O ponto de partida. Queres uma quantidade inicial e o que sabes está no equilíbrio. O que liga os dois estados é a estequiometria (quanto reagiu) e o que dá a peça que falta é a constante de equilíbrio. A ferramenta que organiza isto é o quadro de quantidades: inicial, variação, equilíbrio.
Chama x à quantidade inicial de H2, que é a incógnita.
1.º — quanto reagiu: a variação a partir do HI
No início não havia HI, e no equilíbrio há 3,2 mol: formaram-se 3,2 mol. Os coeficientes da equação, 1 H2:1 I2:2 HI, dizem que por cada 2 mol de HI formadas se gastam 1 mol de I2 e 1 mol de H2. Então
Δn(I2)=Δn(H2)=23,2=1,60 mol (diminuic¸a˜o)2.º — o I2 no equilíbrio
neq(I2)=2,0−1,60=0,40 molO quadro completo, em moles:
| H2 | I2 | HI |
|---|
| inicial | x | 2,0 | 0 |
| variação | −1,60 | −1,60 | +3,2 |
| equilíbrio | x−1,60 | 0,40 | 3,2 |
3.º — o H2 no equilíbrio, pela constante
A constante de equilíbrio escreve-se com concentrações de equilíbrio, cada uma elevada ao seu coeficiente:
Kc=[H2][I2][HI]2O volume do reator não é dado — e não precisa de ser. Escreve cada concentração como Vn e vê o que acontece:
Kc=Vneq(H2)×V0,40(V3,2)2=V20,40×neq(H2)V23,22=0,40×neq(H2)3,22O V2 do numerador e o do denominador cancelam-se. Isto acontece porque a soma dos coeficientes é igual dos dois lados (1+1=2): em reações assim, podes trabalhar com quantidades em vez de concentrações. Mas escreve o cancelamento — não inventes um volume de 1 dm3, que não é dado.
Com Kc=50 a 448 ∘C, a temperatura do enunciado:
50=0,40×neq(H2)10,24⟺neq(H2)=50×0,4010,24=2010,24=0,512 mol4.º — voltar ao início
Isto é o H2 que sobrou. O que foi introduzido é o que sobrou mais o que reagiu:
x=neq(H2)+1,60=0,512+1,60=2,112 mol≈2,1 molA quantidade de H2(g) inicialmente introduzida é 2,1 mol.
volta a calcular a constante
Com as quantidades de equilíbrio 0,512, 0,40 e 3,2 mol: 0,512×0,403,22=0,204810,24=50. Bate. E o resultado faz sentido químico: introduziram-se quantidades parecidas de H2 e I2 (cerca de 2 mol de cada), e com uma constante de 50 a reação vai longe, consumindo 80% de cada reagente.
onde se perdem pontos
Item por etapas, 10 pontos: 3+2+5. Aos pontos das etapas feitas descontam-se os erros: 1 ponto se só houver erros de tipo 1; 2 pontos por um erro de tipo 2; 4 pontos por mais do que um. A última etapa vale metade do item: não pares no H2 de equilíbrio.
- Responder 0,51 mol. É a quantidade de H2 no equilíbrio, não a inicial. Esquecer de lhe somar o que reagiu é o erro mais caro deste item, porque a pergunta é pelo que foi introduzido.
- Ignorar o coeficiente 2 do HI. Quem admite que se consumiram 3,2 mol de I2 chega a uma quantidade de I2 no equilíbrio negativa (2,0−3,2) — um valor sem significado físico, e as etapas que o usam valem zero.
- Esquecer o expoente na expressão de Kc. Com [HI] em vez de [HI]2, a expressão está incorreta e as etapas em que é usada são pontuadas com zero.
- Inventar um volume para o reator. Substituir V por 1 dm3 é utilizar um valor que o enunciado não fornece. O caminho seguro é deixar V escrito e mostrar que se cancela.
- Apresentar só o resultado final. «2,1 mol» sozinho vale zero pontos.
- Omitir as contas de uma etapa. Uma etapa sem cálculos vale zero; as seguintes só se salvam se estiver escrito o valor que ela produziu.
- Esquecer a unidade no resultado final. Erro de tipo 2: −2 pontos.
o padrão a reconhecer
Dados mistos — uns do início, outros do equilíbrio — pedem sempre o quadro inicial / variação / equilíbrio. A variação sai de uma espécie de que conheces os dois estados (aqui o HI) e reparte-se pelas outras com os coeficientes; a constante dá a quantidade de equilíbrio que falta; e a incógnita inicial é o equilíbrio mais o que reagiu. Se a soma dos coeficientes for igual dos dois lados, o volume cancela-se.