O ponto de partida. Outra vez a regra de Laplace — mas agora não se sorteia um aluno, sorteia-se um par: um aluno do Grupo A e um aluno do Grupo D. Cada caso possível é uma dupla (aluno do A, aluno do D), e um sorteio ao acaso dá a mesma hipótese a todas as duplas. Por isso:
P=nuˊmero de duplas possıˊveisnuˊmero de duplas com dois rapazesOs critérios aceitam dois caminhos para contar as duplas: escrevê-las todas, numa tabela de dupla entrada, ou calculá-las com uma multiplicação. Vais ver os dois. O primeiro mostra de onde vem a multiplicação do segundo — e é por isso que vem primeiro.
1.º — quem está em cada grupo
Lê na tabela as colunas dos dois grupos sorteados:
- Grupo A: 2 raparigas e 3 rapazes, ou seja, 5 alunos;
- Grupo D: 2 raparigas e 2 rapazes, ou seja, 4 alunos.
Para os poderes escrever, dá-lhes nomes. Usa F para rapariga e M para rapaz, letras maiúsculas para o Grupo A e minúsculas para o Grupo D — assim nunca confundes de que grupo vem cada um:
- Grupo A: F1, F2, M1, M2, M3;
- Grupo D: f1, f2, m1, m2.
Os índices não são enfeite. Duas raparigas do mesmo grupo são pessoas diferentes, e a dupla F1m1 não é a dupla F2m1. Sem índices, escrevias «rapariga do A com rapaz do D» uma vez só, quando são quatro duplas diferentes — e a contagem saía errada.
2.º — apresentar todos os casos possíveis
Uma tabela de dupla entrada: os alunos do Grupo A nas linhas, os do Grupo D nas colunas. Cada célula é uma dupla.
| Grupo A / Grupo D | f1 | f2 | m1 | m2 |
|---|
| F1 | F1f1 | F1f2 | F1m1 | F1m2 |
| F2 | F2f1 | F2f2 | F2m1 | F2m2 |
| M1 | M1f1 | M1f2 | M1m1 | M1m2 |
| M2 | M2f1 | M2f2 | M2m1 | M2m2 |
| M3 | M3f1 | M3f2 | M3m1 | M3m2 |
Porquê uma tabela e não uma lista solta? Porque a tabela garante, pela própria forma, que cada aluno do A aparece uma vez com cada aluno do D: não falta nenhuma dupla e nenhuma se repete. Numa lista escrita à mão é fácil saltar uma. Esta apresentação vale 3 pontos — é a etapa mais cara do item.
3.º — escrever o número de casos possíveis
A tabela tem 5 linhas e 4 colunas, portanto 5×4=20 células. Há 20 casos possíveis.
Escreve este número, mesmo que esteja à vista na tabela: os critérios pagam 1 ponto por ele, à parte.
4.º — escrever o número de casos favoráveis
Os casos favoráveis são as duplas com dois rapazes: um rapaz do A e um rapaz do D. Na tabela, são as células onde as linhas M1, M2, M3 se cruzam com as colunas m1, m2 — o canto inferior direito:
M1m1, M1m2, M2m1, M2m2, M3m1, M3m2Há 6 casos favoráveis. Também este número vale 1 ponto por si.
5.º — obter a probabilidade em fração irredutível
P=206=103O enunciado pede fração irredutível. 206 é o mesmo número, mas não está na forma pedida: dividiste o numerador e o denominador por 2, o maior divisor comum de 6 e 20, e 3 e 10 já não têm nenhum divisor comum além de 1.
Resposta: a probabilidade de serem sorteados dois rapazes é 103.
contar sem escrever: multiplicar
Volta à tabela: 5 linhas, 4 colunas, 5×4 células. Não é coincidência. Para formar uma dupla escolhes um aluno do A, e tens 5 maneiras; para cada uma delas, escolhes um aluno do D, e tens 4 maneiras. Cada linha da tabela é uma escolha do A, e cada linha tem as mesmas 4 células. Por isso as escolhas multiplicam-se:
casos possıˊveis=5×4=20O mesmo raciocínio, restrito aos rapazes: há 3 rapazes no A e, para cada um, 2 rapazes no D:
casos favoraˊveis=3×2=6P=206=103Nos critérios, este caminho dá 3 pontos ao cálculo dos 20, 2 ao cálculo dos 6 e 2 ao valor final — os mesmos 7. O que conta como justificação aqui é a conta escrita: «5×4=20», e não só «20».
qual dos dois caminhos usar
A multiplicação é mais rápida, e é a que deves preferir quando os grupos são grandes: com 15 alunos num grupo e 12 no outro, a tabela teria 180 células. A tabela compensa quando não tens a certeza do que estás a contar — vês cada caso, e a dúvida desaparece.
Há uma subtileza nos critérios do 1.º processo: se apresentares só os casos favoráveis em vez de todos os possíveis, a etapa dos 3 pontos ainda fica cumprida desde que escrevas a seguir o número de casos possíveis (20); se não o escreveres, essa etapa vale só 1 ponto. Ou seja: o 20 escrito salva-te. Escreve-o sempre.
conferir por outro lado
A probabilidade de sair um rapaz no Grupo A é 53; no Grupo D é 42=21. Os dois sorteios são feitos à parte e não interferem um com o outro, e 53×21=103 — o mesmo valor. Em percentagem, 30%: um pouco menos de um terço, o que faz sentido, porque no A os rapazes são mais de metade e no D são exatamente metade.
Outra conferência, pela tabela inteira: há 4 duplas Ff, 4 duplas Fm, 6 duplas Mf e 6 duplas Mm. 4+4+6+6=20, e todas as células estão contadas.
onde se perdem pontos
- Contar tipos em vez de pessoas. Escrever só «MM, MF, FM, FF» dá 4 casos e P=41 — falso. Esses quatro tipos não são igualmente prováveis (há 6 duplas de dois rapazes e só 4 de duas raparigas), e a regra de Laplace só vale com casos igualmente prováveis. É por isso que os alunos levam nomes com índices.
- Juntar os dois grupos. Pôr os 9 alunos de A e D num só saco e tirar dois é outro sorteio — podiam sair dois do Grupo A. O enunciado diz um de cada.
- Somar em vez de multiplicar. 5+4=9 e 3+2=5 dariam 95. Cada escolha do A combina com todas as do D: isso é um produto, não uma soma.
- Escrever os casos e esquecer os números. No 1.º processo, «número de casos possíveis (20)» e «número de casos favoráveis (6)» são etapas de 1 ponto cada. A tabela não os escreve por ti.
- Parar em 206. É uma forma diferente da pedida, e isso está na lista de situações que descontam 1 ponto. Depois de todo o trabalho, perder um ponto por não dividir por 2 é o pior negócio do item.
- Dar só o resultado. O enunciado diz «Mostra como chegaste à tua resposta», e os critérios gerais classificam com zero pontos a apresentação apenas do resultado final.
- Deixar o item em branco por ser dos facultativos. O 1.2. é um dos seis itens de que só contam os quatro com melhor pontuação. Isso não te dispensa de o fazer: cada um que respondes é margem para os outros.
para reconhecer o próximo exercício deste tipo
Quando se sorteia um de cada grupo, os casos são pares e contam-se multiplicando os tamanhos dos grupos; os favoráveis contam-se multiplicando os tamanhos das partes de cada grupo que servem. Se tiveres dúvidas, faz a tabela de dupla entrada: o número de células é o produto. E dá um nome a cada pessoa — só assim os casos são igualmente prováveis.