a regra a fixar
Nas atividades experimentais de BG, cada passo do protocolo tem uma de três finalidades: criar as condições a comparar (tapar as folhas), eliminar explicações alternativas (a obscuridade inicial, que retira o amido antigo) ou tornar o resultado legível (a água a ferver, o álcool, o Lugol). E guarda a distinção: controlo e variantes servem para comparar; repetições servem para a fiabilidade.
Num item sobre a finalidade de procedimentos, faz para cada passo a pergunta: o que correria mal se este passo não existisse? A resposta é a finalidade.