O ponto de partida. A energia necessária para aquecer uma amostra, sem mudança de estado, é
E=mcΔθem que c é a capacidade térmica mássica do material e Δθ a variação de temperatura. A energia depende, portanto, de três coisas: a massa, o material (c) e o quanto a temperatura tem de subir. Neste item as massas são iguais, mas os materiais e as variações de temperatura são diferentes — e as duas diferenças contam.
Repara no que não se pede: a energia para fundir os metais. O aquecimento pára quando cada amostra atinge a sua temperatura de fusão; a energia da mudança de estado (a variação de entalpia de fusão) não entra.
1.º — a variação de temperatura de cada amostra
As duas amostras partem de 25 ∘C e cada uma vai até ao seu ponto de fusão (tabela):
ΔθFe=1538−25=1513 ∘CΔθPb=327−25=302 ∘CNão precisas de passar a kelvin: uma variação de 1 ∘C é igual a uma variação de 1 K, e as capacidades térmicas mássicas vêm em Jkg−1∘C−1.
2.º — escrever a razão e simplificar
EPbEFe=mcPbΔθPbmcFeΔθFe=cPbΔθPbcFeΔθFeA massa é a mesma e corta-se: é por isso que o enunciado não precisa de dizer quanto vale.
3.º — calcular
EPbEFe=130×302450×1513=39260680850=17,3Resposta: opção (D).
o resultado faz sentido
O ferro precisa de mais energia por duas razões que se multiplicam: a capacidade térmica mássica é cerca de 3,5 vezes maior (130450) e a temperatura tem de subir cerca de 5,0 vezes mais (3021513). 3,5×5,0≈17. Bate certo.
É também a razão pela qual os ferreiros preferiam o chumbo: para levar a mesma massa até ao ponto de fusão, o ferro exige cerca de 17 vezes mais energia.
a origem de cada opção errada
- (A) 3,5 — é cPbcFe=130450=3,46: só a razão das capacidades térmicas mássicas. Esquece que as duas amostras não sobem a mesma variação de temperatura — seria a resposta certa se as duas tivessem de aquecer o mesmo número de graus.
- (B) 4,7 — é 3271538=4,70: a razão dos pontos de fusão. Esquece as capacidades térmicas mássicas e a temperatura inicial.
- (C) 16,3 — é 130×327450×1538=16,3: usa as temperaturas de fusão como se fossem as variações de temperatura, isto é, esquece que as amostras começam a 25 ∘C. É o distrator mais perigoso, porque tem a estrutura certa; a diferença está toda em subtrair os 25 ∘C.
onde se perdem pontos
Item de escolha múltipla, e facultativo: dos oito itens facultativos, só contam os quatro com melhor pontuação. Os 10 pontos são tudo ou nada.
- Usar temperaturas em vez de variações de temperatura. Em E=mcΔθ entra quanto a temperatura sobe, não a temperatura final. Leva-te à (C).
- Somar a energia de fusão. O enunciado diz «até atingirem as respetivas temperaturas de fusão»: a fusão em si não está incluída.
- Inverter a razão. EFeEPb=0,058 não está nas opções, mas é um aviso: confirma sempre qual das energias está no numerador.
- Deixar em branco. Errar não tira pontos; o branco vale 0 de certeza.
- Escrever duas respostas. Só se classifica a que surgir em primeiro lugar.
- Não indicar a versão da prova. Sem indicação inequívoca da versão, os itens de seleção valem zero. Esta chave é a da Versão 1.
a regra a fixar
Numa razão de energias de aquecimento, escreve E=mcΔθ para cada corpo, divide uma pela outra e corta o que é igual. Ficam as razões que interessam — aqui, c e Δθ — e cada distrator é uma delas esquecida. O Δθ é sempre temperatura final menos temperatura inicial.