O ponto de partida. O raio atómico mede, grosso modo, a distância do núcleo aos eletrões mais exteriores — os de valência. Duas coisas decidem esse tamanho, e o enunciado nomeia as duas:
- o nível de energia em que estão os eletrões de valência (o n da configuração eletrónica): quanto maior o n, mais afastados do núcleo estão, em média, esses eletrões;
- a carga nuclear (o número de protões, Z): para o mesmo nível de valência, quanto maior a carga do núcleo, mais fortemente atrai os eletrões e mais os puxa para perto.
O truque do item é que os três átomos não se comparam todos da mesma maneira: dois deles comparam-se pela carga nuclear, e o terceiro pelo nível. Vais precisar de duas comparações, cada uma com o seu argumento.
1.º — as configurações eletrónicas
Da tabela periódica: Z(Na)=11, Z(Mg)=12, Z(K)=19. No estado fundamental:
11Na: 1s22s22p63s112Mg: 1s22s22p63s219K: 1s22s22p63s23p64s1Olha para a última orbital de cada uma: o Na e o Mg têm os eletrões de valência no nível n=3; o K tem-no no nível n=4.
2.º — Na e Mg: o mesmo nível, cargas nucleares diferentes
O Na e o Mg são do mesmo período — os eletrões de valência estão no mesmo nível de energia, n=3. O nível, portanto, não os distingue.
O que os distingue é a carga nuclear: +11 no Na, +12 no Mg. Os eletrões de valência dos dois estão no mesmo nível e o número de eletrões interiores (o cerne, 1s22s22p6) é o mesmo nos dois — por isso o protão a mais do Mg faz diferença real: o núcleo do Mg exerce uma força atrativa maior sobre os eletrões de valência do que o núcleo do Na, e a nuvem eletrónica contrai-se.
Conclusão: raio atómico do Mg < raio atómico do Na.
É a tendência geral ao longo de um período: da esquerda para a direita, o raio atómico diminui, porque a carga nuclear aumenta sem que os eletrões de valência mudem de nível.
3.º — Na e K: níveis diferentes
O Na e o K são do mesmo grupo. O eletrão de valência do K está no nível n=4, superior ao do Na (n=3): ocupa uma orbital mais externa, com o eletrão, em média, mais afastado do núcleo.
Conclusão: raio atómico do Na < raio atómico do K.
E a carga nuclear do K, que é bem maior (+19)? Não inverte a conclusão. Entre o núcleo do K e o eletrão 4s há 18 eletrões interiores, que o blindam da atração do núcleo; o efeito que domina, quando se desce num grupo, é o do nível mais elevado. É a tendência geral: ao longo de um grupo, de cima para baixo, o raio atómico aumenta. (Esta parte da blindagem não é pedida pelos critérios, mas antecipa a objeção que um leitor atento faria.)
4.º — a ordenação e o texto
Juntando as duas comparações: r(Mg)<r(Na) e r(Na)<r(K). Logo, por ordem crescente de raio atómico:
Mg, Na, KO Na é a ponte entre as duas comparações — é por isso que os critérios o comparam com cada um dos outros e não comparam Mg com K diretamente. Faz o mesmo no teu texto: um parágrafo para o par Na/Mg (argumento da carga nuclear), outro para o par Na/K (argumento do nível), e uma frase final com a ordenação.
como este item é corrigido (é por níveis, não por etapas)
Não há etapas com pontos a somar. O corrector procura na tua resposta três elementos fixados nos critérios e, depois, olha para a forma: se o texto é bem estruturado e se a linguagem científica é adequada. Cruza as duas coisas e escolhe um nível:
- nível 5 — 12 pontos: os três elementos, texto bem estruturado e linguagem científica adequada;
- nível 4 — 10 pontos: os três elementos, mas com falhas de estrutura e/ou de linguagem científica;
- nível 3 — 8 pontos: apenas dois elementos, bem estruturados e com linguagem adequada;
- nível 2 — 6 pontos: apenas dois elementos, com falhas de estrutura e/ou de linguagem;
- nível 1 — 4 pontos: apenas um elemento, bem estruturado e com linguagem adequada.
Repara no que a tabela não tem: não há nível para «um elemento com falhas de linguagem». Uma resposta com um só elemento e mal escrita fica com 0 pontos. E cada elemento que falta custa 4 pontos de uma vez, enquanto as falhas de forma custam 2. O conteúdo pesa o dobro da forma — mas a forma decide o degrau dentro de cada patamar.
Os critérios gerais dizem ainda duas coisas que contam aqui: um texto estruturado é o que liga os elementos de forma conceptualmente consistente, seja qual for a ordem em que aparecem; e abreviaturas ou siglas não identificadas contam como falhas de linguagem científica. Escreve os nomes por extenso.
onde se perdem pontos
- Dar só a ordenação. «Mg<Na<K» sozinha é o elemento 3 — um elemento, nível 1, 4 pontos no máximo. O item pede que justifiques, e as justificações são os outros dois elementos (8 pontos entre eles).
- Justificar o par Na/Mg sem dizer que os eletrões de valência estão no mesmo nível. O argumento da carga nuclear só funciona porque o nível é o mesmo. Sem essa premissa o elemento 1 fica incompleto.
- Falar de «mais protões» sem ligar à força atrativa. O elemento 1 pede a cadeia inteira: carga nuclear menor ⇒ força atrativa do núcleo sobre os eletrões de valência menor ⇒ raio maior. Parar na carga nuclear deixa o raciocínio a meio.
- Usar a carga nuclear para comparar Na com K. Quem raciocina «o K tem mais protões, logo atrai mais, logo é mais pequeno» chega à ordem errada e escreve um argumento cientificamente falso. Entre elementos do mesmo grupo o que decide é o nível do eletrão de valência.
- Escrever «tem mais camadas» ou «tem mais órbitas». A linguagem do programa é nível de energia (e orbital, não órbita — órbita é do modelo de Bohr). É uma falha de linguagem científica, e custa o degrau entre níveis.
- Confundir carga nuclear com número de eletrões ou com massa. Carga nuclear é a carga do núcleo, dada pelo número de protões (Z). «O Mg é mais pesado, logo mais pequeno» não é um argumento.
- Ordenar por ordem decrescente. O enunciado pede ordem crescente: do menor para o maior raio. Com a ordem trocada, o elemento 3 não está presente.
para reconhecer o próximo item deste tipo
Comparar tamanhos (raio atómico) ou facilidade em perder eletrões (energia de ionização) resolve-se sempre com as mesmas duas perguntas, nesta ordem: os eletrões de valência estão no mesmo nível? Se não, decide o nível — maior n, maior raio. Se sim, decide a carga nuclear — maior carga, maior atração, menor raio. Um argumento por par de átomos, e o átomo do meio como ponte.