Como este item é corrigido. Os 10 pontos são atribuídos por níveis de desempenho, contando os espaços certos: as quatro opções corretas valem 10 pontos (nível 3), apenas três valem 7 (nível 2), apenas duas valem 4 (nível 1). Uma só certa, ou nenhuma, vale zero. Não há desconto por errar: responde aos quatro espaços.
O ponto de partida. Um gráfico de concentrações em função do tempo conta uma história em três actos: equilíbrio (as linhas são horizontais), perturbação e evolução (as linhas mexem-se) e novo equilíbrio (as linhas voltam a ser horizontais). Entre t0 e t1 e depois de t2 nada varia: são os dois estados de equilíbrio. Entre t1 e t2 o sistema está fora do equilíbrio, a caminho do novo.
a) — qual foi a perturbação
Olha para o instante t1 e procura a linha que dá um salto vertical. Uma variação instantânea de concentração não pode ser obra da reação (a reação leva tempo, e é por isso que as outras linhas mudam de forma gradual): é obra de quem mexeu no reator. No gráfico, só a concentração de H2 salta, e salta para cima: adicionou-se H2.
As outras duas opções ficam excluídas pelo mesmo critério. Uma remoção de I2 faria a linha do I2 saltar para baixo em t1 — e ela desce, mas devagar, curva e não degrau. Uma adição de HI faria a linha do HI saltar para cima — e ela sobe devagar, a partir do valor que tinha.
a) → 1 (adição de H2).
b) — velocidade da reação direta face à inversa
Entre t1 e t2, o H2 e o I2 (reagentes) diminuem e o HI (produto) aumenta. Isto é a reação direta a acontecer mais do que a inversa. Num equilíbrio dinâmico as duas reações ocorrem sempre; o que as concentrações mostram é o saldo. Se o saldo é a favor dos produtos, a reação direta é mais rápida do que a inversa.
É o que prevê o Princípio de Le Châtelier: o sistema responde à adição de um reagente evoluindo no sentido que o consome, isto é, favorecendo a reação direta.
b) → 1 (superior).
c) — o quociente da reação face à constante
O quociente da reação tem a mesma expressão que a constante, mas com as concentrações de um instante qualquer:
Qc=[H2][I2][HI]2Imediatamente antes de t1 o sistema estava em equilíbrio, e Qc=Kc. Em t1 o [H2], que está no denominador, aumenta de repente: o quociente diminui, e fica Qc<Kc. Enquanto o sistema caminha para o novo equilíbrio, o HI aumenta e os reagentes diminuem, e Qc vai crescendo até voltar a igualar Kc em t2. Em todo o intervalo entre t1 e t2, portanto, Qc é inferior a Kc.
Repara que as respostas b) e c) são a mesma ideia vista de dois lados: Qc<Kc é exatamente a condição em que a reação direta predomina. Sabendo uma, tens a outra.
c) → 3 (inferior).
d) — o quociente nos dois equilíbrios
Entre t2 e t3 as concentrações estão constantes: o sistema está de novo em equilíbrio, e o quociente [H2][I2][HI]2 calculado com elas é a constante de equilíbrio. Entre t0 e t1 a situação é a mesma: equilíbrio, e o quociente é a constante.
A constante de equilíbrio de uma reação só depende da temperatura, e o enunciado diz que a temperatura se manteve constante. Logo o quociente tem o mesmo valor nos dois intervalos — ainda que as concentrações individuais sejam diferentes (mais H2, menos I2, mais HI no segundo equilíbrio). As três concentrações mudaram de modo a que a razão volte ao mesmo número.
d) → 2 (igual).
Resposta: a) — 1; b) — 1; c) — 3; d) — 2.
o gráfico é coerente com a estequiometria
O gráfico não está à escala, mas a forma bate certo: entre t1 e t2, o H2 e o I2 descem enquanto o HI sobe, como mandam os coeficientes (1 H2:1 I2:2 HI — as descidas dos reagentes são iguais entre si e a subida do produto é o dobro de cada uma). E o H2 acaba acima do nível de partida mas abaixo do pico: o sistema contraria a perturbação sem a anular. É o que Le Châtelier diz, e o gráfico mostra-o.
onde se perdem pontos
- Ler «a velocidade da reação direta é superior» e concluir que a inversa parou. Não parou; é menor. Esta confusão leva muitas vezes a hesitar entre «superior» e «igual» no espaço b).
- Trocar o sentido de Qc face a Kc. Quem pensa «adicionou-se reagente, portanto o quociente aumenta» esquece que os reagentes estão no denominador. Um reagente a mais baixa o quociente.
- Achar que a constante mudou porque as concentrações de equilíbrio mudaram. As concentrações do novo equilíbrio são outras, mas Kc é o mesmo enquanto a temperatura não mudar: d) é «igual».
- Confundir a perturbação com a resposta do sistema. A descida do I2 e a subida do HI são consequências (graduais); a perturbação é o degrau. Quem escolhe «remoção de I2» ou «adição de HI» leu a curva e não o salto.
- Deixar espaços em branco. Cada espaço certo pode subir de nível: duas certas já valem 4 pontos, três valem 7.
- Não indicar a versão da prova. A chave da Versão 2 é diferente; sem versão inequívoca, os itens de seleção valem zero.
a regra a fixar
Num gráfico concentração–tempo: degrau = perturbação externa (adição ou remoção dessa espécie); curva = resposta do sistema. Enquanto as linhas se mexem, compara Qc com Kc: Qc<Kc significa reação direta predominante, Qc>Kc reação inversa predominante. E nos troços horizontais o quociente é sempre Kc, que só muda se mudar a temperatura.