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Exame de Português 2026 · 2.ª fase — item II.4, resolvido

Cotação 13 pontosEscolha múltiplaVerificado

Enunciado

Instituto de Avaliação Educativa · prova 639 · 2026 · 2.ª fase

Grupo II

Leia o texto.

Hoje em dia, revela-se mais difícil mobilizar as crianças para a aprendizagem, se a entendermos como um processo desenvolvido a longo prazo, que inclui momentos de grande encantamento, com atividades entusiasmantes e mobilizadoras, mas também tarefas repetitivas, que necessitam de investimento, concentração, paciência e perseverança por parte dos alunos. É precisamente neste último ponto que reside a dificuldade em cativar as novas gerações para os desafios escolares, quando estes contrariam a tendência para a rapidez, a fugacidade da atenção, o imediatismo e a volatilidade de interesses.

A prevalência desta postura pode ser explicada pela sobrevalorização do pensamento rápido, que domina na atualidade. Considerado como um progresso civilizacional, este tipo de pensamento opõe-se ao pensamento lento, encarado como um retrocesso temporal. Chegados a este ponto, a pergunta que se impõe é a seguinte: será que esta visão é correta e está a ser favorável para a própria sociedade que a criou?

Antes de responder a esta questão, podemos fazer o seguinte exercício: imaginemo-nos a regressar ao cenário da vida selvagem, na qual um animal tem de dividir a sua atenção por diversas atividades para que, enquanto come, não acabe por ser comido. A consequência não é difícil de antever: o animal vê-se impossibilitado de se concentrar profundamente naquilo que tem diante de si, pois tem de estar permanentemente alerta em relação àquilo que está atrás de si. Paradoxalmente, muitas das atividades mais valorizadas na atualidade, como a multitarefa e muitas atividades digitais, privilegiam este tipo de mecanismos que geram uma atenção ampla, mas rasa, semelhante à de um animal selvagem. Tal como refere o filósofo Byung-Chul Han na obra Sociedade do Cansaço, «as mais recentes evoluções sociais e a mudança de estrutura da atenção aproximam a sociedade humana da vida selvagem».

De acordo com a sua análise, estamos a assistir a uma deslocação de um tipo de atenção profunda para uma forma de atenção radicalmente distinta — a hiperatenção —, que se caracteriza por uma rápida mudança de foco entre diversas atividades, fontes informativas e processos. Esta forma de atenção multitarefa não corresponde, na sua opinião, a um progresso, mas, bem pelo contrário, a um retrocesso civilizacional.

Também é esta a visão do médico e cientista Lamberto Maffei, que aborda a diferença entre o pensamento rápido e o pensamento lento no livro com o emblemático título Elogio da Lentidão. De acordo com a sua explicação, o cérebro humano possui dois tipos de mecanismos: os primeiros são mecanismos ancestrais rápidos de resposta ao ambiente; enquanto os segundos, de carácter mais lento, se desenvolvem mais tarde e são fruto do raciocínio.

De carácter automático ou semiautomático, os primeiros mecanismos são essenciais para a sobrevivência [...]. Já a segunda modalidade, própria dos animais superiores, é inerente ao controlo de um ser humano sobre a sua própria vida, ao seu relacionamento com os outros indivíduos e com o meio ambiente.

Todavia, de forma totalmente contraditória, a tendência das chamadas sociedades avançadas consiste em atribuir aos mecanismos rápidos de pensamento uma posição predominante, em detrimento das formas de pensamento mais lento. [...]

As consequências desta opção civilizacional estão à vista. O progresso tecnológico e a sua difusão capilar produziram, além de profundas mudanças sociais, uma aceleração do tempo e, consequentemente, uma verdadeira revolução do pensamento, que se tornou, também este, mais acelerado. [...]

Mas esta revolução tem os seus riscos. Uma excessiva prevalência dos mecanismos rápidos do pensamento, designados por pensamento rápido ou digital, pode implicar soluções e comportamentos errados, danos na educação e, em geral, na vivência civil.

Elsa de Barros, «As virtudes do pensamento lento», Público – P2, 10 de março de 2024, p. 22. (Texto adaptado)

II.4.

Ao longo do texto, a autora defende a tese de que, na atualidade, se assiste

Tenta primeiro no papel.

Quem lê a resolução antes de tentar acha que percebeu — e volta a errar no exame.

Passo a passo, com o porquê de cada passo.

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