O ponto de partida. Outra vez, cada opção junta um processo e um ambiente. O item diz «de acordo com as informações do Texto 1» — por isso vais buscar as duas coisas ao texto e à Figura 1, e não a ideias gerais.
1.º — o que é uma plataforma carbonatada, e de que precisa para crescer
Uma plataforma carbonatada é uma zona extensa de mar pouco profundo onde se acumulam sobretudo sedimentos de carbonato de cálcio (CaCO3) — conchas, esqueletos, fragmentos de recifes e lamas carbonatadas —, que mais tarde, pela diagénese, dão calcários. O carbonato de cálcio forma-se a partir dos iões dissolvidos na água do mar, segundo um equilíbrio que conheces da carsificação:
Ca2++2HCO3−⇌CaCO3+CO2+H2OTudo o que retire CO2 da água desloca o equilíbrio para a direita e favorece a formação de CaCO3:
- a temperatura elevada — os gases dissolvem-se menos em água quente, e o CO2 escapa;
- a pouca profundidade — a água agita-se e aquece, e a pressão é baixa;
- a fotossíntese de algas e fitoplâncton, que consome CO2 e só existe onde a luz chega.
Por isso os grandes produtores de carbonato — algas calcárias, corais, bivalves como os rudistas — vivem em mares quentes, pouco profundos e iluminados, e a maior parte das plataformas carbonatadas atuais fica em latitudes tropicais. Com este mecanismo percebido, o item passa a ser uma pergunta de coerência: qual das opções junta o processo certo ao ambiente certo?
2.º — o ambiente: marinho, pouco profundo e perto do equador
O texto diz: «Há cerca de 100 Ma, a região que hoje corresponde à Península Ibérica estava localizada mais perto do equador. Nesse contexto, começou a desenvolver-se uma plataforma carbonatada marinha.» E a legenda da Figura 1 acrescenta que era uma plataforma «de baixa profundidade».
Perto do equador as águas do mar são quentes: é uma região tropical. A expressão «Nesse contexto» liga as duas frases — é por a região estar perto do equador que a plataforma se desenvolveu.
3.º — o processo: formação de carbonato de cálcio
Uma plataforma carbonatada é feita de carbonato de cálcio (CaCO3), que se forma no mar a partir dos iões dissolvidos na água: por precipitação química e, sobretudo, pela ação de seres vivos que o usam para construir conchas e esqueletos (aqui, os rudistas e outros organismos). As águas quentes e pouco profundas favorecem esta formação: a água quente dissolve menos dióxido de carbono, o que facilita a precipitação do carbonato de cálcio, e a luz que chega ao fundo sustenta a vida abundante que produz carbonatos.
A opção (B) junta as duas coisas certas: formação de carbonato de cálcio, numa região tropical.
Resposta: opção (B).
o texto confirma as duas metades
Lê de novo a ordem das frases do Texto 1: «mais perto do equador» → «Nesse contexto, começou a desenvolver-se uma plataforma carbonatada marinha» → «recifes de rudistas». A localização vem primeiro e explica o resto. E repara que o item 9 do mesmo grupo te vai pedir exatamente esta relação (localização → água quente → rudistas): os itens de um grupo costumam apoiar-se uns nos outros, e o que percebes num serve no seguinte.
porque é que as outras opções estão erradas
- (A) precipitação de carbonatos, em meio continental — o processo até é plausível, mas o ambiente não: o texto diz que a plataforma é marinha. O que era continental eram os sedimentos detríticos de origem fluvial por baixo dos carbonatos. O que a torna tentadora: há precipitação de carbonatos em meio continental (em grutas, por exemplo, onde se formam estalactites), e quem pensa só no processo aceita-a. Mas o item pede o que diz o texto.
- (C) acumulação de materiais de origem biogénica, em águas frias — o material biogénico faz parte da história (os rudistas eram bioconstrutores), mas as águas eram quentes: a região estava perto do equador. Águas frias contradizem o texto. O que a torna tentadora: «biogénica» é a palavra certa para os recifes, e há de facto carbonatos biogénicos em águas frias (os próprios bancos de Maerl do Texto 2 existem no Atlântico Norte). Mas o Texto 1 localiza esta plataforma perto do equador.
- (D) diagénese de sedimentos carbonatados, em meio marinho profundo — dois erros. A diagénese é a transformação de sedimentos já depositados em rocha (compactação e cimentação); não é o que faz desenvolver a plataforma, que cresce pela formação e acumulação de carbonato. E a plataforma era de baixa profundidade, como diz a legenda da Figura 1; o ambiente marinho profundo está noutra zona do mapa. O que a torna tentadora: a diagénese é mesmo o processo que transforma os sedimentos carbonatados em calcário Lioz — mas isso é o que aconteceu depois, não o que fez a plataforma desenvolver-se.
onde se perdem pontos
Item de escolha múltipla e facultativo: 8 pontos, tudo ou nada; conta se ficar entre os quatro melhores dos oito facultativos.
- Escolher pela palavra que soa bem. «Biogénica» (C) e «diagénese» (D) são termos corretos em sedimentologia, mas vêm colados a um ambiente errado. Confere sempre o ambiente contra o texto.
- Não ligar «perto do equador» a «águas quentes». É a ponte que o item pede; sem ela, (B) e (C) parecem equivalentes.
- Trocar «desenvolvimento» por «transformação». Desenvolver uma plataforma é produzir e acumular carbonato; transformar sedimento em rocha é diagénese. São etapas diferentes da mesma história.
- Deixar em branco. Errar não desconta; o branco vale 0 de certeza.
- Escrever duas respostas. Os critérios gerais mandam classificar só a que surgir em primeiro lugar.
- Não indicar a versão da prova. Sem indicação inequívoca da versão, todos os itens de seleção valem zero. Esta chave é a da Versão 1; na Versão 2 as opções estão por outra ordem.
a regra a fixar
Calcários de plataforma e recifes formam-se em mares quentes (tropicais), pouco profundos e com luz. Quando um texto localiza uma região «perto do equador» e fala de carbonatos ou de recifes, a combinação que procuras é: marinho + quente + pouco profundo.
E fixa o mecanismo, não só a regra: menos CO2 dissolvido → mais CaCO3 formado. Água quente, pouca profundidade e fotossíntese retiram CO2; é por isso que os carbonatos gostam delas — e é por isso que a acidificação dos oceanos, no Texto 3, ameaça as algas calcárias.