O ponto de partida. O item pede dois dados, cada um de uma fonte certa: um da Figura 1B para a Informação 1 (uma questão de idade relativa) e um do Texto 1 para a Informação 2 (uma questão de altitude). Trocar as fontes é perder o elemento. E «justifique» exige mais do que apontar: tens de dizer o que o dado prova — o corretor quer ver a ponte entre o dado e a afirmação.
1.º — ler o que cada informação afirma
- Informação 1: «A subida do sal-gema ocorreu antes da deposição dos calcários da Formação de Plassen.» É uma afirmação de idade relativa entre dois acontecimentos. O que a pode apoiar num corte geológico? Uma relação geométrica entre o sal e os calcários.
- Informação 2: «O sal é explorado em galerias que se encontram a mais de 514 metros acima do nível do mar.» É estranho: o sal formou-se numa bacia pouco profunda, portanto ao nível do mar ou perto dele. Tens de explicar como foi parar lá acima — e a explicação está no texto.
2.º — (A) Informação 1 — o que a Figura 1B mostra entre o sal e Plassen
Olha para o contacto entre a Formação de Haselgebirge e os calcários do monte Plassen: é uma linha ondulada, e a legenda diz que é uma superfície de erosão. Raciocina passo a passo:
- uma superfície de erosão só se forma quando uma rocha está à superfície (exposta à água, ao vento, à meteorização) e é desgastada;
- se o topo do sal-gema foi erodido, é porque o sal já tinha subido e aflorava — estava exposto;
- os calcários de Plassen assentam por cima dessa superfície, portanto depositaram-se depois da erosão — e, por consequência, depois da subida.
É a prova de que a subida do sal foi anterior à deposição dos calcários de Plassen. A legenda acrescenta uma confirmação: os calcários de Plassen são do Jurássico, e o texto diz que o sal subiu «antes do final do Jurássico».
o outro dado que os critérios aceitam
Os critérios aceitam um dado alternativo, do mesmo corte: entre o Haselgebirge e Plassen faltam rochas. As rochas carbonatadas do Triássico e as do Jurássico mais antigas do que Plassen formaram-se por cima do sal; numa sequência sem perturbação, estariam entre o Haselgebirge e Plassen. No corte, não estão. Foram deformadas e erodidas quando o sal subiu e as atravessou — e isso aconteceu antes de Plassen se depositar diretamente sobre o sal.
Qual escolher? O da superfície de erosão é mais direto e usa um símbolo da legenda, o que o torna mais fácil de escrever com rigor. O das rochas em falta exige que digas quais faltam e porquê; é mais fácil errar num pormenor. Escolhe o primeiro, a não ser que domines bem o segundo.
3.º — (B) Informação 2 — porque está o sal tão alto
Um sal que se depositou numa bacia pouco profunda está hoje a mais de 514 m de altitude: alguma coisa o levantou. O Texto 1 diz o quê: «essencialmente no Cenozoico, na sequência dos movimentos tectónicos entre as placas Africana e Eurasiática, esta bacia fechou e deu-se início à formação dos Alpes, ocorrendo deformação de rochas da região».
Transforma a frase numa cadeia de causa e efeito:
- as placas Africana e Eurasiática convergiram (aproximaram-se);
- essa convergência gerou forças compressivas que fecharam a bacia;
- as rochas da bacia — sal incluído — foram comprimidas, dobradas, empilhadas por falhas inversas e levantadas, formando a cadeia montanhosa;
- por isso as galerias estão hoje a altitude elevada.
como este item é corrigido (por níveis)
Dois elementos (A e B) e o rigor científico com que os escreves. Escolhe-se um nível:
- nível 4 — 9 pontos: os dois elementos, com rigor;
- nível 3 — 7 pontos: os dois, com falhas de rigor;
- nível 2 — 5 pontos: só um, com rigor;
- nível 1 — 3 pontos: só um, com falhas de rigor.
Um elemento a mais vale sempre mais do que o rigor: dois com falhas (7) batem um perfeito (5). Escreve sempre os dois, mesmo que um saia menos limpo.
uma resposta de nível 4, e o que a torna completa
«Informação 1: na Figura 1B, o contacto entre o Haselgebirge e os calcários de Plassen é uma superfície de erosão, o que mostra que o sal-gema já tinha subido e estava exposto à superfície antes de os calcários de Plassen se depositarem sobre ele. Informação 2: segundo o Texto 1, a convergência das placas Africana e Eurasiática, no Cenozoico, deformou e comprimiu as rochas da região, formando os Alpes; o sal foi levantado e encontra-se hoje a altitude elevada.»
Cada informação tem o dado (superfície de erosão; convergência das placas) e a consequência (sal exposto antes de Plassen; rochas levantadas a altitude elevada).
onde se perdem pontos
- Usar o texto para a Informação 1. O enunciado pede um dado da Figura 1B. A frase «Antes do final do Jurássico, o sal-gema […] ascendeu» repete a informação, não a apoia com o corte — e não vale o elemento A.
- Nomear a superfície de erosão sem dizer o que prova. «Há uma superfície de erosão» é meio caminho; tens de dizer que ela mostra que o sal esteve exposto (aflorou) antes de Plassen se depositar.
- Usar a sobreposição sozinha. «Plassen está por cima do sal, logo é mais recente» não justifica a subida; o sal é mais antigo do que tudo, e o que interessa é quando subiu.
- Para a Informação 2, dizer só «formaram-se os Alpes». O elo é a convergência das placas que deformou/comprimiu e levantou as rochas. Sem a causa tectónica e o efeito (altitude elevada), a explicação fica incompleta ou com falhas de rigor.
- Explicar a altitude pela ascensão do sal. A subida do sal (por ser pouco denso e plástico) aconteceu no Mesozoico e dentro da bacia, sem o tirar do nível do mar; o que o pôs a centenas de metros de altitude foi a orogenia alpina. Esta confusão faz perder o elemento B.
para reconhecer o próximo item deste tipo
Uma superfície de erosão num corte é sempre uma pista de idade relativa: o que está por baixo esteve à superfície antes do que está por cima se depositar (é uma descontinuidade, e marca um intervalo de tempo sem registo). Camadas em falta numa sequência contam a mesma história: foram erodidas. E rochas marinhas ou de bacia encontradas a grande altitude explicam-se por compressão e levantamento numa zona de convergência de placas. Quando o item disser «um dado da Figura» e «um dado do Texto», usa cada fonte para o que lhe é pedido — essa separação é, por si só, uma parte da cotação.