O ponto de partida. Este item é sobre indução eletromagnética, e toda a resposta sai de uma única lei — a lei de Faraday, que tens no formulário:
∣εi∣=Δt∣ΔΦm∣Lê-a em voz alta: o módulo da força eletromotriz induzida é igual ao módulo da variação do fluxo magnético a dividir pelo intervalo de tempo em que essa variação acontece. Duas consequências estão escritas aqui, e são exatamente o que o item te pede:
- se o fluxo não varia (ΔΦm=0), não há força eletromotriz — e o ponteiro fica parado;
- quanto mais depressa o fluxo varia (a mesma ΔΦm num Δt menor), maior é a força eletromotriz — e maior o desvio do ponteiro.
O fluxo magnético através de uma espira é Φm=BAcosα (também no formulário): depende do campo B, da área A da espira e do ângulo α entre o campo e a normal ao plano da espira. Para o fazer variar tens de mexer numa destas três coisas.
O item pede três coisas, com um travessão cada. Responde às três, uma a uma — cada uma é um dos três elementos que o corrector procura.
1.º — a ação: mover a barra em relação à bobina
Com os materiais da Figura 3 — uma barra magnetizada, uma bobina, fios e um galvanómetro, sem pilha nenhuma — não há nada que produza corrente por si. A corrente tem de ser induzida, e para isso o fluxo magnético que atravessa as espiras da bobina tem de variar.
Das três grandezas de Φm=BAcosα, a área das espiras não muda (a bobina é rígida). O que podes mudar é o campo magnético que chega às espiras: o campo criado por um íman é mais intenso perto dele e mais fraco longe. Logo, aproximando ou afastando a barra da bobina — por exemplo, introduzindo-a no interior da bobina e voltando a retirá-la —, o campo nas espiras muda, o fluxo muda, e o ponteiro mexe-se.
Dois pormenores que mostram que percebeste o fenómeno, e que vale a pena escrever:
- o que conta é o movimento relativo. Mover a bobina com a barra parada dá o mesmo efeito; o que interessa é que uma se mova em relação à outra;
- a barra parada não faz nada, mesmo que esteja dentro da bobina e o campo lá seja intenso. O ponteiro só se mexe enquanto a barra se move. Campo intenso não é o mesmo que campo a variar.
(Se meteres a barra e a retirares, verás o ponteiro desviar-se primeiro para um lado e depois para o outro: ao entrar, o fluxo aumenta; ao sair, diminui; a corrente induzida troca de sentido. Não é pedido, mas confirma que o que gera a corrente é a variação.)
2.º — o fator: a rapidez do movimento
Volta à lei de Faraday. Ao meter a barra até ao mesmo sítio dentro da bobina, a variação do fluxo, ΔΦm, é sempre a mesma — começa e acaba nos mesmos valores. O que muda de um movimento lento para um rápido é o intervalo de tempo Δt em que essa variação acontece.
movimento mais raˊpido⇒Δt menor⇒∣εi∣=Δt∣ΔΦm∣ maior⇒corrente induzida maiorLogo, o fator que influencia a amplitude do movimento do ponteiro é a velocidade (a rapidez) com que a barra magnetizada se move em relação à bobina: quanto mais depressa a moves, maior é o desvio do ponteiro.
Porque é que a resposta é a velocidade e não outra coisa? Em geral a força eletromotriz induzida também depende do número de espiras da bobina e da intensidade do íman. Mas repara na frase do enunciado: «utilizando os materiais referidos». A bobina e a barra são aquelas — não podes trocar de íman nem enrolar mais espiras. O único fator que está nas tuas mãos, durante a experiência, é a rapidez do movimento. É esse que o item procura.
3.º — a interpretação física
Este é o elemento que explica porque acontece tudo o que descreveste. Tem de ter, por esta ordem lógica, três ideias ligadas:
- o movimento da barra faz variar o fluxo magnético que atravessa a superfície delimitada pelas espiras da bobina;
- uma variação de fluxo magnético, num certo intervalo de tempo, induz uma força eletromotriz na bobina (lei de Faraday);
- como a bobina e o galvanómetro formam um circuito fechado, a força eletromotriz induzida faz passar uma corrente elétrica induzida, que o ponteiro assinala.
Escreve a expressão fluxo magnético e escreve induz. Dizer «o íman cria corrente» ou «o magnetismo passa para a bobina» é linguagem que o corrector não aceita como científica, mesmo que a ideia por trás esteja certa.
4.º — juntar tudo num texto
O enunciado pede um texto bem estruturado, e isto vale pontos (é o que separa o nível 5 do 4). Uma estrutura segura: um parágrafo por travessão, pela ordem do enunciado, e o terceiro parágrafo a ligar os dois primeiros à lei de Faraday. Cada frase deve ter sujeito e verbo — nada de listas de palavras soltas.
Não precisas de escrever a fórmula para ter a cotação toda, mas podes citá-la: ∣εi∣=Δt∣ΔΦm∣ amarra o segundo elemento ao terceiro numa linha.
como este item é corrigido (é por níveis, não por etapas)
Não há etapas com pontos a somar. O corrector procura na tua resposta três elementos fixados nos critérios e, depois, olha para a forma: se o texto é bem estruturado e se a linguagem científica é adequada. Cruza as duas coisas e escolhe um nível:
- nível 5 — 12 pontos: os três elementos, texto bem estruturado e linguagem científica adequada;
- nível 4 — 10 pontos: os três elementos, mas com falhas de estrutura e/ou de linguagem científica;
- nível 3 — 8 pontos: apenas dois elementos, bem estruturados e com linguagem adequada;
- nível 2 — 6 pontos: apenas dois elementos, com falhas de estrutura e/ou de linguagem;
- nível 1 — 4 pontos: apenas um elemento, bem estruturado e com linguagem adequada.
Repara no que a tabela não tem: não há nível para «um elemento com falhas de linguagem». Uma resposta com um só elemento e mal escrita fica com 0 pontos. E cada elemento que falta custa 4 pontos de uma vez, enquanto as falhas de forma custam 2. O conteúdo pesa o dobro da forma — mas a forma decide o degrau dentro de cada patamar.
Os critérios gerais dizem ainda duas coisas que contam aqui: um texto estruturado é o que liga os elementos de forma conceptualmente consistente, seja qual for a ordem em que aparecem; e abreviaturas ou siglas não identificadas contam como falhas de linguagem científica. Escreve os nomes por extenso.
onde se perdem pontos
- Dizer «aproximar o íman da bobina» e parar aí. Aproximar é um movimento, e serve. Mas quem escreve «colocar o íman dentro da bobina» descreve uma posição, não um movimento — e com a barra parada lá dentro não há corrente nenhuma. Diz sempre que a barra se move em relação à bobina.
- Responder que o fator é a «intensidade do íman» ou o «número de espiras». São fatores reais da força eletromotriz induzida, mas o enunciado fixa os materiais. A resposta que conta é a velocidade do movimento relativo; as outras não fazem o elemento 2.
- Confundir campo com variação de campo. «Quanto mais intenso o campo, maior a corrente» é falso para esta montagem: o íman parado dentro da bobina tem campo intenso e corrente nula. O que a lei de Faraday premeia é a variação do fluxo por unidade de tempo.
- Interpretação sem a palavra «fluxo». Falar só em «campo magnético» ou em «magnetismo» deixa o elemento 3 incompleto e é, ao mesmo tempo, uma falha de linguagem científica — pode custar um patamar inteiro e o degrau de dentro do patamar.
- Escrever que a variação de fluxo «cria eletrões» ou «carrega a bobina». A indução não cria carga: põe em movimento os eletrões que já existem no fio. Uma afirmação destas é um erro científico e contradiz o resto da resposta — e os critérios gerais mandam não considerar os elementos que evidenciem contradições.
- Responder em tópicos soltos. «Mover o íman. Velocidade. Fluxo.» pode conter as três ideias e mesmo assim não ser um texto estruturado: com falhas de estrutura, os três elementos valem 10 e não 12. E com dois elementos mal escritos caem para 6.
- Usar abreviaturas sem as apresentar («f.e.m.», «B»). Os critérios gerais contam-nas como falhas de linguagem científica. Escreve «força eletromotriz» e «campo magnético» por extenso.
para reconhecer o próximo item deste tipo
Sempre que um item falar de bobina, íman, espira e galvanómetro (ou de um gerador, um microfone, uma placa de indução), a resposta é a lei de Faraday: sem variação de fluxo não há corrente; quanto mais rápida a variação, maior a força eletromotriz. Pergunta-te sempre: o que é que, nesta montagem, está a fazer variar B, A ou α — e com que rapidez?