O ponto de partida. Três ideias, e cada uma serve uma etapa:
- A pilha real: U=ε−rI (formulário). A força eletromotriz ε é a energia fornecida por unidade de carga; rI é a parte dissipada dentro da pilha, na resistência interna; U é a tensão que fica disponível nos terminais para o circuito exterior. Na curva característica, ε é a ordenada na origem e r é o simétrico do declive.
- As associações: em série, os componentes são percorridos pela mesma corrente e as tensões somam-se; em paralelo, os componentes estão sujeitos à mesma tensão e as correntes somam-se (a carga que chega a um nó tem de sair por algum lado — é a conservação da carga).
- A Lei de Ohm para cada resistência: U=RI (formulário).
ler o circuito
Segue a corrente a partir da pilha: passa por R3 (no fio de baixo) e chega a um nó onde se divide por dois ramos — o de R2 e o de R1 — que se voltam a juntar antes de regressar à pilha. Portanto:
- R1 e R2 estão em paralelo entre si;
- essa associação está em série com R3 e com a pilha.
O amperímetro está no fio de cima, depois do nó do ramo de R2: só é atravessado pela corrente do ramo de R1. Os 0,40 A que lê são I1, a corrente em R1 — não a corrente na pilha. Este pormenor decide o item. (Sendo ideal, o amperímetro tem resistência nula e não altera nada no circuito.)
1.º — a resistência interna da pilha
O enunciado manda começar por aqui. Da Figura 6: com I=0, U=6,0 V, logo ε=6,0 V; com I=1,0 A, U=4,0 V. Substituindo em U=ε−rI:
4,0=6,0−r×1,0⟹r=1,06,0−4,0=2,00 ΩÉ o mesmo que calcular o declive da reta, 1,0−04,0−6,0=−2,0 VA−1, e trocar-lhe o sinal. Quando a pilha fornece 1,0 A, perde 2,0 V lá dentro.
2.º — a corrente na pilha e a tensão nos seus terminais
R1 e R2 estão em paralelo, logo sujeitas à mesma tensão; como têm a mesma resistência (8,0 Ω), pela Lei de Ohm são percorridas pela mesma corrente: I2=I1=0,40 A. As duas correntes juntam-se e formam a corrente que percorre a pilha (e R3):
I=I1+I2=0,40+0,40=0,80 AAgora a tensão nos terminais da pilha:
Upilha=ε−rI=6,0−2,00×0,80=6,0−1,60=4,40 V3.º — a tensão nos terminais de R3
A tensão nos terminais da associação em paralelo é a de qualquer um dos ramos — por exemplo, o de R1:
U1=R1I1=8,0×0,40=3,20 VA associação em paralelo e R3 estão em série, ligadas aos terminais da pilha: as suas tensões somam-se e dão a tensão da pilha.
Upilha=U1+U3⟹U3=4,40−3,20=1,20 V4.º — a resistência elétrica de R3
R3 é percorrida pela corrente total, 0,80 A (está em série com a pilha). Pela Lei de Ohm:
R3=IU3=0,801,20=1,5 ΩA resistência elétrica de R3 é 1,5 Ω.
pela resistência equivalente
Duas resistências iguais em paralelo equivalem a metade de uma: R12=R1+R2R1R2=16,08,0×8,0=4,0 Ω. A resistência exterior total vista pela pilha é IUpilha=0,804,40=5,50 Ω, e, em série, R3=5,50−4,0=1,5 Ω. Chega ao mesmo, mas salta a etapa da tensão em R3 (1,20 V); os critérios aceitam qualquer processo correto e adaptam as etapas, mas o caminho das tensões é o que os critérios descrevem, um a um.
o balanço energético
Em cada segundo, a energia que a pilha fornece tem de ser a soma das energias dissipadas em cada resistência (P=RI2 ou P=UI):
εI=6,0×0,80=4,80 WrI2+U1I+U3I=2,00×0,802+3,20×0,80+1,20×0,80=1,28+2,56+0,96=4,80 WBate certo.
onde se perdem pontos
Item obrigatório, classificado por etapas: 3+3+3+3 pontos. Aos pontos das etapas feitas descontam-se os erros: 1 ponto se só houver erros de tipo 1 (de cálculo numérico, de transcrição, arredondamentos de valores fornecidos, conversões de unidades mal feitas); 2 pontos por um erro de tipo 2 (erro de cálculo analítico, ausência de conversão de unidades, ausência de unidade ou unidade errada no resultado pedido); 4 pontos por mais do que um erro de tipo 2. E uma etapa não percorrida vale zero — ela e as que dela dependem.
- Tomar os 0,40 A como a corrente na pilha. O amperímetro está só no ramo de R1. Com I=0,40 A, a tensão na pilha sai 5,2 V e R3=5,0 Ω.
- Ignorar a resistência interna e usar os 6,0 V como tensão nos terminais da pilha: R3 sai 3,5 Ω. A força eletromotriz só é a tensão nos terminais quando não há corrente.
- Calcular r como IU=1,04,0. A resistência interna é o simétrico do declive, ΔIΔU, não o quociente das coordenadas de um ponto. Com r=4,0 Ω, a tensão em R3 sai negativa — um valor sem significado físico.
- Somar R1 e R2 como se estivessem em série. Estão em paralelo: a tensão é comum, as correntes é que se somam.
- Não seguir a instrução «Comece por determinar a resistência interna». Uma instrução sobre uma etapa é para cumprir: um processo que não a respeite vê essa etapa pontuada com zero.
- Esquecer a unidade no resultado final (Ω): erro de tipo 2, menos 2 pontos.
- Apresentar só o resultado. «1,5 Ω» sozinho vale zero: o enunciado pede todos os cálculos.
para reconhecer o próximo item deste tipo
Num circuito com uma pilha real e um amperímetro, a primeira pergunta é: que corrente passa no amperímetro? Segue os fios e vê se ele está antes ou depois de um nó. Depois, a sequência é sempre a mesma: curva característica → ε e r; corrente total → tensão nos terminais da pilha (U=ε−rI); em série as tensões somam-se, em paralelo as correntes somam-se; e a Lei de Ohm fecha cada componente.