Exame de Matemática A 2026 · Época especial — item 11.(AE2023), resolvido
Cotação 14 pontosResposta abertaEm alternativa · programa de 2023Verificado
Enunciado
Instituto de Avaliação Educativa · prova 635 · 2026 · Época especial
11.
Os dois itens que se apresentam a seguir são itens em alternativa.
O item 11.(AE2018) integra-se nas Aprendizagens Essenciais homologadas em 2018.
O item 11.(AE2023) integra-se nas Aprendizagens Essenciais homologadas em 2023.
Responda apenas a um dos itens.
11.(AE2023).
Considere a função f, de domínio [−3,+∞[, contínua, definida por
f(x)=e2x−x+3
A equação f(x)=2 tem, exatamente, uma solução pertencente ao intervalo ]0,1[.
Determine, usando o método da bissecção, uma aproximação dessa solução, com erro inferior a 0,1.
Se, nos cálculos intermédios, proceder a arredondamentos, conserve, pelo menos, três casas decimais.
Resposta de exame
O que se escreve na prova para ter a cotação toda.
Seja g a função definida por g(x)=f(x)−2=e2x−x+3−2, contínua em [−3,+∞[.
A solução da equação f(x)=2 é o zero da função g que pertence ao intervalo ]0,1[.
Ponto médio de ]0,1[: 0,5.
g(0,5)=e1−3,5−2≈−1,153g(1)=e2−2−2≈3,389
Como g(0,5)<0<g(1), o zero pertence ao intervalo ]0,5;1[.
Ponto médio de ]0,5;1[: 0,75.
g(0,75)=e1,5−3,75−2≈0,545
Como g(0,5)<0<g(0,75), o zero pertence ao intervalo ]0,5;0,75[.
Ponto médio de ]0,5;0,75[: 0,625.
g(0,625)=e1,25−3,625−2≈−0,414
Como g(0,625)<0<g(0,75), o zero pertence ao intervalo ]0,625;0,75[.
A amplitude do intervalo ]0,625;0,75[ é 0,125, que é menor do que 0,2. Logo, tomando para aproximação o ponto médio deste intervalo, o erro cometido é inferior a 0,0625, e portanto inferior a 0,1.
20,625+0,75=0,6875
Uma aproximação da solução da equação f(x)=2, com erro inferior a 0,1, é 0,6875.
Tenta primeiro no papel.
Quem lê a resolução antes de tentar acha que percebeu — e volta a errar no exame.
Mostra só o que se escreve na prova. A resolução explicada fica fechada — abres depois, se quiseres.
Resolução explicada
Passo a passo, com o porquê de cada passo.
O método da bissecção é um algoritmo: parte-se de um intervalo onde se sabe que existe um zero, corta-se ao meio, fica-se com a metade que continua a conter o zero, e repete-se. Cada corte divide a incerteza por dois. O que este item mede não é a conta — é se cumpres o algoritmo com rigor e se sabes dizer quando podes parar.
passar de «resolver f(x)=2» para «encontrar um zero»
A bissecção procura zeros, não soluções de uma equação qualquer. Por isso o primeiro passo — e vale 3 pontos, a etapa mais bem paga do item — é definir a função auxiliar
g(x)=f(x)−2=e2x−x+3−2
Agora a pergunta é outra, equivalente: qual é o zero de g em ]0,1[?
A função g é contínua em [−3,+∞[, porque f é contínua nesse intervalo (hipótese do enunciado) e subtrair a constante 2 não estraga a continuidade. É a continuidade que legitima o método.
1.º — primeiro corte: o ponto médio de ]0,1[
O ponto médio é 20+1=0,5. Calculo g aí e no extremo direito:
Os sinais são contrários: g(0,5)<0<g(1). Como g é contínua, o zero está em ]0,5;1[.
Repara que 1+3=4=2 é exacto — aproveita sempre os valores exactos que aparecerem.
2.º — segundo corte: o ponto médio de ]0,5;1[
O ponto médio é 20,5+1=0,75.
g(0,75)=e1,5−3,75−2≈4,482−1,936−2≈0,545
Agora g(0,75)>0. O sinal mudou entre 0,5 e 0,75, logo o zero está em ]0,5;0,75[:
g(0,5)<0<g(0,75)
A regra de decisão é sempre a mesma: fica-se com a metade cujos extremos têm g com sinais contrários.
3.º — terceiro corte: o ponto médio de ]0,5;0,75[
O ponto médio é 20,5+0,75=0,625.
g(0,625)=e1,25−3,625−2≈3,490−1,904−2≈−0,414
É negativo, e g(0,75)>0, portanto o zero está em
]0,625;0,75[comg(0,625)<0<g(0,75)
4.º — saber PARAR — é aqui que o erro pedido entra
Esta é a parte do método que mais alunos deixam por dizer, e vale 2 pontos.
Se tomares para aproximação o ponto médio de um intervalo, o erro máximo que cometes é metade da amplitude desse intervalo: o ponto médio está, no pior dos casos, a meia amplitude de qualquer ponto do intervalo.
A amplitude de ]0,625;0,75[ é
0,75−0,625=0,125<0,2
Logo metade dela é 0,0625<0,1: o erro fica abaixo do que o enunciado exige, e posso parar. (Foi por isso que precisei de três cortes e não de dois: a amplitude anterior era 0,25, cuja metade, 0,125, ainda ultrapassa 0,1.)
o valor a apresentar
x≈20,625+0,75=21,375=0,6875
Uma aproximação da solução, com erro inferior a 0,1, é 0,6875.
O enunciado manda conservar pelo menos três casas decimais nos cálculos intermédios — é por isso que escrevo −1,153, 0,545 e −0,414, e não −1,2 ou 0,5. O que interessa nesses números é só o sinal, mas quem arredonda de mais arrisca enganar-se no sinal quando o valor é pequeno.
Os critérios aceitam qualquer valor em ]0,625;0,6875]desde que justificado — mas o ponto médio é a resposta natural do método, e é a que não precisa de explicação extra.
a resposta é plausível?
O valor exacto da solução é ≈0,684, e ∣0,6875−0,684∣≈0,004, muito abaixo de 0,1.
Uma verificação rápida na folha: g(0,6875)=e1,375−3,6875−2≈3,955−1,920−2≈0,035, um valor muito próximo de zero. Se te tivesse dado um número grande, terias errado algum corte.
onde é que se perdem pontos
Não definir a função auxiliar g(x)=f(x)−2 e trabalhar directamente com f comparando com 2: são os 3 pontos da primeira etapa, a mais bem paga.
Parar no segundo corte. A amplitude de ]0,5;0,75[ é 0,25 e metade dela é 0,125>0,1 — ainda não chega.
Dar mais cortes do que os necessários. Não é erro, mas gasta tempo e multiplica as oportunidades de errar uma conta.
Não escrever as desigualdades com os sinais (g(0,5)<0<g(0,75)): cada uma é uma etapa pontuada, e não basta mostrar a tabela de valores.
Esquecer a frase sobre a amplitude e o erro: perdem-se 2 pontos mesmo com o valor final certo.
Arredondar os valores intermédios a menos de três casas decimais, contra o que o enunciado pede.
Apresentar o extremo do intervalo (0,625 ou 0,75) em vez do ponto médio.
Enganar-se no radicando: é x+3, com o x do ponto que estás a testar, e não 3.
para reconhecer o próximo exercício deste tipo
A bissecção é sempre o mesmo guião, e escreve-se por ordem:
define g(x)=f(x)−k, onde k é o valor que a equação iguala, e diz que g é contínua;
confirma a mudança de sinal nos extremos do intervalo de partida;
corta ao meio, calcula g no ponto médio, fica com a metade onde o sinal muda — e escreve a desigualdade de cada corte;
pára quando metade da amplitude for menor do que o erro pedido, e di-lo explicitamente;
apresenta o ponto médio do último intervalo.
Conta de cabeça antes de começar: partindo de um intervalo de amplitude 1 e querendo erro inferior a 0,1, precisas de n cortes tais que 2n+11<0,1, ou seja n=3. Saber isto à partida diz-te quantas contas vais fazer.
Primeiro, a resposta de exame.
A resolução explicada abre-se depois, à parte, se quiseres perceber o porquê.
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