Exame de Física e Química A 2025 · Época especial — item 5.4, resolvido
Cotação 10 pontosEscolha múltiplaVerificado
Enunciado
Instituto de Avaliação Educativa · prova 715 · 2025 · Época especial
5.
Os artefactos de ferro são fabricados desde a Antiguidade, sendo frequente encontrá-los em naufrágios de diferentes épocas.
Atualmente, a maior parte do ferro é obtida a partir de minério contendo elevada percentagem de trióxido de diferro, Fe2O3(s), num alto-forno, tal como representado na Figura 3.
As reações químicas que ocorrem no alto-forno podem ser traduzidas, de forma simplificada, por
3CO(g)+Fe2O3(s)⟶2Fe(l)+3CO2(g)Figura 3
5.4.
O ferro apresenta quatro isótopos naturais, sendo o mais abundante o ferro-56, com uma abundância relativa de 91,754%. Qual das expressões permite calcular o número de átomos de ferro-56 presentes numa peça de ferro com a massa de 17,42g?
Resolução explicada
Passo a passo, com o porquê de cada passo.
O ponto de partida. Para ir de uma massa a um número de átomos passas sempre pela quantidade de matéria, em dois passos do formulário: n=Mm (da massa às moles) e N=nNA (das moles às partículas). A abundância relativa entra no fim: diz que fração dos átomos de ferro é ferro-56.
1.º — a massa molar a usar
A peça é de ferro natural, com os quatro isótopos misturados nas proporções naturais. A massa molar que corresponde a essa mistura é a do ferro, a massa atómica relativa média, que lês na tabela periódica: M(Fe)=55,85gmol−1. Não uses 56: a massa da peça é de todos os átomos de ferro, e não só dos de ferro-56.
A abundância relativa de um isótopo é a percentagem dos átomos do elemento que são desse isótopo. 91,754% dos átomos de ferro são ferro-56, e por isso multiplicas o total por 10091,754:
Em (A), os gramas da massa cancelam-se com os gramas da massa molar, as moles cancelam-se com o mol−1 de NA, e fica um número puro — um número de átomos, como tem de ser. E o valor faz sentido: 55,8517,42≈0,312mol de ferro, cerca de 1,88×1023 átomos, dos quais 91,754%, cerca de 1,72×1023, são de ferro-56.
a origem de cada opção errada
(B)100×NA55,85×17,42×91,754 — troca as duas relações: multiplica a massa pela massa molar (n=m×M, em vez de Mm) e divide pela constante de Avogadro (N=NAn, em vez de n×NA). O resultado tem unidades de g2mol−2 e um valor minúsculo — não é um número de átomos.
(C)17,42×100×NA55,85×91,754 — inverte as duas relações de outra maneira: usa mM em vez de Mm, e divide por NA. Também dá um valor muito menor do que 1.
(D)10017,42×55,85×91,754×NA — acerta na constante de Avogadro e na abundância, mas multiplica a massa pela massa molar em vez de dividir. É o engano de quem não sabe se M vai em cima ou em baixo; as unidades denunciam-no (g2mol−2 em vez de um número puro).
onde se perdem pontos
Item de escolha múltipla, opcional: os 10 pontos só contam se este item estiver entre os quatro opcionais com melhor pontuação. São tudo ou nada.
Trocar n=Mm por n=m×M. Confere as unidades: gmol−1g=mol — só a divisão dá moles.
Dividir pela constante de Avogadro em vez de multiplicar. Uma mole tem 6,02×1023 partículas: o número de átomos é muito maior do que o número de moles.
Esquecer a abundância, ou usá-la como se fosse uma fração da massa. A abundância relativa é uma fração do número de átomos, e por isso aplica-se ao número de átomos.
Escrever duas respostas. Só se classifica a que surgir em primeiro lugar.
o caminho a fixar
Massa → número de partículas: m÷Mn×NAN. Para uma amostra natural, M é a massa atómica relativa média da tabela periódica; para um isótopo em particular, multiplica no fim pela sua abundância relativa. Na dúvida sobre o que vai em cima e em baixo, confere as unidades: um número de átomos não tem unidades.
Tenta primeiro no papel.
Quem lê a resolução antes de tentar acha que percebeu — e volta a errar no exame.
Passo a passo, com o porquê de cada passo.
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✓O que erras volta sozinho, no dia em que ias esquecer