O ponto de partida. A luz que o ganso vê vem do peixe, que está na posição real B: sai da água, atravessa a superfície no ponto O e chega ao olho do ganso. Ao passar da água para o ar refrata-se — muda de direção. O olho não sabe disso: interpreta a luz como se tivesse vindo sempre em linha reta e «vê» o peixe no prolongamento do raio que lhe chega, em A. O ângulo α é, portanto, o ângulo entre a direção em que o peixe parece estar e a direção em que ele está. A ferramenta para o calcular é a Lei de Snell-Descartes:
n1sinα1=n2sinα2em que os ângulos se medem sempre em relação à normal — a reta tracejada da figura.
1.º — identificar os dois ângulos com a normal
- No ar (nar=1,00), o raio faz com a normal um ângulo de 50,0∘ — é o dado do enunciado.
- Na água (naˊgua=1,35), o raio OB faz com a normal um ângulo que não conheces. Chama-lhe θ: é o ângulo de incidência (a luz vai da água para o ar).
2.º — aplicar a Lei de Snell-Descartes
naˊguasinθ=narsin50,0∘⇔1,35sinθ=1,00×sin50,0∘sinθ=1,35sin50,0∘=1,350,766=0,567⇒θ=34,6∘Confirma que faz sentido: a água tem índice de refração maior do que o ar, por isso, na água, o raio está mais perto da normal do que no ar. 34,6∘<50,0∘ — está certo.
3.º — onde está o ângulo α
O segmento OA é o prolongamento, para dentro de água, do raio que chega ao ganso. Uma reta que atravessa a normal faz com ela o mesmo ângulo dos dois lados (ângulos verticalmente opostos): OA faz com a normal, por baixo da superfície, os mesmos 50,0∘.
OA e OB estão ambos do mesmo lado da normal, a 50,0∘ e a 34,6∘ dela. O ângulo entre os dois é a diferença:
α=50,0∘−34,6∘=15,4∘Resposta: opção (A).
o resultado bate com a figura
Na figura, o peixe aparente (A) está mais perto da superfície e mais afastado da normal do que o real (B). É o que se espera: a direção OA está mais inclinada do que OB, e é por isso que o peixe parece estar menos fundo do que está — o mesmo efeito que faz uma piscina parecer menos funda. O ganso que mergulhe a apontar para A falha o peixe; tem de corrigir 15,4∘ na direção da vertical.
a origem de cada opção errada
- (D) 34,6∘ — é o ângulo de refração θ, entre OB e a normal. Quem o escolhe fez bem a conta da Lei de Snell-Descartes, mas parou um passo antes: confundiu o ângulo com a normal com o ângulo entre OA e OB, que é o que α marca na figura.
- (C) 28,0∘ — perto do que se obtém medindo os ângulos em relação à superfície em vez da normal: quem usa 90,0∘−50,0∘=40,0∘ na Lei de Snell-Descartes chega a sinθ=1,35sin40,0∘, ou seja, θ≈28∘, e toma esse ângulo pela resposta.
- (B) 22,0∘ — é 50,0∘−28,0∘: o mesmo engano de (C), mas levado até à subtração final. Repara que (B) e (C) formam um par, como (A) e (D): o «ângulo da água» e a diferença para 50,0∘.
onde se perdem pontos
Item de escolha múltipla e facultativo: os 10 pontos são tudo ou nada, e dos oito itens facultativos da prova contam os quatro com melhor pontuação.
- Parar no ângulo de refração. 34,6∘ está nas opções exatamente para apanhar quem não volta à figura para ver que ângulo é α.
- Medir os ângulos à superfície. Na Lei de Snell-Descartes os ângulos são sempre com a normal. O enunciado diz-to («e a normal à superfície do mar»), e a figura desenha a normal a tracejado.
- Trocar os índices de refração. Com 1,35sin50,0∘=sinθ o seno dá 1,03, maior do que 1 — impossível. Se a calculadora der erro, é este o engano.
- Calculadora em radianos. sin50 em radianos dá −0,26; confirma que a máquina está em graus antes de começar.
- Assinalar duas opções. Pelos critérios gerais, só é classificada a resposta que surgir em primeiro lugar.
para reconhecer o próximo exercício deste tipo
Num problema de posição aparente, o olho prolonga em linha reta o raio que lhe chega. Faz sempre três coisas: (1) aplica a Lei de Snell-Descartes com os ângulos medidos à normal; (2) lembra-te de que o prolongamento do raio faz com a normal o mesmo ângulo do outro lado; (3) o desvio entre a posição aparente e a real é a diferença entre os dois ângulos.