O ponto de partida. No átomo de hidrogénio, a energia do eletrão está quantizada: só pode ter os valores dos níveis n=1,2,3,… Cada risca de um espectro de emissão corresponde a uma transição de um nível mais energético para um nível menos energético. Contar riscas é, por isso, contar as transições diferentes que podem acontecer na amostra.
1.º — traduzir «3.º estado excitado» num nível n
O estado fundamental é n=1. Os estados excitados contam-se a partir daí:
- 1.º estado excitado: n=2;
- 2.º estado excitado: n=3;
- 3.º estado excitado: n=4.
Os eletrões mais energéticos da amostra estão, portanto, no nível n=4. É o passo onde está a armadilha do item: o número do estado excitado é um a menos do que o número quântico n.
2.º — perceber porque é que a pergunta é sobre a amostra, e não sobre um átomo
Um eletrão sozinho, ao descer de n=4 até n=1, segue um caminho — por exemplo, 4→2→1 — e emite só as riscas desse caminho. Mas a amostra tem um número enorme de átomos, e em átomos diferentes os eletrões descem por caminhos diferentes: uns de uma vez só, outros em cascata, parando em níveis intermédios. No conjunto, acontecem todas as transições possíveis entre os níveis n=4, 3, 2 e 1.
3.º — contar as transições
Lista-as a partir de cada nível de partida, sempre para um nível mais baixo:
- a partir de n=4: 4→3, 4→2, 4→1 — 3 riscas;
- a partir de n=3: 3→2, 3→1 — 2 riscas;
- a partir de n=2: 2→1 — 1 risca.
3+2+1=6Cada uma destas transições tem uma energia diferente, logo uma frequência diferente, e aparece numa posição diferente do espectro: são 6 riscas.
Há uma forma rápida de confirmar: com N níveis envolvidos, o número de pares de níveis é 2N(N−1). Aqui N=4, e 24×3=6.
Resposta: opção (D).
a origem de cada opção errada
- (A) 2 — é o que sai de dois enganos juntos: ler «3.º estado excitado» como n=3 e contar só as transições que partem desse nível (3→2 e 3→1), esquecendo a cascata 2→1.
- (B) 3 — tem duas origens, e as duas são erros que vale a pena reconhecer. Ou se tomou o nível certo, n=4, mas se contaram só as transições que partem dele (4→3, 4→2, 4→1), como se o eletrão caísse sempre de uma vez; ou se tomou n=3 e se contaram corretamente todas as transições a partir daí (3→2, 3→1 e 2→1).
- (C) 5 — conta as transições que partem de n=4 (3) e de n=3 (2), mas esquece a última, 2→1. Um eletrão que desce em cascata acaba sempre por fazer essa transição para chegar ao estado fundamental.
onde se perdem pontos
Item de escolha múltipla, e facultativo: dos oito itens facultativos da prova, só contam os quatro com melhor pontuação. Os 10 pontos são tudo ou nada.
- Confundir o número do estado excitado com n. O estado fundamental não é «excitado»: o 3.º estado excitado é n=4, não n=3.
- Contar só as transições diretas para o nível 1, ou só as que partem do nível mais alto. A pergunta é sobre o espectro da amostra, onde acontecem todos os caminhos de descida, em cascata incluídos.
- Contar transições de absorção. Num espectro de emissão, o eletrão desce de nível e emite; transições para cima não dão riscas de emissão.
- Escrever duas respostas. Os critérios gerais dizem que, se aparecer mais do que uma resposta ao mesmo item, só se classifica a que surgir em primeiro lugar.
- Não indicar a versão da prova. Sem indicação inequívoca da versão, os itens de seleção valem zero. Esta chave é a da Versão 1; na Versão 2 a opção certa é a (A).
a regra a fixar
Estado excitado de ordem k ↔ nível n=k+1. E, numa amostra com eletrões até ao nível n, o espectro de emissão tem 2n(n−1) riscas: todas as descidas possíveis entre os níveis de 1 a n. Na dúvida, desenha os níveis como degraus e liga cada par com uma seta para baixo — o número de setas é o número de riscas.