O ponto de partida. Cinco afirmações, três certas. Cada uma testa-se com uma ferramenta concreta, e o primeiro trabalho é saber qual: os princípios de raciocínio geológico (sobreposição, intersecção) aplicados ao corte da Figura 1B, a legenda do corte (as idades das rochas) e o Texto 1 (que rochas há na Formação de Haselgebirge e o que aconteceu ao sal).
1.º — preparar o terreno: as idades da legenda, por ordem
Antes de ler uma única afirmação, arruma as unidades da legenda da mais antiga para a mais recente — vais precisar disto em quase todas:
- Formação de Haselgebirge — Pérmico/Triássico (Paleozoico/Mesozoico): a mais antiga;
- rochas carbonatadas do Triássico (cinzento);
- rochas carbonatadas do Jurássico (tracejado oblíquo);
- rochas carbonatadas do Jurássico — Formação de Plassen (padrão de tijolos, no topo do monte);
- depósitos do Quaternário (negro): os mais recentes.
E fixa os dois princípios de que vais precisar:
- Sobreposição: numa sequência de camadas não deformada, cada camada é mais recente do que a que está por baixo e mais antiga do que a que está por cima.
- Intersecção: uma estrutura (falha, filão, intrusão) que corta rochas ou outras estruturas é mais recente do que elas.
2.º — afirmação II — verdadeira
O Texto 1 diz que a Formação de Haselgebirge tem «bandas de sal-gema, alternadas com arenito, argila e gesso». Classifica cada uma:
- arenito e argila são rochas detríticas — formadas por fragmentos (clastos) de outras rochas, transportados e depositados; o arenito tem grãos do tamanho da areia, a argila partículas muito finas;
- sal-gema e gesso são evaporitos, rochas quimiogénicas — formam-se por precipitação de substâncias que estavam dissolvidas na água, quando ela evapora.
As duas famílias estão lá. Verdadeira.
3.º — afirmação IV — verdadeira
Vai ao retângulo X da Figura 1B. Lá dentro há uma falha inclinada, com a seta do movimento a subir, e as cores dizem o resto: as rochas carbonatadas do Triássico (cinzento) estão por cima das rochas carbonatadas do Jurássico (tracejado oblíquo). Rochas mais antigas sobre rochas mais recentes: a ordem normal das camadas foi invertida pelo movimento da falha, que empurrou um bloco por cima do outro (uma falha inversa, típica de compressão).
O princípio da sobreposição só vale numa sequência não deformada. Em X, se o aplicasses, concluías que o Triássico é mais recente do que o Jurássico — o que é falso. Logo, o princípio não se aplica ali. Verdadeira.
4.º — afirmação V — verdadeira
O Texto 1 diz que, depois da deposição do sal, «nesta bacia, devido a mudanças nas condições de sedimentação, depositaram-se carbonatos», e a legenda identifica estas rochas carbonatadas como do Triássico. As rochas carbonatadas (calcários) formam-se sobretudo em ambiente marinho, pela precipitação de carbonato de cálcio e pela acumulação de conchas e esqueletos calcários.
Se, no Triássico, se depositaram carbonatos marinhos na bacia por cima do sal, então, nessa altura, o depósito de sal estava coberto pelo mar. Verdadeira.
Resposta: II, IV e V.
porque é que I e III são falsas
- I — «A norte da mina, a falha vertical é anterior ao dobramento das rochas do Triássico.» Falsa. Olha para a parte norte do corte: as rochas do Triássico estão dobradas (as linhas finas curvas desenham as camadas arqueadas) e a falha vertical corta-as, interrompendo essas linhas. Pelo princípio da intersecção, a estrutura que corta é mais recente do que a que é cortada: a falha é posterior ao dobramento. Se a falha fosse anterior, teria sido ela própria dobrada juntamente com as camadas — e aparece como uma linha reta.
- III — «A mina de sal encontra-se na Formação de Haselgebirge, a mais recente da região.» Falsa. A primeira metade está certa (o símbolo da mina, os martelos cruzados, está dentro do Haselgebirge), mas a segunda não: a Formação de Haselgebirge formou-se «durante o Pérmico Superior e o Triássico Inferior» — é a mais antiga do corte. A afirmação é tentadora porque o Haselgebirge aparece no meio de rochas mais recentes, quase à superfície. Mas o texto explica porquê: o sal-gema, «por se tratar de uma rocha pouco densa e com elevada plasticidade, ascendeu, sobrepondo-se a outras rochas mais recentes». Está por cima porque subiu, não porque é mais novo.
onde se perdem pontos
Item de seleção, 8 pontos, classificado de forma dicotómica: só a identificação das três afirmações corretas vale os 8 pontos. Duas certas valem zero; quatro números, mesmo incluindo as três certas, valem zero.
- Confiar na posição para datar. Aqui o sal subiu e as falhas inverteram camadas: estar por cima não prova ser mais recente. A III e a IV estão desenhadas para apanhar quem aplica a sobreposição às cegas.
- Trocar intersecção por sobreposição na afirmação I. O que decide a idade relativa de uma falha é o que ela corta, não o que está por cima ou por baixo dela.
- Ler só metade da afirmação III. A primeira parte é verdadeira, a segunda não — uma afirmação com uma parte falsa é falsa.
- Classificar o gesso como detrítico. O gesso não é feito de fragmentos: precipita da água. Quem erra isto pode pensar que a II só tem detríticas e rejeitá-la.
- Não indicar a versão da prova. Sem versão inequívoca, os itens de seleção valem zero. Esta chave é a da Versão 1 (na Versão 2 é I, III e IV).
a regra a fixar
Num corte geológico usa dois princípios e sabe quando cada um vale: sobreposição (em camadas não deformadas, o de cima é mais recente) e intersecção (o que corta é mais recente do que o que é cortado). Sempre que uma falha inversa, uma dobra deitada ou um corpo que subiu (sal, magma) altera a posição das rochas, a sobreposição deixa de valer — e são precisamente esses sítios que os exames assinalam com uma letra. E para classificar rochas sedimentares: detríticas = fragmentos (conglomerado, arenito, argilito); quimiogénicas = precipitação (sal-gema, gesso, alguns calcários); biogénicas = restos de seres vivos (carvão, calcários conquíferos).