O ponto de partida. Preparar uma solução de concentração rigorosamente conhecida a partir de um soluto sólido é a atividade laboratorial AL 2.2 do 10.º ano. O princípio é este: a concentração é c=Vn, e para ela ser rigorosa tens de conhecer com rigor as duas grandezas — a quantidade de soluto (que vem de uma massa medida na balança) e o volume da solução (que vem de um balão volumétrico, aferido para conter um volume exato até ao traço de referência). A ordem das ações é a que garante que todo o soluto pesado acaba dentro do volume medido.
1.º — primeiro, a massa: E
Calculada a massa necessária (m=cVM), mede-se essa massa de ácido ascórbico na balança, num gobelé ou num vidro de relógio. Sem soluto não há nada a dissolver: E é a primeira ação.
2.º — dissolver fora do balão: B
Junta-se ao soluto uma pequena porção de água destilada e agita-se até a dissolução ser completa. Faz-se isto num gobelé, e não no balão, porque o colo estreito do balão dificulta a agitação, e porque é preciso garantir que não ficam cristais por dissolver antes de acertar o volume. Segunda ação: B.
3.º — transferir para o balão: D
A solução passa para o balão volumétrico com o volume desejado. Na prática, lava-se o gobelé várias vezes com pequenas porções de água destilada e juntam-se as águas de lavagem ao balão — a transferência quantitativa —, para que nenhum soluto fique para trás. Terceira ação: D.
4.º — acertar o volume: A
Só agora, com todo o soluto dentro do balão, se adiciona água destilada até ao traço de referência: as últimas gotas com conta-gotas, com os olhos à altura do traço, até a base do menisco lhe ficar tangente. É este passo que faz o volume da solução ser exatamente o do balão. Quarta ação: A.
5.º — homogeneizar: C
A água acabada de juntar fica por cima e a solução não tem ainda a mesma concentração em todos os pontos. Tapa-se o balão e inverte-se várias vezes para a homogeneizar. É a última ação: C.
Sequência: E – B – D – A – C.
cada troca estraga a solução
Experimenta trocar duas ações vizinhas e vê o que corre mal: acertar o volume (A) antes de transferir (D) é impossível — a solução não cabia, ou o volume deixava de ser o do traço; homogeneizar (C) antes de completar até ao traço (A) deixa a água final por misturar; dissolver (B) antes de medir (E) não faz sentido. A ordem não é uma convenção: é a única que garante n e V rigorosos.
onde se perdem pontos
Item de ordenação, e facultativo: dos oito itens facultativos da prova, só contam os quatro com melhor pontuação. A classificação é dicotómica: os 10 pontos são atribuídos apenas à sequência inteira correta. Uma só letra fora do sítio vale zero.
- Completar até ao traço antes de transferir. É o erro mais comum: «adicionar água até ao traço» (A) só tem sentido com a solução já no balão (D).
- Homogeneizar cedo de mais. Inverter o balão (C) antes de acertar o volume (A) deixa por misturar a água que se junta no fim.
- Pôr o soluto e a água diretamente no balão, saltando o B. Neste procedimento a dissolução completa vem antes da transferência; trocar B com D inverte o procedimento descrito.
- Não indicar a versão da prova. Esta chave é a da Versão 1; na Versão 2 as ações têm outras letras e a sequência escreve-se de outra forma. Sem indicação inequívoca da versão, os itens de seleção valem zero.
- Escrever duas sequências. Só se classifica a que surgir em primeiro lugar.
a regra a fixar
Solução a partir de soluto sólido: medir → dissolver → transferir → completar até ao traço → homogeneizar. A mesma lógica vale para a diluição (AL 2.3): medir o volume da solução-mãe com pipeta, transferir para o balão, completar até ao traço, homogeneizar. Em ambos, o traço de referência acerta-se depois de todo o soluto estar no balão, e a homogeneização é sempre o último gesto.