O ponto de partida. O que se pede é um volume de gás, e o que se dá é o pH de uma solução. A ponte entre os dois é a reação (2): cada mole de NaOH formado corresponde a uma mole de H2 formado. Portanto o plano é ir do pH à quantidade de NaOH e dela à quantidade de H2, e só no fim ao volume:
pH⟶[H3O+]⟶[OH−]⟶n(NaOH)⟶n(H2)⟶V(H2)As três etapas dos critérios são os três marcos deste caminho: a concentração de OH−, a quantidade de NaOH e o volume de H2.
1.º — do pH à concentração de OH−
O pH dá-te diretamente a concentração do ião oxónio, pela definição pH=−log[H3O+]:
[H3O+]=10−pH=10−13,78=1,66×10−14 moldm−3Mas numa solução básica o que interessa é o OH−. Os dois estão ligados pela autoionização da água: em qualquer solução aquosa, a uma dada temperatura,
Kw=[H3O+]×[OH−]Vai buscar o Kw à tabela de constantes, que o dá a 25 ∘C — exatamente a temperatura do enunciado: Kw=1,012×10−14. Não é 1,00×10−14, e essa diferença vê-se no resultado. Então
[OH−]=[H3O+]Kw=1,66×10−141,012×10−14=0,610 moldm−32.º — da concentração à quantidade de NaOH
O enunciado diz que o NaOH é uma base forte: dissocia-se completamente, NaOH(aq)⟶Na+(aq)+OH−(aq), uma mole de OH− por cada mole de NaOH. Por isso a concentração de NaOH na solução é a concentração de OH− que calculaste. (Os OH− vindos da autoionização da água são desprezáveis ao lado destes.)
A quantidade obtém-se de c=Vn. Antes de multiplicar, converte o volume: a concentração está em moldm−3 e o volume está em cm3. Como 1 dm3=1000 cm3, tens 270 cm3=0,270 dm3:
n(NaOH)=c×V=0,610 moldm−3×0,270 dm3=0,165 mol(Se calculares n(OH−) em vez de n(NaOH), a nota dos critérios diz que é equivalente — e é, pela razão 1:1 da dissociação.)
3.º — da quantidade de NaOH ao volume de H2
Na reação (2), NaH(s)+H2O(l)⟶NaOH(aq)+H2(g), os coeficientes do NaOH e do H2 são ambos 1: formam-se na mesma quantidade. E o enunciado garante que não há reações paralelas, isto é, todo o NaOH da solução veio desta reação. Logo
n(H2)=n(NaOH)=0,165 molO volume molar diz quanto ocupa uma mole de gás nas condições do estudo, Vm=nV. Usa o que o enunciado dá, 26,4 dm3mol−1, e não o 22,4 da tabela de constantes, que é o valor em condições PTN — e estas condições não são PTN:
V(H2)=n×Vm=0,165 mol×26,4 dm3mol−1=4,36 dm3≈4,4 dm3O volume de H2(g) formado é 4,4 dm3.
a ordem de grandeza
Um pH de quase 14 é uma solução muito básica, e 0,6 moldm−3 é uma concentração alta mas plausível. Um quarto de litro dessa solução leva perto de 0,17 mol de base, e 0,17 mol de gás, a pouco mais de 25 dm3 por mole, ocupa uns 4 litros. Um resultado em cm3 ou em centenas de dm3 seria sinal de uma conversão esquecida.
onde se perdem pontos
Item por etapas, 12 pontos, 4 por etapa. Aos pontos das etapas feitas descontam-se os erros: 1 ponto se só houver erros de tipo 1; 2 pontos por um erro de tipo 2; 4 pontos por mais do que um.
- Usar Kw=1,00×10−14 (ou pOH=14−pH). Dá [OH−]=0,603 moldm−3 em vez de 0,610, e arrasta 0,163 mol e 4,3 dm3. A prova dá 1,012×10−14 na tabela de constantes para ser usado; um valor diferente do fornecido arrisca a etapa inteira, e no mínimo conta como erro.
- Não converter 270 cm3 para dm3. Multiplicar 0,610 por 270 dá 165 mol e um volume de gás absurdo. A ausência de conversão de unidades é um erro de tipo 2: −2 pontos, e o valor obtido deixa de ter significado físico.
- Usar o volume molar em PTN (22,4 dm3mol−1). O enunciado dá o volume molar nas condições do estudo. Usar outro valor é utilizar um valor diferente do fornecido: a etapa em que o usas é pontuada com zero.
- Ir buscar a estequiometria à reação (1). Na (1) a razão é 1 H2:2 NaH; quem a usa aqui obtém metade ou o dobro do volume. A pergunta é sobre o H2 que se forma na reação (2), onde a razão NaOH:H2 é 1:1.
- Parar no [H3O+] e usá-lo como se fosse a concentração da base. 1,66×10−14 moldm−3 é a concentração do oxónio, que numa solução básica é minúscula. A base é o OH−.
- Apresentar só o resultado final. «V=4,4 dm3» sozinho vale zero pontos: o enunciado pede todos os cálculos, e os critérios classificam com zero a apresentação apenas do resultado final.
- Omitir as contas de uma etapa. Uma etapa sem cálculos vale zero; as seguintes só se salvam se estiver escrito o valor que ela devia produzir.
- Esquecer a unidade no resultado final. 4,4 sem dm3 é um erro de tipo 2 (−2 pontos). Nas etapas intermédias a falta de unidade não desconta, mas na última desconta.
o caminho a reconhecer
Quando um item te dá o pH de uma solução básica e pede uma quantidade, o caminho é sempre pH→[H3O+]→[OH−] pelo Kw da tabela, depois n=cV com o volume em dm3, e depois a razão estequiométrica da reação que liga a base ao que se pede. Cada seta é uma etapa pontuada: escreve-as todas.