O ponto de partida. O voltímetro da Figura 5 é analógico: tem uma escala e um ponteiro. Num aparelho assim, a incerteza de leitura é, por convenção, metade da menor divisão da escala. E o resultado de uma medição escreve-se como (valor medido±incerteza), com o valor medido com as mesmas casas decimais que a incerteza. Tens, por isso, duas leituras a fazer no visor: quanto vale a menor divisão, e onde está o ponteiro.
1.º — quanto vale a menor divisão da escala
Olha para o intervalo entre duas marcas numeradas consecutivas — por exemplo, entre o 1 e o 2. Lá dentro há quatro marcas menores. Quatro marcas dividem o intervalo em cinco espaços iguais (conta os espaços, não os traços):
menor divisa˜o=51 V=0,2 VAs marcas menores entre o 1 e o 2 valem, portanto, 1,2; 1,4; 1,6 e 1,8 V.
2.º — a incerteza de leitura
Metade da menor divisão:
incerteza=20,2 V=0,1 VA incerteza está nas décimas. Isto diz-te logo como se escreve o valor medido: com uma casa decimal. Já só sobram as opções (B) e (D).
3.º — a leitura do ponteiro
O ponteiro toca a escala entre a marca de 1,2 V e a de 1,4 V, sensivelmente a meio. Numa escala analógica podes (e deves) estimar a posição entre duas marcas — é precisamente por isso que a incerteza é metade da divisão, e não a divisão inteira. A meio de 1,2 e 1,4 está 1,3 V, um valor com uma casa decimal, como a incerteza.
U=(1,3±0,1) VRepara no que o resultado diz: o valor verdadeiro está, com grande probabilidade, entre 1,2 V e 1,4 V — exatamente as duas marcas entre as quais o ponteiro parou.
Resposta: opção (D).
a origem de cada opção errada
- (A) (1,15±0,05) V — é a leitura de quem pensa que cada volt tem dez divisões, de 0,1 V. Com esse engano, as marcas menores depois do 1 seriam 1,1 e 1,2, o ponteiro a meio delas daria 1,15, e metade de 0,1 daria 0,05. O raciocínio está todo coerente — só a escala está mal lida. Conta as marcas: entre o 1 e o 2 há quatro, não nove.
- (B) (1,2±0,1) V — acerta na divisão e na incerteza, mas lê o ponteiro na marca mais próxima por baixo, em vez de estimar a posição entre as marcas. O ponteiro não está em cima da marca de 1,2: está a meio caminho da seguinte.
- (C) (1,25±0,05) V — junta dois enganos. Conta os traços em vez dos espaços (quatro divisões por volt, de 0,25 V cada), lê o ponteiro perto da primeira marca, 1,25 V, e depois «arranja» uma incerteza com as mesmas casas decimais da leitura. Mas a incerteza não se escolhe para condizer com o número: sai da escala do aparelho.
onde se perdem pontos
Item de escolha múltipla, dicotómico: 10 pontos ou zero.
- Contar traços em vez de espaços. Quatro marcas menores fazem cinco divisões. É o erro que leva à (A) ou à (C).
- Usar a menor divisão inteira como incerteza. Num aparelho analógico é metade dela; a divisão inteira (0,2 V) não está em nenhuma opção, mas é um engano frequente noutros itens.
- Confundir com a regra dos aparelhos digitais. Num visor digital a incerteza de leitura é a menor variação que o mostrador apresenta (uma unidade do último dígito), não metade. Aqui o visor é de ponteiro.
- Escrever o valor medido com casas decimais a mais ou a menos do que a incerteza. (1,30±0,1) ou (1,3±0,05) não são formas corretas.
- Assinalar duas opções. Só conta a que surgir em primeiro lugar.
a regra a fixar
Aparelho analógico: incerteza de leitura = metade da menor divisão, e a menor divisão conta-se pelos espaços entre marcas. O valor medido estima-se entre marcas e escreve-se com as mesmas casas decimais da incerteza.