Exame de Física e Química A 2026 · Época especial — item 6.5, resolvido
Cotação 10 pontosEscolha múltiplaVerificado
Enunciado
Instituto de Avaliação Educativa · prova 715 · 2026 · Época especial
6.
Algumas embarcações estavam equipadas com canhões. Estes usavam pólvora como carga explosiva propulsora dos projéteis.
A pólvora é uma mistura constituída por nitrato de potássio, KNO3(s), enxofre, S(s), e carbono, C(s), cuja reação de combustão, na forma simplificada, pode ser traduzida por
2KNO3(s)+S(s)+3C(s)⟶K2S(s)+N2(g)+3CO2(g)
Nesta reação, a variação de entalpia associada à combustão de 1mol de S(s) é −597,73kJ.
6.5.
Para mover um canhão, este poderia ser empurrado e puxado, como se ilustra na Figura 5, em que as forças F1, F2, F3 e F4 têm igual intensidade.
Figura 5
Fontes: freepik.com; stock.adobe.com (consultado em 30/03/2026). (Adaptado)
Constituem um par de forças ação-reação as forças __________ cujos efeitos __________ .
Resolução explicada
Passo a passo, com o porquê de cada passo.
O ponto de partida. A Terceira Lei de Newton diz que as forças surgem sempre aos pares, numa interação entre dois corpos: se o corpo X exerce uma força sobre o corpo Y, então Y exerce sobre X uma força com a mesma intensidade, a mesma direção e sentido oposto. Essas duas forças formam um par ação-reação e têm quatro características que as identificam:
atuam em corpos diferentes — uma em X, a outra em Y;
resultam da mesma interação — uma é «X sobre Y», a outra é «Y sobre X»;
têm a mesma intensidade e a mesma direção, e sentidos opostos;
surgem e desaparecem ao mesmo tempo.
Daqui decorre a segunda metade da pergunta: forças só se podem anular (somar para dar zero) se atuarem no mesmo corpo — é a resultante das forças sobre um corpo que decide o seu movimento. As duas forças de um par ação-reação atuam em corpos diferentes, por isso os seus efeitos nunca se anulam: cada uma afeta o corpo onde está aplicada.
1.º — onde está aplicada cada força
O ponto de aplicação é o ponto vermelho de onde a seta parte. Lê a Figura 5 com a pergunta «quem exerce, sobre quem?»:
F1 está aplicada no homem da esquerda e aponta para a esquerda: é a força que o canhão exerce sobre o homem que o empurra;
F2 está aplicada no canhão e aponta para a direita: é a força que o homem da esquerda exerce sobre o canhão (o empurrão);
F3 está aplicada no canhão e aponta para a direita, ao longo da corda: é a força que a corda exerce sobre o canhão;
F4 está aplicada no homem da direita e aponta para a esquerda, ao longo da corda: é a força que a corda exerce sobre o homem que puxa.
2.º — procurar a interação
F1 e F2 são as duas faces da mesma interação — o contacto entre as mãos do homem da esquerda e o canhão: «canhão sobre homem» e «homem sobre canhão». Atuam em corpos diferentes, têm a mesma intensidade (o enunciado di-lo), a mesma direção e sentidos opostos. São um par ação-reação, e, como atuam em corpos diferentes, os seus efeitos não se anulam: F2 ajuda a mover o canhão, F1 é o que o homem «sente» nas mãos e o empurra para trás (é por isso que ele tem de se apoiar com força no chão).
Resposta: opção (A) — F1 e F2 … não se anulam.
a origem de cada opção errada
(D) F4 e F3 … se anulam — é a armadilha principal. As duas têm a mesma intensidade, a mesma direção (a da corda) e sentidos opostos: parecem um par. Mas não são a mesma interação: F3 é «corda sobre canhão» e F4 é «corda sobre homem» — duas interações diferentes, ambas com a corda. O par de F3 é a força do canhão sobre a corda; o par de F4 é a força do homem sobre a corda (nenhuma está desenhada). E a segunda metade também falha: atuam em corpos diferentes (canhão e homem), por isso não se anulam.
(C) F3 e F1 … se anulam — F3 atua no canhão e F1 no homem da esquerda, e vêm de interações diferentes (corda–canhão e canhão–homem). Não é um par. E, mais uma vez, forças em corpos diferentes não se anulam.
(B) F2 e F4 … não se anulam — a segunda metade está certa (atuam em corpos diferentes: canhão e homem da direita), mas não são um par: F2 é «homem da esquerda sobre canhão», F4 é «corda sobre homem da direita». Não há nenhuma interação direta entre os dois.
as forças sobre o canhão
Sobre o canhão atuam, das forças desenhadas, F2 e F3 — ambas para a direita, de igual intensidade: somam-se, e é por isso que dois homens movem melhor o canhão do que um. É assim que se combinam forças: as que atuam no mesmo corpo somam-se (e podem anular-se); as de um par ação-reação nunca entram na mesma soma.
onde se perdem pontos
Item de escolha múltipla, e facultativo: dos oito itens facultativos da prova, só contam os quatro com melhor pontuação. Os 10 pontos são tudo ou nada.
Identificar um par só pelas setas. Mesma intensidade, mesma direção e sentidos opostos não chega: as duas forças têm de vir da mesma interação entre dois corpos. Pergunta sempre «quem sobre quem?».
Dizer que as forças de um par ação-reação se anulam. Nunca se anulam: estão aplicadas em corpos diferentes. Duas forças que se anulam (como o peso e a reação normal de um corpo pousado) atuam no mesmo corpo e não são um par ação-reação.
Ler só metade da opção. A (B) tem a segunda metade certa e a primeira errada.
Deixar em branco. Errar não tira pontos; o branco vale 0 de certeza. Mesmo com dúvidas entre duas opções, escolhe uma.
Escrever duas respostas. Os critérios gerais dizem que, se aparecer mais do que uma resposta ao mesmo item, só se classifica a que surgir em primeiro lugar. Riscar mal ou acrescentar «ou (…)» não salva nada.
Não indicar a versão da prova. Os critérios são claros: sem indicação inequívoca da versão, todos os itens de seleção valem zero. Esta chave é a da Versão 1; na Versão 2 as opções estão por outra ordem.
a regra a fixar
Para encontrar o par de uma força, escreve-a como «A sobre B» e troca as letras: o par é «B sobre A». As forças de um par ação-reação estão em corpos diferentes e nunca se anulam; forças que se anulam estão no mesmo corpo e nunca são um par.
Tenta primeiro no papel.
Quem lê a resolução antes de tentar acha que percebeu — e volta a errar no exame.
Passo a passo, com o porquê de cada passo.
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✓O que erras volta sozinho, no dia em que ias esquecer