O ponto de partida. O item junta duas ideias. A primeira é o movimento circular uniforme do cilindro: um corpo que roda sempre ao mesmo ritmo repete o movimento em intervalos de tempo iguais, o período T. Num período, cada ponto do cilindro descreve uma volta completa, isto é, um ângulo de 2π rad. A rapidez com que esse ângulo é varrido é a velocidade angular, e para um movimento uniforme vem da própria definição:
ω=ΔtΔθ=T2πA segunda ideia liga o ângulo ao comprimento. Um ângulo em radianos é, por definição, o quociente entre o arco e o raio, θ=rs; logo, quando o cilindro roda um ângulo θ, a sua superfície percorre um arco s=θr. Dividindo pelo tempo, a rapidez de um ponto da superfície — o módulo da velocidade linear — é
v=ωrÉ esta a velocidade com que a corda se desenrola: a corda, de espessura desprezável, está enrolada exatamente sobre a superfície do cilindro, e cada centímetro de arco que passa corresponde a um centímetro de corda que sai.
Falta a ponte para a embarcação. O enunciado diz que o batel fica parado no local onde caiu. Então, enquanto a embarcação avança, a corda que sai do cilindro é exatamente a que é preciso para cobrir a distância entre a embarcação e o batel: a corda desenrola-se com a velocidade da embarcação. Contar os nós que passam em 30 s é medir a distância percorrida pela embarcação nesse tempo, em unidades de 14,5 m.
1.º — a velocidade angular do cilindro
O período de rotação é T=7,8×10−2 s (o cilindro dá mais de doze voltas por segundo). Então
ω=T2π=7,8×10−22π=80,55 rads−1≈80,6 rads−1É a primeira etapa dos critérios (3 pontos). A unidade é o radiano por segundo: o ângulo de uma volta é 2π rad, não 360∘.
2.º — a velocidade linear da corda
Passa o raio para a unidade do Sistema Internacional antes de multiplicar: r=6,0 cm=6,0×10−2 m.
v=ωr=80,6×6,0×10−2=4,84 ms−1Se usares o valor com mais algarismos, 80,55×6,0×10−2=4,83 ms−1. Os critérios escrevem 4,84 ms−1 porque partem do ω já arredondado a 80,6; a diferença está na terceira casa e é só de arredondamento — os critérios gerais não descontam arredondamentos intermédios num item que não dá instruções sobre eles. O resultado final é o mesmo pelos dois caminhos.
Este é o módulo da velocidade com que a corda se desenrola e, pelo argumento do batel parado, o módulo da velocidade da embarcação, em metros por segundo.
3.º — da velocidade em metros por segundo à velocidade em nós
Em 30 s, com velocidade constante, a embarcação percorre (e a corda desenrola)
d=vΔt=4,84×30=145 mOs nós estão espaçados de 14,5 m. O número de nós que passam pelas mãos do marinheiro nesse tempo é
N=14,5d=14,5145=10E, pela definição do enunciado, a velocidade em nós é esse número: a velocidade da embarcação é 10 nós.
Repara que a resposta pedida não tem a unidade do Sistema Internacional — o item pede-a «em nós», e escrevê-la assim é parte da última etapa (4 pontos).
contando voltas em vez de usar a velocidade angular
Há um caminho mais «mecânico», que dá o mesmo número. Em cada volta sai da corda um comprimento igual ao perímetro do cilindro, 2πr. Em 30 s o cilindro dá
n=7,8×10−230=384,6 voltase desenrola n×2πr=384,6×2π×6,0×10−2=145 m de corda — os mesmos 10 nós. Os critérios gerais aceitam qualquer processo cientificamente correto (e adaptam as etapas); mas o caminho dos critérios, com ω e v=ωr, é o que mostra o conceito que o item quer avaliar, e é o que te recomendo na folha.
o número faz sentido
4,8 ms−1 são cerca de 17 kmh−1 — uma velocidade razoável para um navio à vela com bom vento. E o «nó» deste instrumento corresponde a 30 s14,5 m≈0,48 ms−1, muito perto do nó moderno (uma milha náutica, 1852 m, por hora, isto é, 0,51 ms−1). Um resultado de 1 nó ou de 100 nós devia fazer-te desconfiar.
onde se perdem pontos
O item é obrigatório e classificado por etapas: 3+3+4 pontos. Aos pontos das etapas feitas descontam-se os erros: 1 ponto se só houver erros de tipo 1 (de cálculo, de transcrição, de arredondamento); 2 pontos por um erro de tipo 2; 4 pontos por mais do que um.
- Usar a frequência no lugar da velocidade angular. T1=12,8 Hz é o número de voltas por segundo, não o ângulo por segundo. Multiplicado pelo raio, dá 0,77 ms−1 e menos de 2 nós — falta o fator 2π. É um erro de expressão: a etapa fica a zero, e as que dependem dela também.
- Não converter o raio. Com r=6,0 (em centímetros) obténs 483 «metros por segundo». A ausência de conversão de unidades é um erro de tipo 2 (−2 pontos), e o valor deixa de ter significado físico.
- Usar o diâmetro. O r da figura é o raio, do eixo ao bordo. Com 12 cm a velocidade duplica e saem 20 nós.
- Parar nos metros por segundo. O item pede a velocidade em nós. Sem o passo da contagem dos nós, a última etapa (4 pontos, a de maior valor) fica por fazer.
- Dividir pelos 30 s em vez de multiplicar. O número de nós é a distância percorrida em 30 s a dividir pelo espaçamento; 304,84 não é uma distância.
- Apresentar só o resultado. «10 nós» sem cálculos vale zero: o enunciado pede todos os cálculos efetuados.
para reconhecer o próximo item deste tipo
Sempre que algo se enrola ou desenrola num cilindro, numa roldana ou num tambor (uma corda, uma fita, uma correia), a velocidade com que o fio sai é a velocidade linear da superfície, v=ωr, com ω=T2π=2πf. A partir daí o problema é de movimento uniforme: distância = velocidade × tempo. E lê a unidade pedida no fim — aqui não era ms−1, eram nós.