O que governa este item é o método da bissecção: partes de um intervalo onde sabes que existe um zero e cortas-o ao meio repetidamente, ficando sempre com a metade onde a função muda de sinal. Cada corte reduz a amplitude a metade, e o ponto médio do último intervalo é a aproximação — com erro que não passa de metade dessa amplitude.
o critério de paragem, decidido antes de começar
O enunciado pede erro inferior a 0,1. Se o intervalo final tiver amplitude A e tomares o ponto médio, ficas a uma distância máxima de 2A do zero. Logo a condição de paragem é
2A<0,1⟺A<0,2Decide isto agora, não no fim: é ele que te diz quantos cortes precisas de fazer, e escrevê-lo é uma etapa pontuada (2 pontos).
Partes de ]1,2[, que tem amplitude 1. Depois de 1 corte: 0,5. De 2: 0,25. De 3: 0,125<0,2. Três cortes chegam — e são exactamente as três primeiras etapas do critério de classificação.
1.º — primeiro corte — o ponto médio de ]1,2[ é 1,5
A função é contínua em ]0,+∞[ e tem um zero em ]1,2[: é isso que o enunciado te garante e que autoriza o método. Calcula f nos extremos e no meio:
f(1)=14ln1−1=1×0−1=−1<0f(1,5)=1,54ln1,5−1≈5,0625×0,405−1≈1,053>0Como f(1)<0<f(1,5) e f é contínua, o zero está em ]1; 1,5[ (amplitude 0,5, ainda demasiado grande). 3 pontos.
2.º — segundo corte — o ponto médio de ]1; 1,5[ é 1,25
f(1,25)=1,254ln1,25−1≈2,441×0,223−1≈−0,455<0O sinal de f(1,25) é igual ao de f(1), portanto o zero não está entre 1 e 1,25: está em ]1,25; 1,5[, onde f(1,25)<0<f(1,5). Amplitude 0,25 — ainda não chega. 3 pontos.
3.º — terceiro corte — o ponto médio de ]1,25; 1,5[ é 1,375
f(1,375)=1,3754ln1,375−1≈3,574×0,318−1≈0,138>0Agora o sinal é positivo, igual ao de f(1,5), por isso a metade a guardar é a da esquerda: f(1,25)<0<f(1,375), e o zero está em ]1,25; 1,375[. 3 pontos.
4.º — verificar a paragem e apresentar a aproximação
A amplitude é 1,375−1,25=0,125, e 0,125<0,2: a condição que fixaste no início está cumprida. Tomas o ponto médio:
21,25+1,375=1,3125O erro é, no máximo, 20,125=0,0625, que é inferior a 0,1. A aproximação pedida é 1,3125.
três casas decimais nos cálculos intermédios
O enunciado manda conservar pelo menos três casas decimais nos arredondamentos intermédios. Isso não é um capricho: com uma só casa, f(1,375)≈0,1 ficaria demasiado perto de zero para decidires o sinal com segurança. Guarda as casas e arredonda apenas o que escreves. O valor final, 1,3125, é exacto — é um ponto médio, não um arredondamento.
qualquer ponto do último intervalo, com justificação
A nota do critério de classificação aceita qualquer valor de ]1,3125; 1,375] desde que justificado. A razão é que o zero está em ]1,25; 1,375[, e um ponto c desse intervalo dista dele, no máximo, max(c−1,25, 1,375−c); para c até 1,375 isso ainda é inferior a 0,1 desde que c>1,275. O ponto médio é a escolha segura — é a única que não te obriga a escrever essa justificação extra.
confirma o sinal na calculadora
Com a calculadora gráfica, o zero de f anda por 1,3295. A tua aproximação, 1,3125, dista 0,017 — bem dentro do 0,1 pedido. Mas repara: essa leitura gráfica não é resposta. O enunciado exige o método da bissecção, e uma resposta obtida só pela função zero da calculadora não cumpre as etapas do critério.
onde este item come pontos
- Não mostrar os sinais. O que se pontua é escrever f(1)<0<f(1,5), e assim por diante. Só dizer «cortei três vezes» não vale.
- Guardar a metade errada. Guarda-se sempre a metade em cujos extremos f muda de sinal. Se os dois valores tiverem o mesmo sinal, escolheste mal.
- Parar cedo de mais. Com o intervalo ]1,25; 1,5[, de amplitude 0,25, o erro do ponto médio pode chegar a 0,125>0,1. É preciso o terceiro corte.
- Confundir amplitude com erro. O erro do ponto médio é metade da amplitude. A condição é amplitude <0,2, não amplitude <0,1.
- Apresentar um extremo do intervalo em vez do ponto médio (por exemplo 1,25), o que pode dar erro superior a 0,1.
- Arredondar de mais nos cálculos intermédios, contra a instrução expressa das três casas decimais.
- Responder só com o zero dado pela calculadora, sem nenhum corte. O método pedido é o da bissecção.
para reconhecer o próximo exercício deste tipo
Em qualquer bissecção, converte o erro pedido em amplitude máxima do intervalo antes de fazer contas: erro<ε⟺amplitude<2ε. A partir daí, o número de cortes lê-se de imediato, porque cada corte divide a amplitude por 2: de amplitude 1 chegas a 0,125 em três cortes. Saber quantos cortes precisas impede-te de parar cedo e de fazer contas a mais.