O ponto de partida. Duas ideias, e cada uma é uma etapa dos critérios:
- a energia que um corpo recebe ou cede como calor, sem mudar de estado, é E=mcΔT, onde c é a capacidade térmica mássica e ΔT a variação de temperatura;
- o sistema ferro + óleo mineral está isolado (o enunciado garante que todas as transferências ocorrem no seu interior): pela conservação da energia, a energia que o óleo cede é igual à que o ferro recebe, Eoˊleo+Eferro=0.
O ferro é o corpo de que conheces tudo (massa e capacidade térmica mássica); o óleo é o de que falta a massa. Por isso calculas primeiro a energia do ferro, e usas depois o balanço para chegar à massa do óleo.
ler o gráfico
As curvas não estão identificadas na figura, mas o enunciado di-lo: o óleo estava a uma temperatura superior à da peça. Por isso:
- a curva que começa em 25 ∘C e desce é a do óleo: θi, oˊleo=25 ∘C;
- a curva que começa em 10 ∘C e sobe é a do ferro: θi, ferro=10 ∘C;
- as duas encontram-se em 20 ∘C, a temperatura de equilíbrio, θf=20 ∘C.
Repara que o eixo do tempo não tem escala: não precisas dele. Para a energia transferida só contam as temperaturas inicial e final.
1.º — a energia recebida pela peça de ferro
A capacidade térmica mássica vem em Jkg−1K−1 e as temperaturas em graus Celsius. Não precisas de converter: uma variação de 1 ∘C é igual a uma variação de 1 K, porque as duas escalas só diferem de uma constante (T=θ+273,15), que se cancela na diferença:
ΔTferro=20−10=10 ∘C=10 KEferro=mferrocferroΔTferro=2,25 kg×444 Jkg−1K−1×10 K=9,99×103 JO valor é positivo: o ferro recebe energia, como esperavas — aqueceu.
2.º — o balanço de energia e a massa do óleo
Como não há trocas com o exterior, toda a energia que o ferro recebeu veio do óleo. A energia do óleo tem o mesmo valor e sinal contrário:
Eoˊleo=−Eferro=−9,99×103 JPara o óleo, ΔToˊleo=20−25=−5 K (negativo: arrefeceu). Aplica E=mcΔT ao óleo e resolve em ordem à massa:
−9,99×103=moˊleo×1850×(−5)moˊleo=1850×(−5)−9,99×103=92509,99×103=1,08 kg≈1,1 kgOs dois sinais negativos cancelam-se e a massa sai positiva, como tem de ser. Se preferires trabalhar só com valores absolutos — «energia cedida pelo óleo = energia recebida pelo ferro», moˊleocoˊleo∣ΔToˊleo∣=9,99×103 J —, chegas ao mesmo, desde que digas que estás a igualar os módulos.
O resultado escreve-se com dois algarismos significativos, como nos critérios: a variação de temperatura do óleo, lida no gráfico (5 ∘C), é o dado que limita.
A massa do óleo mineral é 1,1 kg.
as ordens de grandeza
O óleo tem uma capacidade térmica mássica cerca de 4 vezes maior do que a do ferro (1850 contra 444), e variou de temperatura metade do que o ferro variou (5 contra 10). Por cada quilograma, o óleo troca então cerca de 4×21=2 vezes mais energia do que um quilograma de ferro. Para trocar a mesma energia, precisa de cerca de metade da massa do ferro: 22,25≈1,1 kg. Bate certo.
onde se perdem pontos
Item por etapas, 10 pontos: 5+5. Aos pontos das etapas feitas descontam-se os erros: 1 ponto se só houver erros de tipo 1; 2 pontos por um erro de tipo 2; 4 pontos por mais do que um.
- Trocar as curvas. Tomar o ferro de 25 para 20 ∘C contradiz o enunciado (o óleo é que estava mais quente) e dá Eferro=5,00×103 J e moˊleo=0,27 kg — valores que não se enquadram nas condições do enunciado.
- Usar a diferença entre as temperaturas iniciais (25−10=15) como ΔT de algum dos corpos. Cada corpo tem a sua variação: do seu valor inicial até ao de equilíbrio.
- Trocar as capacidades térmicas mássicas (usar 1850 no ferro e 444 no óleo). É usar valores que não se enquadram nas condições do enunciado: as etapas em que os usas valem zero.
- Somar 273 a uma só das temperaturas. Ou convertes as duas ou nenhuma; numa diferença, a conversão não muda nada.
- Esquecer o sinal e igualar Eoˊleo=+9,99×103 J com ΔT=−5 K: sai uma massa negativa, que não tem significado físico, e a etapa vale zero.
- Apresentar só o resultado final. «1,1 kg» sozinho vale zero pontos — o enunciado pede todos os cálculos.
- Esquecer a unidade no resultado final. Erro de tipo 2: −2 pontos.
o padrão a reconhecer
Dois corpos a temperaturas diferentes, postos em contacto num sistema isolado: a energia que um cede é a que o outro recebe, m1c1ΔT1+m2c2ΔT2=0. Calcula primeiro a energia do corpo de que sabes tudo, e usa o balanço para a incógnita do outro. Cada ΔT vai da temperatura inicial desse corpo até à temperatura de equilíbrio, que é comum aos dois.