O ponto de partida. Escolher um aluno «ao acaso» quer dizer que todos os alunos têm a mesma hipótese de ser escolhidos. É essa condição que te deixa usar a regra de Laplace:
P=nuˊmero de casos possıˊveisnuˊmero de casos favoraˊveisO item resume-se a contar bem duas coisas: quantos alunos podem sair (os casos possíveis) e quantos desses servem (os casos favoráveis). E a pergunta que decide tudo é «de entre quem se escolhe?». O enunciado responde: de entre os alunos desta turma.
1.º — os casos possíveis: a turma inteira
O aluno é selecionado de entre toda a turma, e o enunciado comum diz que ela tem 28 alunos. Confirma-o pela tabela — não é desconfiança, é a maneira de teres a certeza de que estás a ler a tabela bem:
- raparigas: 2+5+2+2+3=14;
- rapazes: 3+2+4+2+3=14;
- total: 14+14=28.
Há 28 casos possíveis, um por aluno.
2.º — os casos favoráveis: as raparigas do Grupo C
O acontecimento junta duas condições ao mesmo tempo: ser rapariga e ser do Grupo C. Numa tabela de dupla entrada, duas condições ao mesmo tempo são uma célula — o cruzamento da linha «Número de raparigas» com a coluna «Grupo C». Lá está o 2.
Há 2 casos favoráveis. Repara no que não entra: os rapazes do Grupo C (falham a primeira condição) e as raparigas dos outros grupos (falham a segunda). Não há nada a somar.
3.º — aplicar a regra de Laplace e simplificar
P=282=141Dividiste o numerador e o denominador por 2. A fração 282 não aparece escrita nas opções — é a mesma probabilidade que 141, só que por simplificar.
Resposta: opção (D).
o valor faz sentido?
Dos 28 alunos, só 2 servem: menos de um em cada dez. Na calculadora, 1÷14≈0,07, cerca de 7%. As outras opções valem 50%, cerca de 33% e cerca de 14% — todas grandes de mais para um acontecimento que só abrange 2 alunos numa turma de 28.
de onde vem cada opção errada
Cada opção errada é a resposta certa a outra pergunta: muda-se o grupo de onde se escolhe, ou a célula que se conta.
- (A) 21 — é 2814, a probabilidade de sair uma rapariga qualquer da turma. Quem a escolhe contou as raparigas todas e deixou cair a condição «do Grupo C».
- (B) 31 — é 62. O Grupo C tem 2+4=6 alunos, dos quais 2 são raparigas. Seria a resposta se o aluno fosse escolhido só de entre o Grupo C. Mas o enunciado escolhe de entre a turma inteira, e então o denominador é 28, não 6.
- (C) 71 — chega-se lá por dois enganos diferentes. Um é 142: as raparigas do Grupo C de entre as raparigas da turma, como se o sorteio fosse só entre raparigas. O outro é 284: leu-se a linha dos rapazes do Grupo C em vez da das raparigas.
Repara no padrão: (B) e o primeiro caminho para (C) acertam no numerador e erram no denominador. O denominador é o conjunto de onde se escolhe, e quem diz qual é esse conjunto é o enunciado, não a tabela.
onde se perdem os 6 pontos
Escolha múltipla, classificação dicotómica: a opção certa vale os 6 pontos, qualquer outra vale zero. Não há meio-termo.
- Usar o grupo errado como casos possíveis. É o engano para que o item está desenhado — duas das três opções erradas nascem dele. Antes de dividir, pergunta-te: «de entre quem é escolhido o aluno?».
- Ler a linha errada da tabela. No Grupo C há 4 rapazes e 2 raparigas; trocar as linhas leva à opção (C). Põe o dedo na célula antes de copiar o número.
- Não reconhecer a fração por simplificar. Quem chega a 282 e não a encontra entre as opções às vezes conclui que errou e muda de caminho. Simplifica sempre antes de procurar — ou compara os valores decimais na calculadora.
- Assinalar mais do que uma opção. Pelos critérios gerais, só é classificada a resposta que surgir em primeiro lugar.
para reconhecer o próximo exercício deste tipo
Numa tabela de dupla entrada, um acontecimento com duas condições («rapariga» e «do Grupo C») lê-se numa célula. O denominador é sempre o total do conjunto de onde se faz a escolha: «um aluno da turma» → o total da turma; «um aluno do Grupo C» → o total do Grupo C; «uma rapariga da turma» → o total de raparigas. Lê essa expressão no enunciado antes de olhares para a tabela.