O ponto de partida. Isótopos são átomos do mesmo elemento — com o mesmo número atómico Z, isto é, o mesmo número de protões — mas com número de neutrões diferente e, por isso, número de massa A diferente. Na representação ZAX, o índice de cima é o número de massa (protões + neutrões) e o de baixo o número atómico. A prova omite o Z, porque o símbolo O já o fixa: o oxigénio é o elemento Z=8 (lês na Tabela Periódica).
Daqui sai tudo o que precisas para decidir cada característica:
- o que é igual nos três isótopos depende só de Z: o número de protões (8), a carga nuclear (+8, em unidades de carga elementar), o número de eletrões do átomo neutro (8) e, portanto, a configuração eletrónica (1s22s22p4) e o comportamento químico;
- o que é diferente depende de A: o número de neutrões (N=A−Z), a massa do átomo e a abundância na natureza.
1.º — o número de neutrões de cada isótopo
N=A−ZN(16O)=16−8=8N(17O)=17−8=9N(18O)=18−8=10O isótopo com 9 neutrões é o 17O: (b) — (2).
2.º — a massa de cada isótopo
Os três têm os mesmos 8 protões e 8 eletrões; o que muda é o número de neutrões, e cada neutrão acrescenta cerca de 1 unidade de massa atómica. O isótopo com mais neutrões, o 18O, é o de maior massa: (c) — (5).
3.º — a abundância: lê-a na Tabela Periódica
A massa atómica relativa que a Tabela Periódica da prova dá para o oxigénio é 16,00. Esse valor é a média das massas isotópicas pesada pelas abundâncias relativas, Ar=i∑xiAr,i. Se a média é praticamente 16, o isótopo 16O tem de pesar quase tudo nela: é, de longe, o mais abundante (cerca de 99,8 % dos átomos de oxigénio). (a) — (1).
Resposta: (a) — (1); (b) — (2); (c) — (5).
os números que sobram
Sobram o (3) e o (4), e nenhum deles serve a nenhum isótopo do oxigénio:
- a configuração 1s22s22p63s23p4 tem 2+2+6+2+4=16 eletrões: é a do enxofre (Z=16). Qualquer isótopo do oxigénio tem 8 eletrões e a configuração 1s22s22p4;
- uma carga nuclear +17 quer dizer 17 protões: é um átomo de cloro. A carga nuclear de qualquer isótopo do oxigénio é +8.
Os dois estão lá de propósito, como armadilhas — ver a seguir.
as trocas que o item convida
- 16O com (3) — leu o 16 como número de eletrões (ou como número atómico) e escreveu a configuração de um átomo com 16 eletrões. O 16 é o número de massa: conta protões e neutrões.
- 17O com (4) — o mesmo engano com outro número: leu o 17 como número de protões e atribuiu-lhe a carga nuclear +17. A carga nuclear só depende de Z, igual nos três isótopos.
- 18O com (2) — fez A−Z com Z=9, ou contou os neutrões a partir do número de massa errado. Com Z=8, o 18O tem 10 neutrões.
- 16O com (5) — confundiu «mais abundante» com «de maior massa». São características diferentes: o mais abundante é o mais leve.
onde se perdem pontos
Item de associação, classificado de forma dicotómica: os 10 pontos só se atribuem à associação completa e correta das três letras. Duas associações certas e uma errada valem zero, tal como três erradas.
É um dos oito itens facultativos da prova: só contam para a classificação final os quatro facultativos com melhor pontuação. Isso não é razão para o deixar em branco — um branco vale 0 e entra na escolha dos melhores como qualquer outro.
- Ler o número de massa como número atómico. É o engano que as opções (3) e (4) premiam, e um só leva o item inteiro.
- Achar que isótopos diferentes têm configurações eletrónicas diferentes. A configuração depende do número de eletrões, que no átomo neutro é igual a Z — o mesmo para os três.
- Deixar em branco. Errar não tira pontos; o branco vale 0 de certeza. Mesmo com dúvidas entre duas hipóteses, responde.
- Escrever duas respostas. Os critérios gerais dizem que, se aparecer mais do que uma resposta ao mesmo item, só se classifica a que surgir em primeiro lugar. Riscar mal ou acrescentar «ou (…)» não salva nada.
- Não indicar a versão da prova. Os critérios gerais são claros: sem indicação inequívoca da versão, todas as respostas aos itens de seleção valem zero. Esta chave é a da Versão 1; na Versão 2 as opções estão por outra ordem.
a regra a fixar
Num isótopo ZAX: Z decide o elemento e tudo o que é eletrónico ou químico (protões, carga nuclear, eletrões, configuração, propriedades químicas); A decide a massa e, com Z, o número de neutrões, N=A−Z. Para saber qual o isótopo mais abundante, compara a massa atómica relativa da Tabela Periódica com os números de massa: a média fica sempre perto do isótopo que domina.