Exame de Física e Química A 2025 · Época especial — item 8.1.2, resolvido
Cotação 12 pontosResposta abertaVerificado
Enunciado
Instituto de Avaliação Educativa · prova 715 · 2025 · Época especial
8.
A dessalinização da água do mar permite obter água potável a partir de água salgada.
8.1.
Neste processo, pode ser necessário acidificar a água do mar pela adição de uma solução aquosa de ácido sulfúrico, H2SO4(M=98,08gmol−1). Os iões SO42− podem conduzir à precipitação dos iões Ca2+, existentes na água do mar, sob a forma de sulfato de cálcio, CaSO4 . Entre o precipitado e os iões em solução estabelece-se um equilíbrio que pode ser traduzido por
CaSO4(s)⇌Ca2+(aq)+SO42−(aq)Ks=7,1×10−5, aˋ temperatura T
8.1.2.
Para estudar o efeito da adição de H2SO4(aq) a uma solução contendo Ca2+(aq), preparou-se 500cm3 de uma solução com a concentração 1,05×10−2moldm−3 deste ião, idêntica à que existe numa determinada água do mar.
Considere que, nesta situação, a concentração de SO42−(aq) é igual à concentração de H2SO4(aq).
Determine o volume máximo de solução aquosa de H2SO4(ρ=1,28gcm−3), com 30% em massa de H2SO4, que pode ser adicionado àquela solução sem que ocorra precipitação de CaSO4 , à temperatura T.
Admita que é desprezável a variação de volume devido à adição de H2SO4(aq).
Apresente todos os cálculos efetuados.
Resposta de exame
O que se escreve na prova para ter a cotação toda.
Não ocorre precipitação enquanto Qs≤Ks. A concentração máxima de SO42− é a que torna [Ca2+][SO42−]=Ks:
Ao juntar ácido sulfúrico, juntas iões SO42− a uma solução que já tem Ca2+, e Qs sobe. O volume máximo de ácido é o que leva Qs exatamente até Ks. O item é uma cadeia de quatro elos, e os critérios pontuam três:
A concentração de Ca2+ é dada: 1,05×10−2moldm−3. E não muda com a adição do ácido, por duas razões que o enunciado te garante: enquanto não há precipitação, nenhum Ca2+ sai da solução; e a variação de volume é desprezável, por isso o ião não se dilui.
Repara que não usas a solubilidade do item anterior, s=Ks. Essa é a concentração de cada ião quando o sal se dissolve em água pura, onde [Ca2+]=[SO42−]. Aqui as duas concentrações não são iguais: o cálcio vem de outra fonte e está fixo, e é o sulfato que se ajusta. É o efeito do ião comum a funcionar — com tanto Ca2+ em solução, o sulfato aguentado é menor do que Ks≈8,4×10−3moldm−3.
2.º — a massa de ácido sulfúrico nos 500 cm³
O enunciado manda considerar que a concentração de SO42− é igual à de H2SO4 (cada unidade de ácido dá um ião sulfato). Então a concentração máxima de ácido na solução é também 6,76×10−3moldm−3.
Para a quantidade de matéria, c=Vn, com o volume em dm3 porque a concentração está em moldm−3: 500cm3=0,500dm3. Como a variação de volume é desprezável, o volume da solução continua a ser este depois da adição.
Faz sentido que a massa de solução seja maior do que a de ácido: o ácido é só 30% dela.
4.º — da massa de solução ao volume
A massa volúmica liga a massa ao volume, ρ=Vm:
V(soluc¸a˜o)=ρm=1,28gcm−31,11g=0,87cm3
As unidades encaixam sem conversão: grama a dividir por grama por centímetro cúbico dá centímetros cúbicos.
O volume máximo de solução aquosa de H2SO4 que pode ser adicionado é 0,87cm3 — menos de um mililitro.
o resultado faz sentido?
Um volume tão pequeno é o que se espera. O ácido a 30% é muito concentrado — cerca de 98,08gmol−10,30×1280gdm−3≈3,9moldm−3 —, e a solução de cálcio só aguenta 6,76×10−3moldm−3 de sulfato. Por diluição: 3,9×V=6,76×10−3×500, o que dá V≈0,86cm3. O mesmo resultado por outro caminho, a menos do arredondamento (ver a seguir). E confirma também a hipótese do enunciado: 0,87cm3 em 500cm3 é uma variação de volume de menos de 0,2% — desprezável, de facto.
Sobre o último algarismo: se não arredondares nenhum valor intermédio, chegas a m(soluc¸a˜o)=1,105g e a V=0,864cm3≈0,86cm3. O 0,87 dos critérios vem de arredondar a massa da solução a 1,11g antes da última divisão. As duas respostas estão certas: pelos critérios gerais, valores com arredondamentos diferentes não implicam, por si só, qualquer desvalorização.
onde se perdem pontos
Item por etapas: 4+4+4 pontos, e aos pontos das etapas subtraem-se 1, 2 ou 4 pontos conforme os erros (critérios gerais).
Usar s=Ks como concentração máxima de sulfato. É a solubilidade em água pura, onde os dois iões têm a mesma concentração; aqui o Ca2+ já está lá e é fixo. Usar uma expressão incorreta zera a etapa em que é usada, e as seguintes só pontuam pelo que fizerem bem a partir dela.
Parar na massa de ácido.0,332g é a massa de H2SO4 puro, não a de solução. Calcular o volume com 1,280,332 salta a fração mássica e dá 0,26cm3 — a última etapa fica a zero.
Multiplicar pela percentagem em vez de dividir.0,332×0,30 dá menos massa de solução do que de ácido, o que é impossível: a solução contém o ácido.
Não converter 500cm3 em 0,500dm3.n=6,76×10−3×500 dá 3,38mol de ácido e um volume de litros. A ausência de conversão de unidades é um erro de tipo 2: −2 pontos.
Arredondar o Ks, a concentração ou a massa molar dados. Usar 98 em vez de 98,08, por exemplo, é um arredondamento de um valor fornecido: erro de tipo 1 (−1 ponto no total, quantos forem).
Resultado sem unidade. «0,87» sozinho é erro de tipo 2 (−2 pontos).
Apresentar apenas o resultado final. Vale zero; o enunciado pede «Apresente todos os cálculos efetuados».
para reconhecer o próximo item deste tipo
«Quanto se pode juntar sem que ocorra precipitação» é sempre a mesma pergunta: até onde vai Qs antes de chegar a Ks. Fixa a concentração do ião que já lá está, iguala o produto a Ks e tira a concentração máxima do outro ião. Depois é estequiometria de soluções: concentração → quantidade → massa de soluto → massa de solução (pela percentagem em massa) → volume (pela massa volúmica).
Primeiro, a resposta de exame.
A resolução explicada abre-se depois, à parte, se quiseres perceber o porquê.
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