O ponto de partida. Há três ideias encadeadas neste item, e cada uma é uma etapa pontuada:
- a estequiometria diz quanto N2 se formaria se todo o NH3 reagisse — a quantidade prevista (teórica);
- o rendimento diz que fração dessa quantidade se obtém de facto: η=nprevistanobtida×100%;
- o volume molar converte quantidade de gás em volume: V=nVm.
1.º — quem limita a reação
Antes de qualquer conta, decide a partir de que reagente calculas. O enunciado diz que há excesso de O2(g): o O2 sobra, e o que acaba primeiro é o NH3. O NH3 é o reagente limitante — é ele que determina quanto produto se pode formar. Por isso os 2,3 mol de NH3 são o teu ponto de partida, e não precisas de saber quanto O2 havia.
2.º — a quantidade de N2 prevista pela estequiometria
Lê os coeficientes da equação: 4 NH3 dão 2 N2. A proporção entre o N2 formado e o NH3 consumido é 42=21 — por cada 2 moles de amoníaco, forma-se 1 mole de dinitrogénio (faz sentido: cada molécula de N2 leva dois átomos de nitrogénio, e cada NH3 só tem um).
n(NH3)n(N2)=42⟹nprevista(N2)=42×2,3 mol=1,15 molEste é o N2 que se formaria se a reação fosse completa, com rendimento de 100%.
3.º — a quantidade de N2 que se obtém, pelo rendimento
O rendimento é de 30%: só se obtém 30% da quantidade prevista. Da definição de rendimento,
η=nprevistanobtida×100%⟺30%=1,15 molnobtida(N2)×100%nobtida(N2)=0,30×1,15 mol=0,345 molRepara na direção: a quantidade obtida tem de ser menor do que a prevista. Se te sair um valor maior, dividiste pelo rendimento em vez de multiplicar.
4.º — do número de moles ao volume
O volume molar diz quanto espaço ocupa uma mole de gás nas condições da reação: 24,1 dm3 por mole. Usa o valor do enunciado — não o 22,4 dm3mol−1 das condições PTN, que não são as deste motor.
V(N2)=nVm=0,345 mol×24,1 dm3mol−1=8,31 dm3≈8,3 dm3As moles cancelam-se e fica dm3, a unidade de um volume.
O volume de N2(g) formado na combustão é 8,3 dm3.
aplicar o rendimento no fim
Podes trocar a ordem das duas últimas etapas: calcular primeiro o volume previsto, Vprevista=1,15×24,1=27,7 dm3, e só depois aplicar o rendimento, V=0,30×27,7=8,3 dm3. O resultado é o mesmo, porque o volume é proporcional à quantidade. É um processo cientificamente correto e é aceite — mas o caminho pela quantidade de matéria segue a ordem das etapas dos critérios, e deixa à vista o valor intermédio que o corrector procura (0,345 mol).
as ordens de grandeza
2,3 mol de NH3 dariam, no máximo, cerca de 1,2 mol de N2, ou seja, menos de 30 dm3. Com só 30% de rendimento, um resultado à volta de um terço disso — 8 a 9 dm3 — é o esperado.
onde se perdem pontos
Item por etapas, 10 pontos: 4+3+3. Aos pontos das etapas feitas descontam-se os erros: 1 ponto se só houver erros de tipo 1; 2 pontos por um erro de tipo 2; 4 pontos por mais do que um.
- Ignorar os coeficientes estequiométricos e admitir que 2,3 mol de NH3 dão 2,3 mol de N2. É usar uma relação incorreta: a primeira etapa vale zero, e é a que vale mais (4 pontos).
- Inverter a proporção (24×2,3=4,6 mol). Formar mais moles de N2 do que de NH3 consumido é impossível — cada N2 precisa de dois átomos de nitrogénio.
- Dividir pelo rendimento em vez de multiplicar (0,301,15=3,83 mol). Obter mais produto do que o previsto pela estequiometria não tem significado físico, e as etapas com esse valor valem zero.
- Esquecer o rendimento e responder 27,7 dm3. Perdes a segunda etapa; a terceira fica com um erro que se propaga.
- Usar 22,4 dm3mol−1. É um valor diferente do fornecido no enunciado: a etapa em que o usas vale zero.
- Apresentar só o resultado final. «8,3 dm3» sozinho vale zero pontos — o enunciado pede todos os cálculos.
- Esquecer a unidade no resultado final. Erro de tipo 2: −2 pontos.
o padrão a reconhecer
Num cálculo com rendimento, a ordem é sempre a mesma: reagente limitante → quantidade prevista pela estequiometria → quantidade obtida (multiplica pelo rendimento) → a grandeza pedida (massa com M, volume com Vm). O rendimento aplica-se ao produto, e o produto obtido é sempre menos do que o previsto.