O ponto de partida. Cada ponto do gráfico é um par de valores medidos ao mesmo tempo: a diferença de potencial U nos terminais do painel e a corrente elétrica I que o painel fornece ao circuito. Com esse par calculas as duas grandezas que o item compara, cada uma com a sua expressão:
P=UIR=IUP é a potência fornecida pelo painel; R é a resistência do circuito exterior ao painel (no essencial, a do reóstato), porque é aos terminais dela que está aplicada a diferença de potencial U, e é ela que é atravessada pela corrente I. Lê os dois pontos, faz as contas, e compara.
1.º — ler as coordenadas de A e de B
A quadrícula anda de 0,1 em 0,1 nos dois eixos (repara que entre 0 e 0,3 V há três quadrados, e entre 0,2 e 0,4 A há dois). Os dois pontos estão em cruzamentos da quadrícula:
- A: UA=0,6 V e IA=0,8 A;
- B: UB=1,4 V e IB=0,3 A.
2.º — a potência fornecida pelo painel
PA=UAIA=0,6×0,8=0,48 WPB=UBIB=1,4×0,3=0,42 WEm B a diferença de potencial é mais do dobro da de A, mas a corrente caiu para menos de metade — e o produto ficou menor. A potência em B é inferior.
3.º — a resistência do circuito
RA=IAUA=0,80,6=0,75 ΩRB=IBUB=0,31,4≈4,7 ΩA resistência em B é superior. Nem precisavas da conta: de A para B, U aumenta e I diminui, e um quociente cujo numerador cresce e cujo denominador decresce só pode aumentar.
É isto que se faz na experiência: aumentar a resistência do reóstato faz diminuir a corrente e aumentar a diferença de potencial nos terminais do painel — percorre-se a curva da esquerda para a direita, de A para B.
Resposta: opção (C).
onde está a potência máxima
A potência não varia sempre no mesmo sentido ao longo da curva. No troço quase horizontal (onde está A), a corrente quase não muda e P=UI cresce com U; no troço a pique (onde está B), a corrente cai depressa e P diminui. O máximo fica no «joelho» da curva, perto de 1,2 V, onde P≈1,2×0,74≈0,9 W — bem acima dos dois pontos. É por isso que A e B, um de cada lado do joelho, dão potências parecidas, e é por isso que tens de calcular, e não adivinhar pela posição dos pontos. É também a ideia central da atividade laboratorial com o painel: há uma resistência exterior para a qual a potência fornecida é máxima.
a origem de cada opção errada
- (A) superior / superior — acerta na resistência, mas olha só para a diferença de potencial: «em B, U é maior, logo a potência é maior». Esquece que a corrente caiu de 0,8 para 0,3 A, e que a potência é o produto das duas.
- (B) superior / inferior — erra as duas. Para a potência, o mesmo engano da (A). Para a resistência, confunde-a com a inclinação da curva: em B a curva é muito inclinada e quem pensa «muita variação de I para pouca variação de U quer dizer pouca resistência» conclui que a resistência é menor. Mas a resistência do circuito naquele ponto é IU, a razão das coordenadas, não o declive da curva.
- (D) inferior / inferior — acerta na potência e cai no mesmo engano da inclinação para a resistência (ou calcula UI em vez de IU: 1,40,3<0,60,8).
onde se perdem pontos
Item de escolha múltipla, dicotómico: 10 pontos ou zero.
- Comparar só uma das grandezas. A potência é UI: um aumento de U pode ser mais do que compensado por uma descida de I, e aqui é.
- Ler a resistência pelo declive da curva. Num ponto, a resistência do circuito é IU — as coordenadas do ponto —, nunca a inclinação do gráfico.
- Trocar os eixos ao ler. No gráfico, I está na vertical e U na horizontal. Ler A como (0,8 V;0,6 A) estraga as duas contas.
- Assinalar duas opções. Só conta a que surgir em primeiro lugar.
- Item facultativo. Conta entre os que podem ficar de fora (contam os quatro melhores), mas deixá-lo em branco nunca compensa: vale zero e entra na escolha como qualquer outro.
a regra a fixar
Num gráfico I(U) de um gerador (pilha, painel fotovoltaico), cada ponto é um estado do circuito: a potência fornecida é o produto das coordenadas, P=UI, e a resistência exterior é o quociente, R=IU. Aumentar a resistência exterior faz andar o ponto para a direita, e a potência passa por um máximo pelo caminho.