Exame de Matemática A 2026 · 1.ª fase — item 4.2, resolvido
Cotação 14 pontosResposta abertaVerificado
Enunciado
Instituto de Avaliação Educativa · prova 635 · 2026 · 1.ª fase
4.
Na Figura 2, está representado, em referencial o.n. Oxyz, o paralelepípedo retângulo [ABCDEFGH].
Figura 2
Sabe-se que:
o ponto A pertence ao eixo Ox, e o ponto B pertence ao eixo Oy;
o ponto C tem coordenadas (0,6,4), e o ponto G tem coordenadas (6,9,0);
a reta DH é definida pela equação (x,y,z)=(2,−3,4)+k(1,3,0),k∈R.
4.2.
Resolva este item sem recorrer à calculadora.
Determine uma equação da superfície esférica de centro no ponto A e que passa no ponto F .
Resposta de exame
O que se escreve na prova para ter a cotação toda.
Como [AD] é uma aresta vertical do paralelepípedo, os pontos A e D têm a mesma abcissa e a mesma ordenada. O ponto A pertence ao eixo Ox , logo tem ordenada nula, e portanto D também tem ordenada nula.
Um ponto genérico da reta DH tem coordenadas (2+k,−3+3k,4) , com k∈R .
−3+3k=0⇔3k=3⇔k=1
Para k=1 obtém-se D(3,0,4) e, como A tem a mesma abcissa e a mesma ordenada de D e cota nula, vem A(3,0,0) .
Os segmentos [DF] e [CG] são diagonais de duas faces opostas do paralelepípedo, logo [DCGF] é um paralelogramo e DF=CG .
O raio da superfície esférica é a distância de A a F :
r=AF=(9−3)2+(3−0)2+(0−0)2=36+9+0=45
Uma equação da superfície esférica de centro A(3,0,0) e raio 45 é
(x−3)2+y2+z2=45
Tenta primeiro no papel.
Quem lê a resolução antes de tentar acha que percebeu — e volta a errar no exame.
Mostra só o que se escreve na prova. A resolução explicada fica fechada — abres depois, se quiseres.
Resolução explicada
Passo a passo, com o porquê de cada passo.
Este item é de aplicação directa de uma fórmula — a equação da superfície esférica — mas essa fórmula precisa de duas coisas que não te são dadas: o centro A e o raio. Praticamente toda a cotação está em obter essas duas coisas.
A fórmula é:
(x−a)2+(y−b)2+(z−c)2=r2
com centro (a,b,c) e raio r . Como a superfície passa em F , o raio é a distância de A a F .
o que se sabe do sólido, e porquê
Vale a pena arrumar os dados antes de calcular:
A pertence ao eixo Ox , logo A(a,0,0) : ordenada e cota nulas;
B pertence ao eixo Oy , logo B(0,b,0) ;
C(0,6,4) e G(6,9,0) ;
a reta DH é (x,y,z)=(2,−3,4)+k(1,3,0) , k∈R .
No paralelepípedo [ABCDEFGH] , as faces [ABCD] e [EFGH] são opostas e as arestas que as ligam são [AF] , [BG] , [CH] e [DE] . Em particular, [AD] é uma aresta vertical (paralela ao eixo Oz ): A está na base, D está no topo, e ambos têm a mesma abcissa e a mesma ordenada.
1.º — determinar o ponto A — 1.º processo, pela reta DH
Como D está sobre a reta DH , as suas coordenadas são da forma
(2+k,−3+3k,4)
para algum k∈R . Repara que a cota é sempre 4 : a reta é horizontal, ao nível do topo do sólido (é a mesma cota de C ).
Falta descobrir qual dos pontos desta reta é o D . É aqui que entra a aresta vertical: A está no eixo Ox , logo tem ordenada 0 ; e D tem a mesma ordenada de A . Então:
−3+3k=0⇔3k=3⇔k=1
Substituindo k=1 :
D=(2+1,−3+3,4)=(3,0,4)
E, descendo à base (cota 0 ) sem mexer na abcissa nem na ordenada:
A(3,0,0)
Esta etapa vale 5 dos 14 pontos — é pontuada por si, mesmo que o resto corra mal.
determinar o ponto A — 2.º processo, pela reta AG
O critério de classificação admite um segundo caminho, e convém conheceres os dois.
Na base do paralelepípedo, [ABGF] é um retângulo, e [AG] é uma das suas diagonais. Ora, no topo, [DH] é a diagonal correspondente do retângulo [DCHE] . Como as duas faces são paralelas e sobrepostas na vertical, as diagonais [AG] e [DH] são paralelas. Logo u(1,3,0) , que dirige DH , também dirige AG .
Como se conhece G(6,9,0) , uma equação vetorial da reta AG é
(x,y,z)=(6,9,0)+k(1,3,0),k∈R
e um ponto genérico desta reta tem coordenadas (6+k,9+3k,0) .
Impondo que A tem ordenada nula (está no eixo Ox ):
9+3k=0⇔3k=−9⇔k=−3
Logo a abcissa é 6+(−3)=3 e obtém-se, outra vez, A(3,0,0) .
2.º — determinar o ponto F
F é o vértice da base ligado a A pela aresta [AF] . A maneira mais curta de lá chegar é por vetores.
Os segmentos [DF] e [CG] são diagonais de duas faces opostas do paralelepípedo — [DF] na face [ADEF] e [CG] na face [BCHG] . Duas faces opostas são geometricamente iguais e obtêm-se uma da outra por translação, logo [DCGF] é um paralelogramo e os vetores DF e CG são o mesmo vetor livre. Então:
A cota de F dá 0 , como tinha de dar: F está na base, tal como A , B e G . É um bom controlo: se te sair cota diferente de zero, erraste algures.
3.º — calcular o raio
O raio é a distância entre o centro A(3,0,0) e o ponto F(9,3,0) , pelo qual a superfície passa:
r=AF=(9−3)2+(3−0)2+(0−0)2=62+32+02=36+9=45
Como o item é sem calculadora, deixa-se 45 (ou, se preferires simplificar, 45=9×5=35 ). Nunca uma dízima.
Esta etapa vale 6 pontos.
o raio sem passar por F
Há um atalho que o critério também aceita e que dispensa calcular F . Na base, [ABGF] é um retângulo, e num retângulo os lados opostos têm o mesmo comprimento. Os segmentos [AF] e [BG] são lados opostos, logo
AF=BG
Falta B . Como [BC] é uma aresta vertical e C(0,6,4) , o ponto B tem a mesma abcissa e a mesma ordenada de C , com cota nula: B(0,6,0) — o que é coerente com B estar no eixo Oy . Então:
BG=(6−0)2+(9−6)2+(0−0)2=36+9=45
Mesmo raio, e só se usaram dados dados de origem.
escrever a equação pedida
Centro A(3,0,0) e raio r=45 . Na fórmula:
(x−3)2+(y−0)2+(z−0)2=(45)2(x−3)2+y2+z2=45
O segundo membro é r2 , não r . É por isso que a raiz desaparece: (45)2=45 . E (y−0)2 escreve-se simplesmente y2 .
Esta última etapa vale 3 pontos — quem calcula tudo bem e não escreve a equação final perde-os.
confirmar que F está mesmo na superfície
Substitui F(9,3,0) na equação obtida:
(9−3)2+32+02=36+9+0=45✓
Confirma também com A : o centro não pertence à superfície, e de facto (3−3)2+0+0=0=45 .
onde é que se perde este item
Perder o sinal do −3 na equação da reta DH . Se leres (2,3,4) , a equação 3+3k=0 dá k=−1 e D(1,0,4) — e todo o resto sai errado.
Não justificar porque é que D tem ordenada nula. É a aresta [AD] ser vertical e A estar no eixo Ox ; sem isso, não há razão para impor −3+3k=0 .
Confundir r com r2 e escrever (x−3)2+y2+z2=45 , ou =452 . O segundo membro é sempre o quadrado do raio.
Trocar o sinal no centro: com a=3 , o fator é (x−3)2 e não (x+3)2 .
Esquecer o termo em z . Em R3 a equação tem três parcelas, mesmo quando a cota do centro é zero — z2 tem de lá estar.
Usar a calculadora para converter 45 numa dízima. O item proíbe-o e, de qualquer modo, uma aproximação estragava a equação final.
Tomar C ou G por A . As coordenadas dadas são de C e G ; A e F têm de ser deduzidos.
para reconhecer o próximo exercício deste tipo
Num item de geometria no espaço com um sólido em perspetiva, o trabalho verdadeiro é quase sempre transformar propriedades do sólido em condições sobre coordenadas: «aresta vertical» ⇒ mesma abcissa e mesma ordenada; «ponto no eixo Ox » ⇒ ordenada e cota nulas; «face retangular» ⇒ lados opostos representam o mesmo vetor livre. Escreve estas traduções antes de fazer contas, e o cálculo que sobra é sempre curto.
Primeiro, a resposta de exame.
A resolução explicada abre-se depois, à parte, se quiseres perceber o porquê.
Como te correu?
Este tópico tem mais 2 exercícios resolvidos
Ler um resolve hoje; fazer o tópico inteiro é o que muda a nota.
✓Treinar o tópico inteiro, um a um
✓O que erras volta sozinho, no dia em que ias esquecer