O ponto de partida. Repara no que o item pede, porque é aí que está a armadilha: as cinco afirmações são verdadeiras sobre Mensagem, ou quase — mas só três se comprovam lendo este poema. A pergunta não é «isto é verdade sobre a obra?», é: isto vê-se no poema «D. Fernando, Infante de Portugal»? Para cada afirmação, procura os versos que a provam; se não os encontras, ela fica de fora, por verdadeira que seja.
1.º — afirmação B — comprova-se
D. Fernando é uma figura histórica (nota 1) e o poema transforma-o em mito: um eleito de Deus, que recebe o gládio divino, é consagrado e tem a fronte dourada pelo olhar de Deus. Já não é só o infante que morreu em cativeiro — é um herói sagrado. O poema pertence à primeira parte de Mensagem, «Brasão», dedicada às figuras fundadoras da história de Portugal (está em «As Quinas»). Comprova-se.
2.º — afirmação C — comprova-se
«Força anímica» é a força da alma. O poema termina precisamente nela: «Cheio de Deus, não temo o que virá, / Pois, venha o que vier, nunca será / Maior do que a minha alma» (vv. 13-15). E é essa força que o leva a agir — «E eu vou» (v. 11) —, aceitando a missão «em honra e em desgraça» (v. 3), seja qual for o esforço que ela exija. Comprova-se.
3.º — afirmação E — comprova-se
O poema é curto — três estrofes de cinco versos, quinze ao todo — e trabalha o ritmo e a rima: em cada estrofe alternam versos longos (de dez sílabas métricas) e curtos (de seis), e a rima segue o mesmo desenho nas três estrofes — o 1.º, o 3.º e o 4.º versos rimam entre si, e o 2.º com o 5.º (faça / desgraça / passa e guerra / terra, na primeira; dá / virá / será e calma / alma, na última). Comprova-se.
Resposta: B, C e E.
porque é que A e D ficam de fora
- A — «O Sebastianismo constitui um eixo temático fundamental de Mensagem.» É verdade sobre a obra, mas não se comprova com este poema. D. Sebastião, o regresso do Desejado, o Quinto Império não aparecem em nenhum verso: o poema fala de D. Fernando e da sua missão. Quem escolhe A respondeu à pergunta «o que sei sobre Mensagem?», e não à que o item faz.
- D — «Constata-se a presença de um apelo aos outros portugueses para que prossigam e concretizem a ambição do sujeito poético.» No poema não há apelo nenhum. O sujeito poético fala de si, na primeira pessoa do singular («Deu-me», «Sagrou-me», «E eu vou», «não temo»), e não se dirige a ninguém — não há vocativo, nem imperativo, nem um «vós» ou um «nós». Apelos destes existem noutros poemas de Mensagem (sobretudo na terceira parte, «O Encoberto»), não neste.
como este item é corrigido
O item vale 13 pontos e é classificado de forma dicotómica: só a identificação das três afirmações certas — B, C e E — vale os 13 pontos. Duas certas, ou três certas e uma a mais, valem zero. É um dos itens facultativos.
onde se perdem pontos
- Escolher A porque é verdade sobre Mensagem. É a armadilha do item. O critério é o poema, não a obra.
- Ler o v. 11 como um apelo. «E eu vou» é o sujeito poético a falar de si; não chama ninguém a segui-lo.
- Hesitar em E por não saber contar sílabas. Não precisas de contar: vê-se de relance que cada estrofe tem versos longos e curtos e que as palavras finais rimam («faça / desgraça / passa»).
- Escrever quatro letras «por segurança». O enunciado pede três; quatro letras é uma resposta errada.
- Não indicar a versão da prova. Sem versão inequívoca, os itens de seleção valem zero. Esta chave é a da Versão 1; a da Versão 2 é outra.
para reconhecer o próximo item deste tipo
Quando um item diz «afirmações que podem ser comprovadas através da leitura do poema», separa duas perguntas: «é verdade?» e «está neste texto?». Só a segunda conta. Para cada afirmação, aponta o verso; sem verso, fica de fora. E sobre Mensagem, fixa a arquitetura: «Brasão» (os heróis fundadores, mitificados — é aqui que está D. Fernando), «Mar Português» (os Descobrimentos) e «O Encoberto» (D. Sebastião, o Quinto Império, o apelo ao futuro).