O ponto de partida. Este é um problema de estequiometria em cadeia: o alumínio da lata é o produto da etapa II, cujo reagente (Al2O3) é o produto da etapa I, cujo reagente é o Al(OH)3 que te pedem. Percorres a cadeia de trás para a frente, do alumínio para o tri-hidróxido, usando em cada etapa a proporção estequiométrica dada pelos coeficientes da equação química — os coeficientes dizem em que proporção de quantidades de matéria (mol) as espécies reagem e se formam, nunca em que proporção de massas.
Pelo caminho há um rendimento. O rendimento de uma reação compara o que se obtém de facto com o que se obteria se a reação fosse completa:
η=nprevistanobtida×100%Na etapa II só se obtém 90,0% do alumínio previsto pela estequiometria (por reações incompletas, reações paralelas, perdas no processo). Para obter 20,0 g de alumínio, tens de partir de reagente suficiente para uma quantidade prevista maior. A etapa I é completa (o enunciado di-lo), e não tem rendimento a considerar.
1.º — a quantidade de alumínio numa lata
A massa molar do alumínio vem da Tabela Periódica da prova: M(Al)=26,98 gmol−1. Então
n(Al)=Mm=26,98 gmol−120,0 g=0,7413 molEsta é a quantidade de alumínio que tem de ser obtida no fim da etapa II. Primeira etapa dos critérios (2 pontos).
2.º — a quantidade prevista, tendo em conta o rendimento
O rendimento diz que só 90,0% do previsto é obtido: nobtida=0,900×nprevista. Isolando a quantidade prevista:
nprevista(Al)=0,900nobtida=0,9000,7413=0,8237 molDivide-se pelo rendimento, não se multiplica: como se perde parte do produto, o previsto tem de ser maior do que o obtido. Se multiplicasses, ficavas com menos alumínio do que o necessário para a lata. Segunda etapa (2 pontos).
3.º — a quantidade de Al2O3 na etapa II
Na equação da etapa II, 2Al2O3+3C⟶4Al+3CO2, a proporção entre o óxido e o alumínio é 2:4, ou seja, 1:2 — o que faz sentido: cada «unidade» Al2O3 tem dois átomos de alumínio. A quantidade de óxido que, reagindo completamente, daria 0,8237 mol de alumínio é
2n(Al2O3)=4n(Al)⟹n(Al2O3)=20,8237=0,4119 molTerceira etapa (3 pontos). (Com a calculadora, 20,82366=0,41183; partindo do valor já arredondado, 20,8237=0,41185, que se arredonda para 0,4119 — é este o valor dos critérios. A diferença está na quarta casa decimal e não tem consequências.)
4.º — a quantidade de Al(OH)3 na etapa I
Na etapa I, 2Al(OH)3⟶Al2O3+3H2O: são precisas 2 mol de tri-hidróxido por cada mole de óxido. Como a conversão é completa,
2n(Al(OH)3)=1n(Al2O3)⟹n(Al(OH)3)=2×0,4119=0,8238 molQuarta etapa (3 pontos).
5.º — a massa de Al(OH)3
Com a massa molar dada no enunciado, M(Al(OH)3)=78,01 gmol−1:
m(Al(OH)3)=n×M=0,8238 mol×78,01 gmol−1=64,3 gSão necessários 64,3 g de Al(OH)3 para produzir o alumínio de uma lata de bebida. Última etapa (2 pontos).
o rendimento no fim
A nota dos critérios diz que o cálculo do rendimento pode ser feito em qualquer momento. Podes fazer toda a cadeia estequiométrica como se a etapa II fosse completa e só no fim corrigir:
n(Al2O3)=20,7413=0,3707 moln(Al(OH)3)=2×0,3707=0,7413 molmteoˊrica=0,7413×78,01=57,83 gm=0,90057,83=64,3 gO resultado é o mesmo, porque o rendimento é um fator que multiplica toda a cadeia. Usa o caminho em que tens menos risco de te esquecer dele: corrigir logo no início, como na resolução principal, deixa-o resolvido antes das contas.
uma conservação que confirma as contas
Repara que, nas duas etapas, os átomos de alumínio só mudam de «casa»: cada Al(OH)3 tem um átomo de Al, e cada átomo de Al obtido vem de um Al(OH)3. Por isso, a quantidade de Al(OH)3 tem de ser igual à quantidade prevista de Al: 0,8238≈0,8237 mol. Bate certo (a diferença é só o arredondamento intermédio). E 64,3 g de tri-hidróxido para 20,0 g de metal também faz sentido: o alumínio é só 78,0126,98≈35% da massa do Al(OH)3, e ainda se perde 10%.
onde se perdem pontos
O item é classificado por etapas (2+2+3+3+2). Aos pontos das etapas percorridas subtrai-se 1 ponto se só houver erros de tipo 1 (de cálculo numérico, de transcrição, de arredondamento de valores fornecidos, de conversão de unidades); 2 pontos por um erro de tipo 2 (de cálculo analítico, ausência de unidades no resultado final, …); 4 pontos por mais do que um erro de tipo 2.
- Multiplicar pelo rendimento em vez de dividir. 0,7413×0,900=0,6672 mol leva a 52,0 g — menos reagente do que sem rendimento nenhum, o que não pode ser. É um erro analítico, e a etapa fica comprometida.
- Esquecer o rendimento. Chegas a 57,8 g, e falta-te uma etapa inteira (2 pontos) — com as consequências nas que dela dependem.
- Usar as massas na proporção dos coeficientes. Os coeficientes são proporções de quantidades de matéria. Passar de gramas de Al a gramas de Al2O3 com «2:4» é usar uma relação incorreta, e as etapas em que a usas valem zero.
- Inverter as proporções. Escrever n(Al2O3)=2×n(Al) (em vez de metade) ou n(Al(OH)3)=2n(Al2O3) (em vez do dobro) dá 257 g ou 16,1 g. A verificação da conservação do alumínio apanha os dois.
- Usar 27 para a massa molar do alumínio. A Tabela Periódica da prova dá 26,98. Arredondar valores fornecidos é um erro de tipo 1.
- Apresentar só o resultado. «64,3 g» sem cálculos vale zero: o enunciado pede todos os cálculos efetuados.
- Esquecer a unidade no resultado final. É um erro de tipo 2 (−2 pontos).
para reconhecer o próximo item deste tipo
Num processo em várias etapas, parte do produto que te dão e sobe a cadeia etapa a etapa, sempre em mol, usando os coeficientes de cada equação. O rendimento corrige-se dividindo a quantidade obtida pelo rendimento (para saber o que tem de estar previsto), e pode entrar em qualquer momento — mas tem de entrar. No fim, confere com a conservação dos átomos do elemento que atravessa a cadeia.