O ponto de partida. Há dois navios com dois movimentos diferentes, e um acontecimento que os liga: o instante em que A chega a X é marcado pelo instante em que B acaba de passar por lá.
- O navio B tem movimento retilíneo uniforme: trajetória retilínea e velocidade constante. A distância que percorre é proporcional ao tempo, Δx=vΔt.
- O navio A tem movimento retilíneo uniformemente variado — mais exatamente, retardado. «A velocidade é reduzida uniformemente» quer dizer que diminui a mesma quantidade em cada segundo: a aceleração é constante e tem sentido oposto ao da velocidade.
Para um movimento retilíneo com aceleração constante valem as duas equações do formulário:
x=x0+v0t+21at2v=v0+atA segunda é a própria definição de aceleração constante: a velocidade varia a em cada unidade de tempo. A primeira — a lei das posições — vem daí: com a velocidade a variar linearmente, o gráfico velocidade-tempo é uma reta, e o deslocamento é a área debaixo dela (um trapézio), v0t+21at2. Só valem com a aceleração constante em todo o intervalo, e aqui é: o navio A trava uniformemente desde t0 até chegar a X.
A estratégia sai daqui, e é exatamente a sequência das três etapas dos critérios: o movimento de B dá-te o tempo; com o tempo e a distância, a lei das posições de A dá-te a aceleração; com a aceleração, a lei das velocidades dá-te a velocidade em X.
decompor os 1500 m
O segmento de 1500 m liga as duas proas no instante t0. As trajetórias são perpendiculares e cruzam-se em X: a proa de A, a proa de B e o ponto X são os vértices de um triângulo retângulo, com o ângulo reto em X e os 1500 m como hipotenusa. O ângulo de 25∘ está na proa de A, entre a hipotenusa e a trajetória de A.
- a distância da proa de A até X é o cateto adjacente ao ângulo de 25∘: dA=1500cos25∘=1359,5 m;
- a distância da proa de B até X é o cateto oposto: dB=1500sin25∘=633,9 m.
A figura não está à escala, por isso não tires distâncias dela a régua: tiras-lhe só a geometria — onde está o ângulo e onde está o ângulo reto.
1.º — o tempo que o navio B demora a passar completamente por X
A expressão decisiva é «ter passado, completamente, por essa posição». A proa de B chegar a X não chega: o navio inteiro tem de passar, ou seja, também a popa (a parte de trás) tem de atravessar X. A popa vai 300 m atrás da proa, por isso a proa tem de percorrer a distância até X mais o comprimento do navio:
ΔxB=dB+300=633,9+300=933,9 mO navio B anda sempre com velocidade de módulo 5,0 ms−1, por isso:
ΔtB=vBΔxB=5,0933,9=186,8 s≈187 sÉ a primeira etapa dos critérios (4 pontos). Repara que os 300 m do navio A não entram aqui: o que interessa para A é a sua proa, e é a proa que «atinge a posição X».
2.º — a aceleração do navio A
A proa de A chega a X 10,0 s depois de B ter acabado de passar. Contando o tempo a partir de t0:
t=187+10,0=197 sEscolhe o referencial antes de pôr números — é ele que decide os sinais. Eixo Ox ao longo da trajetória de A, origem na posição da proa de A no instante t0 e sentido positivo o do movimento de A. Então x0=0, v0=+10,0 ms−1 e, no instante t=197 s, x=1359,5 m. A lei das posições tem uma só incógnita, a aceleração:
1359,5=0+10,0×197+21a×197221a×38809=1359,5−1970=−610,5a=388092×(−610,5)=−3,15×10−2 ms−2O sinal negativo é o que esperavas: a aceleração tem sentido oposto ao da velocidade, e o navio está a travar. Se não travasse, em 197 s a 10,0 ms−1 teria andado 1970 m — mais 610 m do que a distância até X. O enunciado pede o módulo: 3,15×10−2 ms−2. É a segunda etapa (4 pontos).
3.º — a velocidade do navio A em X
Com a aceleração, a lei das velocidades dá-te a velocidade no instante t=197 s:
v=v0+at=10,0+(−3,15×10−2)×197=10,0−6,2=3,8 ms−1O valor é positivo: o navio A ainda se move no sentido inicial, mais devagar — travou de 10,0 para 3,8 ms−1 sem chegar a parar.
O módulo da velocidade do navio A no instante em que atinge a posição X é 3,8 ms−1.
pela velocidade média
Num movimento com aceleração constante, a velocidade média é a média aritmética das velocidades inicial e final, vm=2v0+v (é a altura média do trapézio do gráfico velocidade-tempo). Como vm=ΔtΔx=1971359,5=6,90 ms−1:
v=2×6,90−10,0=3,8 ms−1É mais curto, e os critérios aceitam qualquer processo cientificamente correto (adaptam as etapas ao processo). Mas a etapa do meio dos critérios é a aceleração: quem segue o caminho das equações do movimento deixa-a escrita e não arrisca nada. Usa este caminho para conferir.
os arredondamentos e o bom senso
Se não arredondares o tempo (186,8 s, logo t=196,8 s), obténs a=−3,14×10−2 ms−2 e v=3,82 ms−1 — o mesmo 3,8 ms−1 no fim. Os critérios usam o tempo arredondado a 187 s, e daí o 3,15×10−2; um resultado intermédio com outro arredondamento não é penalizado por si só (situação 14 dos critérios gerais). Guarda mais algarismos nos intermédios do que no resultado final.
E o bom senso: a velocidade final tem de estar entre 0 e 10,0 ms−1 (o navio trava, não inverte), e a média 210,0+3,8=6,9 ms−1 tem de bater com 197 s1359,5 m. Bate.
onde se perdem pontos
Item obrigatório, classificado por etapas: 4+4+4 pontos. Aos pontos das etapas feitas descontam-se os erros: 1 ponto se só houver erros de tipo 1 (de cálculo numérico, de transcrição, arredondamentos de valores fornecidos, conversões de unidades mal feitas); 2 pontos por um erro de tipo 2 (erro de cálculo analítico, ausência de conversão de unidades, ausência de unidade ou unidade errada no resultado pedido); 4 pontos por mais do que um erro de tipo 2. E uma etapa não percorrida vale zero — ela e as que dela dependem.
- Esquecer o comprimento do navio B. Com o tempo só até a proa de B chegar a X (126,8 s), a aceleração sai −9,0×10−4 ms−2 e a velocidade final 9,9 ms−1 — o navio quase não travava. A primeira etapa fica com o valor errado, e as seguintes também.
- Esquecer os 10,0 s. O navio A chega a X depois de B ter passado: com t=187 s a aceleração sai −2,92×10−2 ms−2 e a velocidade final 4,5 ms−1.
- Trocar o seno e o cosseno. A distância de A até X é o cateto adjacente ao ângulo de 25∘. Com os catetos trocados, a velocidade final sai negativa (−6,3 ms−1): o navio teria invertido o sentido, o que contradiz o enunciado. Valores que careçam de significado físico anulam as etapas em que aparecem.
- Tratar o navio A como se tivesse velocidade constante. 1971359,5=6,90 ms−1 é a velocidade média, não a velocidade em X.
- Trocar o sinal da aceleração e escrever +21at2 com a positiva a «travar»: o erro aparece na velocidade final, que sai maior do que 10,0 ms−1. Define o sentido positivo e deixa o sinal sair da conta.
- Apresentar só o resultado. «3,8 ms−1» sozinho vale zero: o enunciado pede todos os cálculos.
- Esquecer a unidade no resultado final. É um erro de tipo 2: menos 2 pontos.
para reconhecer o próximo item deste tipo
Dois móveis e um «ao mesmo tempo» (ou «10 s depois»): o tempo é o que os liga. Tira o tempo do móvel de que sabes tudo (aqui, B, com velocidade constante), transporta-o para o outro e usa as equações do movimento uniformemente variado: a das posições para a aceleração, a das velocidades para a velocidade final. E lê com atenção as palavras que mudam a distância: «passar completamente» soma o comprimento do objeto.