O ponto de partida. Uma onda é periódica no espaço e no tempo, e cada periodicidade tem a sua grandeza:
- o comprimento de onda, λ, é a periodicidade espacial: a menor distância entre dois pontos do meio que estão sempre no mesmo estado de vibração — por exemplo, duas cristas consecutivas. Lê-se num «retrato» da onda, como a Figura 2;
- o período, T, é a periodicidade temporal: o tempo que cada ponto do meio (aqui, o batel) demora a fazer uma oscilação completa. A frequência é o seu inverso, f=T1, o número de oscilações por segundo.
As duas ligam-se porque, num período, a onda avança exatamente um comprimento de onda. É essa ideia que te deixa tirar o período de dois retratos tirados em instantes diferentes.
1.º — ler a escala
O segmento da escala tem o comprimento de uma quadrícula e vale 0,1 m. Cada quadrícula da figura corresponde, portanto, a 0,1 m, na horizontal e na vertical.
2.º — o comprimento de onda
Na curva a cheio, conta as quadrículas entre as duas cristas: são 12 quadrículas. Logo
λ=12×0,1 m=1,2 mConfirma com outro par de pontos equivalentes: da crista ao vale vão 6 quadrículas, que são meio comprimento de onda. Isto elimina (A) e (B).
3.º — quanto avançou a onda em 0,20 s
A curva a tracejado é a mesma onda 0,20 s depois. Compara a posição de uma crista nas duas curvas: a crista a tracejado está 3 quadrículas à direita da crista a cheio (o mesmo para os vales). Em 0,20 s, a onda avançou
Δx=3×0,1 m=0,30 m=4λ4.º — do quarto de comprimento de onda ao período
Se num período a onda avança um comprimento de onda, então avançar 4λ leva 4T:
4T=0,20 s⟹T=0,80 s⟹f=T1=0,801=1,25 HzO batel conta a mesma história. No instante inicial está na posição de equilíbrio (sobre a curva a cheio, a meio entre a crista e o vale); 0,20 s depois está no ponto mais alto (o contorno pontilhado, sobre a crista da curva a tracejado). Ir do equilíbrio ao máximo é um quarto de oscilação: outra vez 4T=0,20 s.
Repara também que o batel só sobe e desce — não é arrastado para a direita com a onda. A onda transporta energia, não transporta a matéria do meio.
Resposta: opção (D) — 1,2 m e 1,25 Hz.
a velocidade de propagação bate certo
Pela relação fundamental das ondas, v=λf=1,2×1,25=1,5 ms−1. Diretamente da figura, a onda avançou 0,30 m em 0,20 s: v=0,200,30=1,5 ms−1. As duas contas concordam. (Em rigor, a onda podia ter avançado 4λ mais um número inteiro de comprimentos de onda; a figura mostra a situação mais simples, e é essa que se lê.)
a origem de cada opção errada
- (A) 0,6 m e 0,8 Hz — os dois erros juntos: mede o comprimento de onda da crista ao vale (meio comprimento de onda) e escreve o período, 0,80 s, como se fosse a frequência.
- (B) 0,6 m e 1,25 Hz — acerta na frequência, mas toma a distância entre uma crista e o vale seguinte como comprimento de onda. Crista e vale estão em oposição, não no mesmo estado de vibração.
- (C) 1,2 m e 0,8 Hz — acerta no comprimento de onda e chega ao período certo, 0,80 s, mas para aí e não o inverte. A frequência é T1.
onde se perdem pontos
Item de escolha múltipla, e facultativo: dos oito itens facultativos da prova, só contam os quatro com melhor pontuação. Os 10 pontos são tudo ou nada.
- Ignorar a escala. A figura está à escala, e a escala é uma quadrícula =0,1 m. Contar quadrículas e esquecer de as converter não leva a nenhuma opção.
- Ler o período diretamente nos 0,20 s. O intervalo entre as duas curvas não é um período: é o tempo de um quarto de oscilação.
- Trocar período e frequência. Verifica sempre as unidades: o período é em segundos, a frequência em hertz (s−1).
- Deixar em branco. Errar não tira pontos; o branco vale 0 de certeza. Mesmo com dúvidas entre duas opções, escolhe uma.
- Escrever duas respostas. Os critérios gerais dizem que, se aparecer mais do que uma resposta ao mesmo item, só se classifica a que surgir em primeiro lugar. Riscar mal ou acrescentar «ou (…)» não salva nada.
- Não indicar a versão da prova. Sem indicação inequívoca da versão, os itens de seleção valem zero. Esta chave é a da Versão 1; na Versão 2 as opções estão por outra ordem.
a regra a fixar
Para tirar λ e f de uma figura de onda: o comprimento de onda lê-se entre duas cristas (ou dois vales) consecutivas, nunca entre uma crista e um vale; o período tira-se do avanço da onda num intervalo conhecido, porque num período a onda avança um comprimento de onda (4λ↔4T, 2λ↔2T). No fim, confere com v=λf.