O ponto de partida. É um cálculo estequiométrico com duas «percentagens» pelo meio, e cada uma tem um papel diferente:
- os 80% são a fração mássica do Fe2O3 no minério: dizem quanto do minério é, de facto, o reagente;
- os 79% são o rendimento da reação: dizem que fração do produto previsto pela estequiometria se obtém de facto, η=nprevistanobtida×100%.
Pelo meio, a massa molar converte massas em quantidades (n=Mm) e de volta, e os coeficientes da equação relacionam a quantidade de Fe2O3 que reage com a de CO2 que se forma. Os critérios pontuam três etapas, de 4 pontos cada: a massa de Fe2O3, a quantidade estequiométrica de CO2, e a massa de CO2 produzido.
1.º — a massa de Fe2O3 numa tonelada de minério
Uma tonelada são 1000 kg, ou seja, 1,0×106 g. Converte já para gramas: as massas molares estão em gmol−1, e é com elas que vais trabalhar.
O minério não é Fe2O3 puro — só 80% da sua massa é. A restante massa (areia, outros óxidos) não entra na reação, e não pode entrar nas contas:
m(Fe2O3)=0,80×1,0×106 g=8,00×105 g2.º — a quantidade de CO2 prevista pela estequiometria
Primeiro, decide de que reagente partes. O enunciado diz que há excesso de CO(g): o CO sobra, e quem limita a reação é o Fe2O3. É o reagente limitante, e é dele que tiras a quantidade de produto.
Passa a massa a quantidade de matéria, com a massa molar dada:
n(Fe2O3)=Mm=159,70 gmol−18,00×105 g=5,009×103 molAgora lê os coeficientes da equação: 1 Fe2O3 dá 3 CO2. Por cada mole de óxido que reage formam-se três moles de dióxido de carbono (faz sentido: cada Fe2O3 tem três átomos de oxigénio, e cada um deles vai parar a um CO, que passa a CO2).
n(Fe2O3)n(CO2)=13⟹nprevista(CO2)=3×5,009×103 mol=1,503×104 mol≈1,50×104 molÉ a quantidade estequiométrica: a que se formaria se todo o Fe2O3 reagisse, com rendimento de 100%. Guarda os algarismos todos (1,503×104) para a conta seguinte, e só arredonda no fim.
3.º — a massa de CO2 que se produz, pelo rendimento
O enunciado dá o rendimento da reação «de produção de Fe(l)», e o que pedem é CO2. Não há contradição: o Fe e o CO2 formam-se na mesma reação. Se só 79% do Fe2O3 chega a reagir, forma-se 79% do ferro previsto e 79% do CO2 previsto — o rendimento é da reação, e vale para todos os produtos.
nobtida(CO2)=0,79×1,503×104 mol=1,187×104 molPor fim, de quantidade a massa, com a massa molar do CO2:
m(CO2)=n×M=1,187×104 mol×44,01 gmol−1=5,22×105 g≈5,2×105 gAs moles cancelam-se e fica g, a unidade de uma massa. Duas casas significativas no fim, como os dados com menos algarismos (1,0 tonelada, 80%, 79%).
A massa de CO2(g) produzida é 5,2×105 g (cerca de 520 kg).
aplicar o rendimento no fim, à massa
Podes calcular primeiro a massa prevista de CO2, mprevista=1,503×104 mol×44,01 gmol−1=6,61×105 g, e só depois aplicar o rendimento: m=0,79×6,61×105 g=5,2×105 g. A massa é proporcional à quantidade, por isso o resultado é o mesmo, e é um processo aceite. O que não podes saltar é a quantidade estequiométrica de CO2 (1,50×104 mol): é uma etapa pontuada por si.
as ordens de grandeza
800 kg de Fe2O3 têm cerca de 5000 mol; três vezes isso dá 15000 mol de CO2, e a cerca de 44 g por mole são uns 660 kg. Com 79% de rendimento, à volta de 520 kg. Um resultado da ordem das centenas de quilogramas, por tonelada de minério, é o que se espera — e é menor do que os 660 kg previstos, como tem de ser.
onde se perdem pontos
Item por etapas, 12 pontos: 4+4+4. Aos pontos das etapas feitas descontam-se os erros: 1 ponto se só houver erros de tipo 1 (de cálculo numérico, de transcrição, de conversão de unidades); 2 pontos por um erro de tipo 2 (por exemplo, não converter a tonelada, ou faltar a unidade no resultado final); 4 pontos por mais do que um.
- Esquecer os 80% e tratar a tonelada inteira como Fe2O3. Perdes a primeira etapa, e o erro arrasta-se para as seguintes.
- Ignorar o coeficiente 3 e admitir que cada mole de Fe2O3 dá uma mole de CO2. É usar uma relação incorreta: a etapa da quantidade estequiométrica vale zero.
- Partir do CO em vez do Fe2O3. O CO está em excesso — não sabes quanto há, e não é ele que limita a reação.
- Achar que o rendimento só se aplica ao ferro e responder com a massa prevista, 6,6×105 g. O rendimento é da reação: aplica-se a todos os produtos dela. Perdes a terceira etapa.
- Dividir pelo rendimento em vez de multiplicar. Obter mais produto do que o previsto pela estequiometria não tem significado físico, e a etapa com esse valor vale zero.
- Não converter a tonelada em gramas, ou converter mal (1 t=106 g, não 103 g). Com a massa molar em gmol−1, uma massa em toneladas ou quilogramas dá quantidades sem sentido.
- Apresentar só o resultado final. «5,2×105 g» sozinho vale zero pontos — o enunciado pede todos os cálculos.
- Esquecer a unidade no resultado final. Erro de tipo 2: −2 pontos.
o padrão a reconhecer
Num cálculo estequiométrico com um reagente impuro e um rendimento, a ordem é sempre a mesma: massa da amostra → massa do reagente (fração mássica) → quantidade do reagente limitante → quantidade de produto prevista (coeficientes) → quantidade obtida (multiplica pelo rendimento) → a grandeza pedida. A pureza aplica-se ao reagente, antes da equação; o rendimento aplica-se ao produto, depois dela.