O ponto de partida. O item é um encadeado de quatro definições, e cada uma é uma etapa dos critérios. Vale a pena tê-las claras antes de pôr números:
- Volume molar, Vm=nV: o volume ocupado por uma mole de gás. Pela Lei de Avogadro, volumes iguais de gases diferentes, à mesma pressão e à mesma temperatura, contêm o mesmo número de partículas. Logo, o volume de uma mole é o mesmo para qualquer gás nas mesmas condições — e também para uma mistura de gases como o ar, porque o que conta é o número de moléculas, não o tipo. Em condições PTN (pressão normal, 0 ∘C), a tabela de constantes da prova dá Vm=22,4 dm3mol−1.
- Massa volúmica, ρ=Vm: a massa por unidade de volume. É ela que transforma o volume de ar em massa de ar.
- Energia cinética, Ec=21mv2: a energia associada ao movimento — a que o vento traz e que o aerogerador aproveita.
- Potência, P=ΔtE: a energia transferida por unidade de tempo, em watt (1 W=1 Js−1). E o aerogerador só transforma 40% da energia cinética do ar em energia elétrica — é o seu rendimento, η=EfornecidaEuˊtil=0,40. Os outros 60% continuam no ar (que não para depois de passar pelas pás) ou são dissipados.
O fio condutor: quantidade de matéria → volume → massa → energia cinética → energia elétrica → potência. Tudo «em cada segundo», o que vai simplificar o último passo.
1.º — o volume de ar que passa em cada segundo
Em cada segundo passam n=9,0×104 mol de moléculas, em condições PTN:
V=nVm=9,0×104 mol×22,4 dm3mol−1=2,016×106 dm3A massa volúmica vem em kgm−3, por isso converte já o volume para metros cúbicos. Um metro cúbico é um cubo de 10 dm de aresta: 1 m3=103 dm3.
V=1032,016×106=2,016×103 m3≈2,02×103 m3São cerca de 2000 m3 de ar por segundo — um cubo com mais de 12 m de aresta a atravessar as pás a cada segundo.
2.º — a massa de ar que passa em cada segundo
m=ρarV=1,2 kgm−3×2,016×103 m3=2,42×103 kgMais de duas toneladas de ar por segundo. Repara que não precisas da massa molar do ar (que a prova não dá): o caminho é pelo volume e pela massa volúmica.
3.º — a energia cinética dessa massa de ar
Ec=21mv2=21×2,42×103 kg×(10 ms−1)2=1,21×105 JÉ a energia que o vento leva às pás em cada segundo — ou seja, a potência do vento que atravessa o aerogerador, 1,21×105 W.
4.º — a potência elétrica
O aerogerador converte 40% dessa energia em energia elétrica:
Eel=0,40×1,21×105=4,84×104 J(em cada segundo)E a potência é a energia por unidade de tempo, com Δt=1 s:
P=ΔtEel=1 s4,84×104 J=4,8×104 WO resultado escreve-se com dois algarismos significativos, como nos critérios: a massa volúmica (1,2) e a quantidade de matéria (9,0×104) só têm dois.
A potência elétrica fornecida pelo aerogerador é 4,8×104 W (cerca de 48 kW).
pelo rendimento em potências
Podes pensar logo em potências: a potência do vento que atravessa as pás é Pvento=ΔtEc=1,21×105 W, e o rendimento aplica-se da mesma maneira, Pel=ηPvento=0,40×1,21×105=4,8×104 W. É a mesma conta; escolhe a que te parecer mais clara, desde que a energia cinética (1,21×105 J) fique escrita, porque é uma etapa.
as ordens de grandeza
Um aerogerador de pequena ou média dimensão, com um vento de 10 ms−1 (cerca de 36 km/h), fornecer algumas dezenas de quilowatt é razoável. Se te saísse uma potência de megawatts ou de poucos watts, o mais provável seria uma conversão de unidades esquecida (por exemplo, o volume deixado em dm3 dá 4,8×107 W).
onde se perdem pontos
Item obrigatório, classificado por etapas: 3+3+3+3 pontos. Aos pontos das etapas feitas descontam-se os erros: 1 ponto se só houver erros de tipo 1 (de cálculo numérico, de transcrição, arredondamentos de valores fornecidos, conversões de unidades mal feitas); 2 pontos por um erro de tipo 2 (erro de cálculo analítico, ausência de conversão de unidades, ausência de unidade ou unidade errada no resultado pedido); 4 pontos por mais do que um erro de tipo 2. E uma etapa não percorrida vale zero — ela e as que dela dependem.
- Não converter os dm3 em m3. Com a massa volúmica em kgm−3, o volume em dm3 dá uma massa mil vezes maior. A ausência de conversão de unidades é um erro de tipo 2 (−2 pontos), e o resultado (4,8×107 W) fica absurdo.
- Usar uma massa molar do ar. A prova não a dá, e o enunciado dá-te o caminho (massa volúmica e condições PTN). Usar valores numéricos não fornecidos anula as etapas em que entram.
- Esquecer o 21 ou o quadrado da velocidade. Sem o 21, a potência sai 9,7×104 W; sem o quadrado, 4,8×103 W. Uma expressão incorreta anula a etapa.
- Aplicar 60% em vez de 40%. Os 40% são a parte convertida em energia elétrica; com 60% obténs 7,3×104 W.
- Dar o resultado em joule. O enunciado pede uma potência: a unidade é o watt. Unidade errada no resultado pedido é um erro de tipo 2.
- Apresentar só o resultado. «4,8×104 W» sozinho vale zero: o enunciado pede todos os cálculos.
para reconhecer o próximo item deste tipo
Quando um item te dá uma quantidade de matéria de gás e as condições PTN, o volume sai de V=nVm com o Vm da tabela de constantes; com uma massa volúmica, o volume passa a massa. E quando te dá tudo «em cada segundo», a energia calculada para esse segundo já é, em número, a potência em watt. O rendimento aplica-se no fim: Puˊtil=ηPfornecida.