O ponto de partida: não há uma fórmula do tronco de cone que tenhas de saber. O que sabes — e está no formulário da prova — é o volume do cone:
Vcone=31×Abase×altura,Abase=πr2A ideia é olhar para a Figura 3 de outra maneira. O tronco de cone (cinzento-escuro) não aparece sozinho: em cima dele há um cone mais pequeno (cinzento-claro), de vértice V. Os dois juntos formam o cone grande, de base com diâmetro [AB]. Então:
Vtronco=Vcone grande−Vcone pequenoÉ isto que resolve o item: o volume de uma figura que não sabes calcular obtém-se tirando a uma figura que sabes calcular uma outra que também sabes. Escrever esta ideia vale 2 pontos por si.
1.º — os dados de cada cone
Antes das contas, organiza o que cada cone tem. Este é o passo onde mais se erra, porque os dados do enunciado não vêm prontos a usar.
Cone grande (vértice V, base de diâmetro [AB]):
- o raio é metade do diâmetro: r=2AB=20,8=0,4 m;
- a altura é dada: 2,4 m.
Cone pequeno (vértice V, base de diâmetro [CD]):
- o raio é r=2CD=20,5=0,25 m;
- a altura não é dada. Vai do vértice V até à base de diâmetro [CD]. A altura do cone grande (2,4 m) é a do cone pequeno mais a do tronco (0,9 m). Logo, a altura do cone pequeno é 2,4−0,9=1,5 m.
Os 0,9 m são a altura do tronco, não de nenhum dos cones. Não entram diretamente em nenhuma das duas fórmulas — só servem para chegar aos 1,5 m.
2.º — o volume do cone grande
A área da base é a área de um círculo de raio 0,4 m:
Abase=π×0,42=0,16π m2E o volume:
Vcone grande=31×0,16π×2,4=0,128π≈0,402 m3(O valor de 0,128π sai da calculadora, com a tecla π: 0,40212… Guarda pelo menos três casas decimais, como o enunciado manda.)
3.º — o volume do cone pequeno
Abase=π×0,252=0,0625π m2Vcone pequeno=31×0,0625π×1,5=0,03125π≈0,098 m3(Na calculadora, 0,03125π=0,09817…)
4.º — a diferença e o arredondamento
Vtronco≈0,402−0,098=0,304 m3O enunciado pede o resultado arredondado às décimas. Em 0,304, o algarismo das centésimas é 0, menor do que 5, e por isso o das décimas mantém-se:
Vtronco≈0,3 m3Se preferires não arredondar a meio, faz a diferença com π até ao fim: 0,128π−0,03125π=0,09675π≈0,30395, que também dá 0,3 m3. Este caminho é ainda mais seguro: arredonda-se uma só vez, no fim.
O volume do tronco de cone é, aproximadamente, 0,3 m3.
os dados batem certo e o valor faz sentido
Os dois cones partilham o vértice e têm bases paralelas, por isso são semelhantes. A razão dos raios é 0,40,25=0,625 e a razão das alturas é 2,41,5=0,625 — a mesma, como tem de ser. É a confirmação de que os 1,5 m estão certos.
E a semelhança dá ainda outra conferência: os volumes de figuras semelhantes estão na razão do cubo da razão de semelhança. 0,6253≈0,244, portanto o cone pequeno tem cerca de 24% do volume do grande: 0,244×0,402≈0,098. O tronco fica com os restantes 76%, à volta de 0,30 m3. Faz sentido: a parte de baixo do cone é a mais larga, e é lá que está a maior parte do volume.
onde se perdem pontos
- Usar o diâmetro como se fosse o raio. Com 0,8 e 0,5 no lugar de 0,4 e 0,25, cada volume fica quatro vezes maior (o raio vai ao quadrado). Perdes as duas etapas dos volumes.
- Dar ao cone pequeno a altura errada. Usar 0,9 m (a altura do tronco) ou 2,4 m (a do cone grande) em vez de 1,5 m estraga a etapa do cone pequeno, que vale 2 pontos.
- Calcular um só cone, com a altura do tronco. 31×π×0,42×0,9 é o volume de um cone de 0,9 m de altura, que não está na figura. Sem a ideia da diferença, perdes a primeira etapa e as seguintes.
- Esquecer o 31. Sem ele, estás a calcular o volume de cilindros, não de cones.
- Arredondar a meio com menos de três casas decimais. 0,4−0,1=0,3 dá, por acaso, o valor certo, mas os critérios gerais desvalorizam cálculos intermédios com um número de casas decimais diferente do pedido. O enunciado diz «pelo menos três»: cumpre-o.
- Não arredondar no fim. Responder 0,304 m3 é apresentar o valor com um número de casas decimais diferente do solicitado, outra situação de desvalorização.
- Duas coisas que não custam pontos, pelos critérios gerais: omitir a unidade (m3) e escrever = onde devia estar ≈. Ainda assim, escreve as duas bem — é a forma correta.
para reconhecer o próximo exercício deste tipo
Quando te pedem o volume (ou a área) de uma figura que não tem fórmula direta — um tronco de cone, um tronco de pirâmide, um sólido com um buraco —, procura duas figuras conhecidas cuja diferença (ou soma) seja a que queres. No tronco de cone, é sempre «cone grande menos cone pequeno». Depois, antes de qualquer conta, escreve o raio e a altura de cada cone: o raio é metade do diâmetro, e a altura do cone pequeno obtém-se subtraindo a altura do tronco à do cone grande.