O ponto de partida é saber como é a expressão de uma função de proporcionalidade inversa: g(x)=xk, com k=0. A constante k é a constante de proporcionalidade inversa, e tem uma propriedade que resolve o item: para qualquer ponto do gráfico, o produto das coordenadas é sempre k, ou seja, x×g(x)=k.
Portanto, para descobrir g precisas de um ponto do gráfico de g com as duas coordenadas conhecidas. O único ponto do gráfico de g referido é C, e dele só se sabe a abcissa, 2. A ordenada tem de vir de outro lado: C também pertence ao gráfico de f, e f conhece-se a partir de A e de B. O caminho é este: A e B dão f; f dá a ordenada de C; C dá g.
1.º — a expressão da função afim f
Uma função afim escreve-se f(x)=ax+b, onde a é o declive e b a ordenada na origem.
- A ordenada na origem é a ordenada do ponto em que o gráfico corta o eixo Oy. Esse ponto é A(0, 7), logo b=7.
- O declive é a variação das ordenadas a dividir pela variação das abcissas, entre dois pontos da reta. Com A(0, 7) e B(4, 9):
a=4−09−7=42=21Logo,
f(x)=21x+7Confere com o ponto B: f(4)=21×4+7=2+7=9. Está certo.
2.º — a ordenada do ponto C
C pertence ao gráfico de f e tem abcissa 2, por isso a ordenada de C é f(2):
f(2)=21×2+7=1+7=8Então C=(2, 8).
Repara que, no gráfico, C fica entre A (ordenada 7) e B (ordenada 9), e com abcissa a meio caminho entre 0 e 4. A ordenada 8, a meio caminho entre 7 e 9, faz sentido: numa reta, o ponto médio das abcissas corresponde ao ponto médio das ordenadas.
3.º — a constante de proporcionalidade inversa
C também pertence ao gráfico de g. Pela propriedade do ponto de partida, o produto das suas coordenadas é a constante:
k=2×8=16E a expressão de g é
g(x)=x16Confere: g(2)=216=8, a ordenada de C. A opção certa é a (C).
de onde vem cada opção errada
(A) g(x)=16x — tem a constante certa, 16, mas é a expressão de uma função de proporcionalidade direta (y=kx), não inversa. O gráfico de y=16x é uma reta que passa pela origem, não um ramo de hipérbole como o da Figura 4. Quem chega aqui fez as contas bem e trocou o tipo de função.
(D) g(x)=x36 — usa o ponto errado. 36=4×9 é o produto das coordenadas de B. Mas B pertence ao gráfico de f, não ao de g — na figura, a curva de g passa muito abaixo de B. Com esta expressão, g(2)=18, e o gráfico de g não passaria em C.
(B) g(x)=36x — junta os dois enganos: o ponto errado (B) e o tipo de função errado (proporcionalidade direta).
onde se perdem os 6 pontos
Num item de escolha múltipla não há cotação parcial. As opções foram construídas cruzando duas decisões: que ponto usar e que forma tem a expressão. Errar qualquer uma das duas leva a uma opção errada. A armadilha mais forte é o ponto B: tem as duas coordenadas à vista no gráfico, enquanto C obriga a trabalhar para lhe descobrir a ordenada. O facto de um ponto ter as coordenadas dadas não o põe no gráfico de g.
para reconhecer o próximo exercício deste tipo
Para a expressão de uma função de proporcionalidade inversa, precisas de um ponto do seu gráfico com as duas coordenadas: o produto delas é a constante k, e g(x)=xk. Se o enunciado só te dá uma das coordenadas desse ponto, procura outra função (muitas vezes uma reta) que também passe por ele — e calcula a coordenada que falta a partir dessa função. Antes de usar um ponto, pergunta-te sempre: este ponto pertence ao gráfico de que função?